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Economia: preço das refeições em restaurantes sobe 48,3% nos últimos 10 anos

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Apesar do aumento do preço das refeições e do movimento nos bares e restaurantes do País, a situação das empresas do setor ainda não está confortável. Uma análise realizada pela Ticket, empresa de cartões de benefícios, mostra que o preço médio atual da refeição completa é de R$ 40,64. O valor representa um aumento de 48,3% nos últimos dez anos, uma vez que comer fora custava cerca de R$27,40 em 2013. No entanto, se reajustada de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a mesma refeição custaria hoje, em média, R$ 47,62. As contas sobre o repasse da inflação são diferentes a depender das bases de cálculo, mas o fato é que a renda menor do consumidor não permite que os preços subam na mesma velocidade dos custos.

Nas contas da Associação Brasileira de Restaurantes (Abrasel), o setor fez, nos últimos 12 meses, reajustes de cerca de 6%, contra uma inflação média de quase 12%. Já em levantamento do Instituto Foodservice Brasil (IFB), a inflação dos associados da instituição, no acumulado de 12 meses, estava em 9% em maio de 2022. Na pesquisa do IFB, que reúne grandes redes de bares e restaurantes, no período de um ano, o ticket médio teve aumento de 5,3%, chegando ao valor de R$ 34,80.


Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, apesar da retomada e crescimento do faturamento do setor, o desarranjo das contas dos estabelecimentos se dá pela redução de renda da população. “O faturamento voltou com força. Para se ter uma ideia, estamos com alta real de 8% em relação a 2019. Esse número cresce pelo fim das restrições da pandemia, pela alta no consumo das pessoas de alta renda e também pelo auxílio emergencial, que beneficia o público de restaurantes pequenos. No entanto, ainda que haja mais gente consumindo, as pessoas estão com o bolso mais apertado, já que a renda da população caiu cerca de 8%”, explica Solmucci.


Ou seja, o faturamento cresce acima da inflação em função do volume de vendas, mas o preço cobrado por cada uma das refeições não repassa integralmente a alta de custos do período. De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) realizada com 1.689 empresários de todo o país entre 21 e 28 de junho, apenas 35% dos bares e restaurantes relatam ter tido lucro em maio, contra 29% que tiveram prejuízo e outros 36% ficaram em equilíbrio. Os empresários ouvidos pela associação mencionaram a alta nos preços dos insumos, ocasionada pela inflação, como uma das causas dos resultados negativos no período.


Além da alta do preço dos alimentos, pesa nas contas dos restaurantes a alta dos combustíveis e a energia elétrica. Assim, nos próximos meses, Solmucci estima uma melhora para o segmento, já que deve haver melhora de renda com o aumento do Auxílio Brasil, além de impactos positivos da redução de ICMS sobre a conta de energia e recentes reduções no preço dos combustíveis. Além disso, vem pela frente a Copa do Mundo, que costuma ser um estímulo ao consumo em bares.


Além disso, Solmucci pontua que os restaurantes localizados em áreas comerciais que ainda não tiveram uma retomada dos escritórios segue com o faturamento abaixo do esperado.

Tribuna do Norte