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Saiba como se proteger dos cinco golpes virtuais mais comuns no RN

Foto: Alex Régis

Em um mundo cada vez mais conectado, muitas negociações e compras ocorrem através do meio virtual. Porém, se a velocidade e praticidade da internet atraem as pessoas, também atraem a presença de estelionatários que aproveitam o meio online para praticar crimes. De acordo com o delegado das Delegacias de Polícia Civil (DPCs) em Ceará-Mirim e Pureza, Felipe Botelho, existem cinco tipos de crimes financeiros mais comuns: “phishing” (palavra que deriva da expressão fishing – pescar), o uso de ramsonware (software de extorsão), clonagem de cartões, leilões em compras online e a clonagem de anúncios em sites de vendas. Na manhã de sexta-feira (19), foi oficializada, através do Diário Oficial do RN, a Delegacia de Repressão a Crimes Virtuais (DRCC). Será de responsabilidade desta  combater e receber denúncias relacionadas a ocorrências dessa natureza.

Conhecer os mecanismos de cada crime é fundamental para entender e escapar de armadilhas virtuais. O phishing pode ocorrer quando pessoas recebem links ou mensagens com notificações de prêmios. Ainda há as solicitações de dinheiro, situação na qual golpistas se passam por familiares da vítima e pedem alguma ajuda para pagar um boleto, por exemplo. “Você não sabe, mas aquela pessoa clonou o seu número e te pede para pagar contas. Em outros casos, eles realizam a engenharia social, pesquisando informações sobre você. Quando chegam com o disfarce, vão saber das suas informações e dizê-las a você, para que você confie e caia no golpe.”, afirmou.

Outra modalidade de golpe, o ramsonware afeta, principalmente, empresas. Segundo Botelho, esse software de extorsão é usado para  “sequestrar” dados, através de um link ou programa infectado com o vírus. Se isso ocorrer, o ransomware criptografa todo o banco de dados da máquina infectada, e o dono perde acesso a todo o sistema. Muitas vezes, o golpista cobra altos valores para restituir o domínio dos arquivos ao proprietário. “Quando isso acontece com uma empresa, ela perde o acesso a todos os seus dados, bancos de dados. Geralmente o pagamento é cobrado em bitcoins e criptomoedas. O empresário, muitas vezes desesperado para  ter o sistema em operação novamente, acaba cedendo e realizando o pagamento”, afirmou. O delegado também ressaltou que é importante orientar todos os funcionários de organizações, para que esses não comprometam toda a empresa.

O delegado também falou sobre golpes que envolvem a clonagem de cartões de crédito, golpe que está entre os mais comuns. O crime é realizado quando a pessoa digita dados do cartão em sites duvidosos ou em sites de aparência legítima, mas falsos. “A vítima cadastra o seu cartão de crédito ali e o golpista, de posse das informações da vítima, usa os dados para fazer compras em sites indevidos”. 

Com relação aos golpes de leilão e compras online, os criminosos anunciam produtos nesses tipos de sites, mas não entregam o produto após a venda. Dentro da página, eles também podem inserir produtos inexistentes.

A clonagem de anúncios é outra prática de destaque dos estelionatários atualmente. O delegado relatou que o golpe ocorre quando anúncios reais de sites de vendas (até mesmo os mais conhecidos) são copiados e usados por criminosos, que se passam pelos vendedores do produtos. Para enganar suas vítimas, geralmente inventam histórias a fim de não levantar suspeitas acerca do preço e realizar a transação. Quando o negócio acontece, o golpista some. “A vítima acaba transferindo o valor para o golpista, e ele bloqueia a conta, além de apagar o anúncio. Com isso, o comprador fica no prejuízo”.

Durante a produção desta reportagem, a Tribuna do Norte pesquisou o termo na internet. Apenas na primeira página, foram encontrados cinco resultados (quatro tutoriais e um site) que mostram como clonar anúncios.

Felipe ressaltou que esses crimes são combatidos pelas forças de segurança, mas lembrou que a prudência da população pode diminuir o número de casos. “Todos esses crimes são investigados e a Polícia Civil tem a competência necessária para combater esses casos. Todos nós temos uma vulnerabilidade digital, e, independentemente do grau, ela pode ser atenuada a partir de  uma premissa: desconfie de tudo e se certifique”.

Ele ainda afirmou que o aumento de crimes no meio digital é um fenômeno em ascensão para todo o mundo. Felipe também ressaltou os motivos que levam criminosos a praticar golpes virtuais. “Não só no Brasil, mas como no mundo todo, o crime está migrando para a internet. Antes, se tinha a ideia que o crime era apenas cometido por hackers, de uma forma holywoodiana. Mas um fato é que os crimes comuns estão migrando para a internet. Muitos são atraídos para a internet porque não precisam ser violentos ali. Além disso, o alcance de pessoas é maior”, disse.

Vítima

A empresária Daniela Saraiva foi   vítima de um golpista virtual. Ela relatou que, enquanto procurava vendedoras de materiais de construção para construir a própria casa, encontrou um anúncio com um preço mais acessível. Daniela resolveu clicar no anúncio e negociar a compra dos materiais. 

O estelionatário atuou em duas frentes: fez a venda falsa para Daniela e ao mesmo tempo encomendou, sem pagar, os produtos em uma loja de material de construção.  Alguns dias depois, a empresa de materiais de construção foi até a empresária  para deixar os materiais. Daniela sustentou que já havia feito o pagamento, enquanto que a empresa cobrava o valor devido. O pagamento havia sido feito para o estelionatário.

“Ele anunciou como se fosse o próprio dono do negócio. Quando acertamos a compra, ele entrou em contato com uma das lojas próximas de mim e fez o pedido para enganar”, disse.  Ao invés dos tijolos, telhas e cimento necessários, a empresária viveu uma situação constrangedora. “Quando vi o funcionário da loja em frente a minha casa, na inocência, enviei o valor”.

Daniela ainda relatou que tentou reaver o dinheiro, mas não conseguiu. “Eu ainda tentei prestar queixa e abrir um boletim de ocorrência. Mas o delegado afirmou que o CNPJ era de Minas Gerais e que seria praticamente impossível de ter o dinheiro de volta, a menos que o banco devolvesse. Tentei recorrer à instituição, mas não consegui. Desisti de tentar porque não queria passar pelo constrangimento de explicar repetidamente que passei por um golpe”, lamenta.

Dicas

O delegado também deu dicas de segurança digital, a fim de evitar golpes. As principais consistem em:

– Nunca envie dinheiro a uma pessoa que você não possa rastrear

– Certifique-se de que suas transações estão ocorrendo com uma loja ou pessoa real por outros meios, como redes sociais, números de contato e outros.

– Não entre em links duvidosos. As empresas não costumam enviar links ou solicitar endereços duvidosos por email ou através do Whatsapp/redes sociais. Busque contato com meios que sejam reconhecidos oficialmente.

– Mantenha o sistema de segurança do seu celular/computador atualizado

– Não autorize o acesso dos aplicativos de banco através da senha do celular. O ideal é eles sejam acessados apenas pela senha do banco

– Compartilhe dicas de segurança com conhecidos e familiares. Isso fará com que você e as pessoas ao seu redor estejam mais protegidas contra armadilhas virtuais.

Tribuna do Norte