
O Rio Grande do Norte deu mais um passo para fortalecer as políticas de adaptação às mudanças climáticas, nesta terça-feira (15), com a realização da Oficina AdaptaCidades, realizada no auditório do Bosque dos Namorados, no Parque das Dunas, em Natal. A atividade reuniu representantes de sete municípios e três consórcios municipais e integra uma estratégia do Governo Federal para apoiar estados e cidades brasileiras na preparação para os impactos das mudanças do clima.
Ao todo, 119 municípios potiguares participam da iniciativa de forma direta ou indireta (representados pelas cooperativas). A ação é desenvolvida em parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) e a Cooperação Alemã GIZ.
Durante a oficina, os participantes foram orientados sobre organização institucional, articulação entre diferentes setores e primeiros passos para a elaboração dos Planos Municipais de Adaptação. A metodologia combina capacitação técnica e desenvolvimento dos próprios planos, permitindo que os gestores conheçam os conceitos e ferramentas enquanto identificam as necessidades e características de seus territórios.
O assessor técnico da GIZ, Francisco Veiga, explicou que a oficina utiliza uma metodologia estruturada em uma trilha de aprendizagem. “Não é só colocar informações, de cima para baixo. A gente traz uma metodologia muito bem estruturada. Enquanto a gente entende, aprende e desenvolve a capacidade sobre adaptação do território, a gente já vai elaborando os nossos próprios planos municipais”, acrescentou.
Para o coordenador-geral de Integração Multinível e Análise de Risco do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, Lincoln Alves, o envolvimento dos municípios potiguares coloca o estado em posição de destaque na região Nordeste.
“Dentro dos estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte foi o que abraçou o maior número de municípios e pode se tornar uma referência para os demais estados na construção de políticas de adaptação”, considerou.
Lincoln ressaltou ainda que a construção dessa agenda exige a participação conjunta dos governos federal, estadual e municipais. “Cada região, cada cidade tem o seu papel e o seu contexto específico”, afirmou.
Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente pretende apoiar o processo ao longo dos próximos meses para que o trabalho iniciado no estado possa se consolidar.
O diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, destacou que a adaptação climática precisa ser tratada como uma política transversal, envolvendo diferentes áreas e níveis da administração pública.
Segundo ele, os efeitos dos eventos climáticos extremos já podem ser observados em diferentes regiões do país e também no Rio Grande do Norte, especialmente em relação à segurança hídrica. O diretor-geral ressaltou que a construção de cidades mais verdes e resilientes não envolve apenas a disponibilidade de água, mas exige mudanças na forma como os municípios planejam e executam suas políticas públicas.
“Esperamos que outros municípios possam fazer parte desse diálogo. E isso dependerá muito das ações dos municípios que já aderiram, que possam expressar essa realidade, que possam mostrar a mudança que nós podemos trazer, não só conceitual, mas mudanças estratégicas que fortaleçam esses municípios”.
Também participaram da mesa de abertura Natália Guimarães, subcoordenadora de Meio Ambiente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh); Natália Raiane Silva Vieira, subcoordenadora de Vigilância Ambiental (Suvam), representando a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap); e o diretor-técnico do Idema, Thales Dantas.