
Felinto Lúcio Dantas foi maestro, compositor e agricultor, que fez da terra seu chão e da música sua eternidade. Sua obra atravessou fronteiras, e agora sua trajetória ganha as telas de cinema através do filme A Música que Nasceu da Terra, produzido pela Trapiá Filmes, da Associação Cultural Trapiá.
Compositor de mais de 100 obras, Felinto deixou um legado que passeia por dobrados, valsas, marchas, mazurcas, choros e hinos. Os dobrados foram sua maior marca, somando 83 composições, seguidos pelas valsas, com 42 peças. Sua sensibilidade também encontrou morada na música sacra, com 36 melodias, entre elas o Tantum Ergo Sacramentum, que foi executada no Vaticano.
A sinopse do filme traduz, em poesia, essa relação profunda entre o músico e o agricultor:
“A natureza foi sua grande escola e a pá de areia sua primeira professora. A caneta era sua enxada e era com ela que ele ia tocando a música da terra.”
É nesse encontro entre o trabalho no campo e a criação musical que o filme constrói sua narrativa, revelando um artista que cultivava melodias com o mesmo cuidado com que cuidava da roça.
O diretor e dramaturgo Lourival Andrade celebra o projeto como um privilégio artístico e humano, anunciando a estreia para o dia 23 de março: “Dirigir é organizar o caos com afeto, determinação e firmeza. A Música que Nasceu da Terra fala de amor à música, ao sertão e à simplicidade. Pesquisei, li muito, entrevistei pessoas que conheceram Felinto e seus familiares. Tenho a honra de dirigir um filme que conta uma parte essencial da vida desse maestro tão importante para o Brasil”, destaca.
As gravações aconteceram nos municípios de Carnaúba dos Dantas e Acari, reunindo uma equipe de 27 profissionais, entre elenco e técnicos, além da participação especial das bandas Filarmônica Maestro Felinto Lúcio Dantas, de Acari, e Filarmônica Onze de Dezembro, de Carnaúba dos Dantas.