Ginástica cerebral é capaz de monitorar a função cognitiva; entenda

Foto: Alex Régis

Um cérebro “em forma” é capaz de uma sintomia melhor com o corpo, e ser mais resistente  aos transtornos e doenças neurodegenerativas.  Uma forma de monitorar de perto a função cognitiva, é a prática da chamada ginástica cerebral, uma série de atividades estimulantes capaz de melhorar habilidades como memória, concentração,  raciocínio e criatividade. Com respaldo da neurociência, esses exercícios aumentam a reserva cognitiva, deixando o cérebro mais ágil para realizar suas funções. Um treino para a mente. 

O estímulo da neuroplasticidade cerebral é o que ajuda a desenvolver a reserva cognitiva robusta almejada pelos exercícios da mente. Segundo o psicólogo Diego Felipe Sobrinho, o cérebro tem a capacidade de se modificar a partir de variados estímulos, sendo essa ginástica específica capaz de fortalecer as conexões entre os neurônios. “O treino cerebral possibilita entender, melhorar, capacitar e evoluir tanto a memória quanto a saúde mental em geral”, diz. 

“A ginástica cerebral é uma prevenção e uma promoção de saúde. Ela oferece benefícios futuros”, afirma Diego, que também é gestor pedagógico na sede natalense da Supera, uma rede de escolas especializadas em estimulação cognitiva, criada há 17 anos no interior de São Paulo, e existente em todo país. No momento em que há uma conscientização geral sobre a importância da saúde mental, há também o interesse crescente sobre ações como essa. 

Malhação cerebral 

Para a “malhação” do cérebro,  é necessário tirá-lo da zona de conforto. A metodologia da Supera, por exemplo, lança mão de uso de ábaco (instrumento de cálculo milenar) e dezenas de jogos de tabuleiro e cartas, além de apostilas e dinâmicas em grupo. O velho ábaco é uma das principais ferramentas do curso,   levando os alunos a fazer cálculos de forma prazerosa e bem diferente do habitual.

Diego explica que o ábaco, segundo as pesquisas dos neurocientistas e neurologistas, é capaz de treinar o cérebro humano para movimentos que conduzem à autonomia.  “Através das contas a pessoa amplia a memorização, e deixa o raciocínio mais rápido e lógico,  além de beneficiar a  coordenação motora”, explica.

Já os jogos de tabuleiro, individuais ou em grupo, desenvolvem habilidades cognitivas e socioemocionais, como estratégia, relacionamento e autoconfiança. As dinâmicas em grupo são mistas. “Cada aula tem uma estrutura diferente. Algumas são em pé, as pessoas se abraçam, ou são surpreendidas por caixas misteriosas, tentam descobrir o cheiro ou o gosto de algo sem ver o que é, entre outros exercícios que mexem com as percepções da mente”, explica o psicólogo. 

Há atividades que podem ser feitas também em casa, os chamados exercícios “neuróbicos”. Atos como escovar os dentes com a mão não dominante, escrever com a mão não dominante, tomar banho, se vestir ou se maquiar de olho fechado, andar para trás, tocar um instrumento de outra maneira, mudar rotas de caminhada, etc. “São pequenos gestos que tiram o cérebro do automático, da repetição preguiçosa, e o desafiam a mudar”, ressalta. 

O público que procura a ginástica cerebral é diverso: desde crianças em idade escolar e adolescentes até jovens adultos. Mas a grande maioria é de idosos. “As motivações maiores do público idoso são relativas à memória. Eles se preocupam bastante com as questões do esquecimento”, diz Diego. Ele ressalta que o esquecimento é natural, que é preciso esquecer de algumas coisas para lembrar de outras mais importantes. 

Claro, há o medo natural das doenças neurodegenerativas que costumam aparecer em idades mais avançadas. No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com alguma forma de demência, a maioria sendo o Alzheimer. Diego afirma que a ginástica cerebral ajuda na prevenção e também quando a doença já está diagnosticada. “Não é só o método, mas também a socialização. Os idosos vêm em busca de conforto cerebral”, diz. 

Memórias em dia 

Há pessoas que não se esquecem de melhorar a memória a cada dia. O geólogo Ailton Aviano, 78 anos, é uma delas. “Sou  inquieto por natureza. Aos 60, decidi me formar jornalista. Minha memória ainda é muito boa, mas eu não quis que a ferrugem aparecesse, por isso procurei a ginástica cerebral”, conta. Ele encara tudo como um exercício. Leva deveres pra casa, lê muito, faz jogos de memória, socializa. “No tempo da minha mãe, um cara da minha idade já era visto como carta fora do baralho. Isso mudou, felizmente”, diz. 

Myrthes Rêgo, do alto dos seus 94 anos, faz ginástica cerebral há quatro. Chegou à escola pela dica de uma sobrinha – que ela não levou muito a sério de primeira. “Eu disse que a minha memória ainda era muito boa, não precisava de nada. Mas ela queria que eu tivesse alguma distração, então eu fui. Experimentei só um dia e adorei”, diz. Fã do triminó (um dominó de três pontas) e de caçar palavras, ela gosta da socialização e de levar dever pra casa. “Gosto de resolver lições, pesquisar no computador, falar com os professores. É muito bom não ir dormir com a memória parada”, afirma.

Tribuna do Norte



Liga intensifica conscientização sobre o câncer de mama durante o Outubro Rosa

Foto: Divulgação

Tipo de câncer que mais atinge mulheres em todo o mundo, o câncer de mama tem altas chances de cura se for diagnosticado de forma precoce. De acordo com estimativa publicada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama apenas em 2023. Para o RN, a estimativa é de 1.140 novas pacientes diagnosticadas até o fim deste ano.

Com o objetivo de conscientizar sobre a importância de identificar os primeiros sinais da doença e diminuir a sua taxa de mortalidade, a Liga Contra o Câncer participa da campanha do Outubro Rosa, intensificando as ações para chamar atenção sobre o tema.

“O Outubro Rosa simboliza a luta contra o câncer de mama. Para combater essa doença temos duas ferramentas muito importantes: a prevenção e o diagnóstico precoce, que aumenta muito a chance de cura”, explica Diana Taissa, médica mastologista da Liga.

Entre os primeiros sinais da doença estão nódulos, geralmente endurecidos, fixos e indolores, que podem aparecer também nas axilas, pele da mama avermelhada, alterações no bico do peito, mudança na textura da pele da mama e saída espontânea de secreções do mamilo. “É muito importante a paciente ter um autoconhecimento da sua mama, se atentar a qualquer alteração que aparecer e procurar logo um especialista”, afirma Diana Taissa.

Segundo ela, a Liga dispõe de todas as ferramentas necessárias para o diagnóstico da doença, desde os exames de imagens, como a ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética, quando necessário, além das biópsias.

A causa da doença pode ser multifatorial, incluindo aspectos genéticos, casos de câncer na família, menarca antes dos 12 anos e menopausa após os 55 anos e o uso de contraceptivos hormonais podem contribuir com o aparecimento do câncer. A médica ainda explica que a adoção de um estilo de vida mais saudável, pode ajudar na prevenção, atenuando em 30% os riscos da doença. Entre esses bons hábitos estão a prática regular de exercícios físicos, a diminuição no consumo de bebida alcoólica e a escolha de alimentos mais saudáveis.

A Liga Contra o Câncer

Com 74 anos de atuação, a Liga Contra o Câncer é uma das principais referências do país no tratamento oncológico, aliando o alto nível da sua equipe multidisciplinar, o acolhimento e humanização e o investimento em pesquisa e inovação.

Atualmente, a instituição conta com quatro unidades hospitalares: Cecan, Hospital Luiz Antônio e Policlínica, em Natal, e o Hospital de Oncologia do Seridó, em Caicó, e também a Casa de Apoio Irmã Gabriela, unidade localizada de acolhimento e hospedagem destinada a pacientes do interior que precisam de atendimento na capital. Também estão sendo construídos o Hospital Oncológico Pediátrico, no bairro do Alecrim, e o Centro de Diagnóstico e Ensino em Currais Novos.

Já no campo educacional, o Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação (IEPI) é referência na promoção e incentivo a investigação científica e estímulo ao desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas. Junto ao trabalho desenvolvido pela Pesquisa Institucional, o Centro de Pesquisa Clínica da Liga tem reconhecimento internacional na condução de ensaios clínicos multicêntricos para descobrir ou verificar os efeitos farmacodinâmicos, farmacológicos, clínicos e identificar reações adversas a novos produtos.

Revista BZZ



Novo passaporte começa a ser emitido nesta semana. Veja mudanças!

Troca para o novo modelo só é exigida no prazo de validade do passaporte atual. Foto: Agência Brasil/ EBC

O novo passaporte brasileiro começa a ser emitido nesta semana no Brasil pela Polícia Federal. No exterior, o modelo começará a ser expedido em embaixadas e consulados do Brasil apenas em 2024.

Na nova versão, o passaporte inclui figuras que representam a flora e a fauna brasileiras em várias de suas páginas. O documento também conta com imagens que só podem ser vistas na luz ultravioleta e mais marcas d’água, o que, segundo autoridades, oferece mais segurança contra fraudes.

A última grande atualização no documento tinha acontecido em 2015, quando ele ganhou um chip e passou a ser chamado de passaporte eletrônico, além de dobrar o prazo de validade para 10 anos.

Agora, a troca para o novo modelo só será necessária no prazo de validade do seu passaporte atual. Além disso, o valor para emissão segue a mesma.

Será obrigatório trocar pelo novo?

A troca de passaporte para o novo não será obrigatória: ela só é necessária quando o documento vence. A validade continua sendo de dez anos.

Vai ficar mais caro?

O governo disse ainda que a taxa para emissão continuará a mesma: segundo o site da Polícia Federal, atualmente ela é de R$ 257,25 para o passaporte comum.

Para casos de urgência de emergências, é mais caro: R$ 334,42. O valor também aumenta se a pessoa deixar de apresentar o documento vencido.

Novo desenho

Na capa, o destaque é a volta do brasão da República e a saída das estrelas do Cruzeiro do Sul. Todas as regiões do Brasil são homenageados nas páginas internas, que passam a ter mais cores, por meio de ícones representativos dos biomas e da cultura de cada local.

Na página com os dados do cidadão, haverá uma foto em preto-e-branco formada com dados biométricos da pessoa, além da foto colorida tirada na hora de fazer o documento.

Tribuna do Norte



Em 20 anos de estatuto, pensão alimentícia para idosos não é comum

Foto: Reprodução

O direito a pensão alimentícia para idosos foi uma das novidades que veio com o Estatuto do Idoso, sancionado em 2003. Assim, filhos e até netos passaram a poder ser acionados judicialmente para garantir o pagamento de pensão alimentícia a pessoas idosas. No entanto, duas décadas após a legislação entrar em vigor, esses pedidos não se tornaram comuns e são apenas uma pequena parte das solicitações de pensão alimentícia, na maior parte requeridas pelos filhos em relação aos pais e as ex-esposas aos antigos companheiros.

“O que é mais comum e recorrente na sociedade são os filhos dos casais e eventualmente as esposas. Porque na nossa sociedade ainda predomina o poder econômico na mão do homem”, enfatiza a presidente da Comissão de Estudos de Direito de Família e Sucessões do Instituto dos Advogados de São Paulo, Clarissa Campos Bernardo. Ela ressalta que, em anos trabalhando com direito de família, nunca foi solicitada a fazer um pedido do tipo.

A advogada explica que a pessoa idosa que não tiver condições de se sustentar sozinha pode pedir pensão a um dos filhos judicialmente. Caso nenhum dos filhos tiver condições de arcar com a despesa, há ainda a possibilidade de requisitar a pensão aos netos. Mas a regra, segundo Clarissa, é “buscar o descendente mais próximo”.

O Conselho Nacional de Justiça não tem dados específicos sobre a quantidade de pedidos de pensão alimentícia por idosos. Os dados disponibilizados pelo conselho englobam todos dos pedidos de pensão, sem discriminação se por filhos ou ex-companheiras.

A coordenadora do Núcleo Especializado dos Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência da Defensoria Pública de São Paulo, Renata Flores Tibyriçá, confirma que os casos do tipo são pouco comuns, apesar da defensoria atuar em alguns casos de pedidos de pensão em favor de pessoas idosas. “Acontece, mas não é comum”, disse a defensora.

Em parte, Renata atribui a baixa demanda ao perfil das famílias atendidas pela defensoria, que são pessoas com poucos recursos, em que os idosos acabam dividindo a residência com outras gerações. “De fato, é difícil para as famílias, que não têm condições financeiras, vivem juntas, e acabam fazendo alguma organização familiar”, explica.

Mesmo nos casos em que o benefício é requerido, a coordenadora explica que as equipes da defensoria, que incluem psicólogos e assistentes sociais, buscam uma mediação em vez da judicialização. “A gente tenta resolver com apoio do centro multidisciplinar, com assistente social e psicólogo pensando em uma mediação com a família. Até para organizar melhor como seria esse apoio a essa pessoa idosa”, acrescenta.

É por esse caminho que a defensoria busca atuar, segundo Renata, mesmo em casos mais complexos, como os que envolvem negligência ou até violência contra as pessoas idosas. “A violência contra a pessoa idosa, normalmente, acontece dentro da casa dela, por uma pessoa próxima a ela. É uma violência praticada por meio da negligência. Ou seja, a pessoa tinha algum dever de cuidado da pessoa idosa. Por exemplo, deixou de dar um remédio, de trocar uma fralda”, detalha a defensora sobre o perfil das violências que atingem de forma mais comum essa população.

Agência Brasil



Congresso ameaça derrubar projeto e tirar investimentos do Nordeste

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Uma mudança na metodologia da cobrança do sinal locacional das Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (Tust) e de Uso do Sistema de Distribuição (Tusd-g), imposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pode prejudicar a geração de energia no Nordeste, encarecer a conta de luz e, até mesmo, inviabilizar novos projetos de instalação de parques de energia limpa na região. As resoluções da Aneel estabelecem uma transição até 2028 para que os geradores paguem mais para usar as linhas de transmissão a fim de escoar a energia elétrica produzida.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem da Tribuna do Norte que atuam no setor, as regras da Aneel colocam em risco os investimentos que têm sido atraídos pelos Estados nordestinos nos últimos anos em energia renovável. Em resumo, estão tirando da região recursos que seriam naturalmente dela, para favorecer áreas mais ricas do país. E pior, encarecendo um serviço fundamental para a sociedade. 

É neste sentido que o deputado federal Danilo Forte (União-CE) propõe o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 365/2022 para suspender as resoluções. O PDL já foi aprovado na Câmara dos Deputados, em novembro do ano passado. Segundo o autor, as resoluções podem levar a um aumento dos custos de transmissão de energia em locais distantes dos grandes centros de consumo. Ele aponta que a mudança do cálculo dessas tarifas pela Aneel é prejudicial às usinas geradoras de energia do Norte e do Nordeste, principalmente as eólicas.

As novas resoluções aumentam o “sinal locacional”, fator que compõe as tarifas e leva em consideração a distância entre as geradoras de energia e os centros consumidores. A consequência é o aumento das tarifas, especialmente para as geradoras de energia eólica situadas no Norte e no Nordeste, e o incentivo à migração da produção para o Sudeste.

Segundo o deputado Danilo Forte, a decisão regulatória da agência é prejudicial para toda a cadeia. Na avaliação do parlamentar, ao mesmo tempo que aumenta as tarifas dos consumidores concentrados no centro de carga, que são as regiões Sul e Sudeste, aumenta também as tarifas dos geradores de energia renováveis concentrados no Nordeste. “Não adianta reduzir o custo da transmissão tirando a geração do Nordeste, se essa geração em outros pontos será muito mais cara, além de desestruturar uma indústria que levou mais de uma década para se estabelecer na região. A conta não vai fechar”, alerta.

O sinal locacional é definido como a sinalização da entrada de novos usuários, através da Tust, para que possam implantar seus empreendimentos, de maneira a aproximar carga e geração, promover a racionalização do uso dos sistemas e a minimização dos custos de expansão. Outra função da Tust é a sinalização da situação atual dos custos, a fim de assegurar maiores encargos para quem mais onera o sistema. A agência alega que essa sistemática irá reduzir a tarifa de energia para os consumidores do Norte e Nordeste.

O deputado Danilo Forte, no entanto, discorda da autarquia. “Primeiro porque, ao deslocar a geração do Nordeste para o Sul e Sudeste a agência estará não só sujando a matriz energética brasileira, dado que nessas regiões não se encontrarão vento e sol verificados no Nordeste, o que implicará no incentivo ao uso de outras fontes de energia – como também estará na contramão no uso das renováveis, ou seja, um contrassenso quando o mundo inteiro fala em descarbonização”, acrescenta.

Votação do PDL foi adiada

Após pedido de vista coletivo, a Comissão de Infraestrutura da Câmara adiou a votação, na terça-feira (26), do projeto de decreto legislativo (PDL) 365/2022, que susta as resoluções da Aneel. As normas alteram as formas como duas espécies de tarifas são cobradas de empresas geradoras de energia. O pedido de vista foi apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) para análise do relatório favorável do senador Otto Alencar (PSD-BA) e dos votos em separado pela rejeição da matéria.

As resoluções a serem sustadas pelo PDL mudam o cálculo das tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (Tust) e de Uso do Sistema de Distribuição (Tusd), estabelecendo um período de transição até 2028 para que os geradores dessas regiões paguem mais para usar as linhas de transmissão a fim de escoar a energia elétrica produzida.

Para o relator — que definiu as resoluções como inconstitucionais —, o aumento do sinal locacional é uma política pública e, como tal, não pode ser formulada pela Aneel. “A intensificação do sinal locacional é uma medida de política pública que abrange aspectos além da competência regulatória da Aneel, como desenvolvimento social, emprego, distribuição de renda e mudança climática”, afirma no documento.

Tribuna do Norte



Entenda por que o governo não pretende adotar o horário de verão

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Amado por muitos, odiado por outros tantos, o horário de verão foi por muito tempo motivo de discussões e polêmicas entre os brasileiros. Muita gente gostava de aproveitar o período mais quente do ano e curtir o fim de tarde mais longo para praticar esportes ou em um happy hour com amigos. Mas quem acorda cedo para trabalhar reclamava das manhãs mais escuras, com o adiantamento do relógio em 1 hora.

Preferências à parte, havia razões técnicas para que o governo determinasse a adoção da medida, que vigorou no país todos os anos de 1985 até 2018. Em 2019, a medida foi extinta pelo então presidente Jair Bolsonaro e, neste ano, apesar da troca de governo, não há sinais de que o horário de verão possa ser adotado novamente.

Tanto a área técnica do Ministério de Minas e Energia quanto o próprio ministro da pasta já falaram que, por enquanto, não há necessidade de adiantar os relógios neste ano, principalmente por causa das boas condições atuais de suprimento energético do país. A pasta diz que o planejamento seguro implantado desde os primeiros meses do governo garante essa condição.

O ministro Alexandre Silveira também diz que não há sinais de que será necessário adotar o horário de verão este ano, porque os reservatórios das usinas hidrelétricas estão nas melhores condições de armazenamento de água dos últimos anos. “O horário de verão só acontecerá se houver sinais e evidências de uma necessidade de segurança de suprimento do setor elétrico brasileiro. Por enquanto, não há sinal nenhum nesse sentido. Estamos com os reservatórios no melhor momento dos últimos 10 anos”.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os níveis de Energia Armazenada (EAR) nos reservatórios devem se manter acima de 70% em setembro na maioria das regiões, o que representa estabilidade no sistema. Para se ter uma ideia, em setembro de 2018, por exemplo, no último ano de implementação do horário de verão, a EAR dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, um dos mais importantes do país, estava em 24,5%. Este ano, esse percentual está em 73,1%.

Outro fator que serve como argumento para não retomar o horário de verão no Brasil é o aumento da oferta de energia elétrica nos últimos anos, com maior uso de usinas eólicas e solares. “O setor de energia que era quem dava a ordem, não está vendo a necessidade de dar essa ordem, não está vendo grandes ganhos com a medida”, diz o professor de Planejamento Energético Marcos Freitas, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Quando foi criado, em 1931, o adiantamento do relógio em 1 hora entre os meses de outubro e fevereiro tinha o objetivo de aproveitar melhor a luz natural e reduzir a concentração do consumo no horário de pico, que era no horário entre 18h e 20h. No entanto, nos últimos anos, houve mudanças no padrão de consumo de energia dos brasileiros e no horário de pico, com maior uso da eletricidade no período da tarde, principalmente por causa da intensificação do uso de aparelhos de ar-condicionado.

Além disso, a iluminação, que antes representava uma parte significativa do consumo, especialmente no horário de pico, hoje não é mais tão importante do ponto de vista elétrico. Até o início da década de 2000, era comum o uso de lâmpadas incandescentes nas residências, empresas e na iluminação pública. Após a crise energética de 2001, foram adotadas políticas de eficiência energética, com o aumento do uso de lâmpadas mais econômicas, como as fluorescentes, e eletrodomésticos mais eficientes.

“Hoje o fator iluminação já não é mais um fator importante para o setor elétrico, como era no passado, quando cerca de um terço do consumo de energia de uma casa vinha da iluminação. Hoje, o grande vilão nas residências se chama climatização”, destaca o professor Freitas.

Para ele, a adoção do Horário de Verão este ano seria mais por uma questão de hábito da população do que pela necessidade do setor elétrico. “Eu, particularmente, gosto muito do Horário de Verão, gosto de chegar em casa com a luz do dia, acho simpática a ideia. Mas sei que tem limitações, os trabalhadores que acordam muito cedo sofrem muito com esse horário”.

Agência Brasil



Infraero anuncia investimento de R$ 18 milhões no aeroporto de Mossoró e tem plano de desenvolvimento para Caicó e Pau dos Ferros

Foto: José Aldenir

Os terminais aeroportuários dos municípios pólos do Rio Grande do Norte ganharão um novo cenário de gestão e infraestrutura. Essa é a expectativa da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que está assumindo hoje a administração do aeroporto de Mossoró.

Com a transferência da outorga do Aeroporto Dix-Sept Rosado, que deixa de ter a gestão realizada pelo governo do estado e passa a ser feita pela Infraero, os planos para o aeroporto são de torná-lo estratégico para a aviação regional.

“É um passo adiante que a gente está dando para fazer todos os planos de expansão e melhoramento para caracterizar o aeroporto como estratégico para a região. A Infraero tem toda a expertise para fazer o enfrentamento de toda e qualquer necessidade relativa a licenciamento e ampliação de operações”, diz o Secretário de Infraestrutura do Estado, Gustavo Coelho.

Secretário diz que atuação da empresa é "um passo adiante". Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Ele conta que é objetivo tanto da Secretaria de Infraestrutura do RN (SIN), quanto do governo do estado e da Infraero, habilitar o aeroporto para receber voos de outras categorias, com outras dimensões e de maior distância com aeronaves específicas para esse tipo de voo.

“Hoje, nossa autorização para funcionar é apenas com equipamentos ATR-72, aquelas aeronaves que só permitem 72 passageiros. O aeroporto terá um desenvolvimento muito grande”

De acordo com o secretário, com a transferência da outorga, a empresa pretende investir cerca de 18 milhões no aeroporto de Mossoró nos próximos seis meses.

A SIN, juntamente com a Infraero, já havia assinado um contrato para Gestão e Operação do Aeroporto de Mossoró em dezembro de 2022.

Na época, a empresa vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos seria responsável pela gestão da unidade por um tempo determinado. Após nove meses desde a decisão, foi oficializada a transferência da administração do local.

A Infraero assumirá o comando do aeroporto, mas será acompanhada de perto pelo governo do estado por meio da Secretaria de Infraestrutura, diz Gustavo Coelho. “Nossa ideia é continuar um trabalho de parceria que foi muito bem desenvolvido ao longo desse quase um ano”, conclui.

Infraero está realizando plano de desenvolvimento para aeroportos de Caicó e Pau dos Ferros

Além de estar à frente da administração do Aeroporto Dix-Sept Rosado, a Infraero tem elaborado planos de desenvolvimento para a unidade no município de Caicó, interditado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em 2022.

“A grande expectativa em Caicó é que a gente restabeleça as condições de funcionamento do aeroporto. Vamos fazer uma série de investimentos, as quais já estamos estudando quais valores e ferramentas poderão ser investidos lá”, conta Gustavo Coelho.

Segundo o secretário, após o início das reformas na unidade em Caicó, em seguida os investimentos seriam voltados para o aeroporto de Pau dos Ferros. A previsão para a visita no município seria durante o mês de outubro.

O secretário afirma que os valores para investimento ainda estão sendo estudados.

Agora RN



Mais ondas de calor extremo em outubro? Confira previsão para todo o Brasil

Foto: Magnus Nascimento

A onda de calor extremo em pleno fim de inverno e começo de primavera pegou muita gente de surpresa neste ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 2023 teve o mês de setembro mais quente dos últimos 80 anos. E, com a chegada de outubro, o calor deve persistir, junto às chuvas no Sul do País.

Segundo a Climatempo, diferente de setembro, o mês de outubro é historicamente um mês de temperaturas mais altas, e é possível que a onda de calor recorde que aconteceu na primavera de 2020 volte a se repetir em 2023. Além disso, o El Niño deve continuar influenciando o clima global e do Brasil.

“Este evento já é considerado forte e o fenômeno vai atuar durante toda a primavera de 2023 e o verão de 2023/2024. Os principais centros de monitoramento do clima global apontam que o El Niño enfraqueça somente durante o outono de 2024?, diz a Climatempo.

Em outubro, o efeito do El Niño esperado para o Brasil é de intensificação das chuvas no Sul e diminuição das precipitações no Norte e Nordeste. Ou seja, há grandes chances de novas enchentes no Rio Grande do Sul e uma piora no quadro – já grave – de seca no Amazonas.

Por todo o Brasil, deve haver certa instabilidade no ciclo de chuvas. “Vai ser comum termos períodos de três a cinco dias praticamente sem nenhuma chuva, que é um reflexo dessa irregularidade, dessa mudança da circulação de ventos causada pelo El Niño”, diz Vinícius Lucyrio, meteorologista da Climatempo.

Vale lembrar que o El Niño é um fenômeno provocado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico próximo à linha do Equador, na altura da costa do Peru.

Apesar dessa elevação de temperatura ser comum nesta época do ano, pela maior incidência de raios solares na região, dada a posição da terra em relação ao Sol, o fenômeno – assim como seus efeitos – são intensificados pelas mudanças climáticas.

Altas temperaturas por todo o Brasil

O El Niño também ajuda a causar mais áreas de alta pressão atmosférica, que intensificam o calor. Por isso, é possível que haja novas ondas de calor extremo.

Segundo a Metsul, as altas temperaturas devem perdurar por todo o Brasil em outubro, mas principalmente no Centro-Oeste, onde o tempo fica mais seco. Já no Sul e no Sudeste, a incidência maior de chuvas deve ajudar a barrar a expansão do calor a um estado extremo; a tendência é de dias quentes e noites mais amenas.

No mapa de calor para outubro da Climatempo, é possível ver que a temperatura deve ficar acima da média em todo o país. Na área em vermelho, que abrange a maior parte do País e especialmente o seu centro, as temperaturas podem ficar de 2°C a 3°C acima da média normal. Já nas áreas em rosa, as temperaturas sobem menos: até 1°C acima das médias climatológicas normais.

Essa previsão significa que, em São Paulo, onde a temperatura máxima média para o mês de outubro costuma ser 24ºC e a mínima 16ºC, em 2023 deveremos ter termômetros marcando entre 18ºC e 26ºC, em média.

Estadão Conteúdo



Conta de luz continua com bandeira verde em outubro

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A bandeira tarifária para o mês de outubro continuará verde, o que significa que não haverá cobrança extra na conta de luz dos consumidores brasileiros. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a energia mais barata reflete a melhoria nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas.

As condições favoráveis de geração hidrelétrica, que possui um custo mais baixo do que outras fontes de energia, têm mantido a sinalização verde desde abril de 2022.

Com os dados apurados até o momento, a expectativa da Aneel é de que a tarifa não sofra nenhum acréscimo até o final do ano.

A bandeira verde é válida para todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional (SIN), malha de linhas de transmissão de energia elétrica que conecta as usinas aos consumidores.

Agência Brasil



Impulsionando sonhos: Senac conecta mulheres para empreender

Foto: Reprodução/Fecomércio

Clívia Fernandes é mãe de dois filhos e avó aos 36 anos. Desde a infância, sentia desejo de empreender. Um ímpeto que a despertara cedo. No entanto, outros pontos de sua vida se tornaram prioridade quando foi mãe aos 15. Com o nascimento do primeiro filho, se viu frente a necessidade de aproveitar qualquer oportunidade que pudesse lhe gerar alguma renda. Foi empregada doméstica por curtos períodos de tempo, tentou empreender com venda de alimentos e em seguida, começou a produzir bijuterias, artesanatos e crochês, revendeu cosméticos, mas os projetos se dispersaram pouco depois do início. Em 2023, no entanto, participou do “Senac Conectando Mulheres”, novo projeto de requalificação profissional, com foco no incentivo ao empreendedorismo feminino, o que mudou sua vida.

A iniciativa do Senac leva treinamentos para mulheres do interior do Rio Grande do Norte, uma das muitas ramificações do serviço de aprendizagem oferecido no Estado. E foi em uma das primeiras edições, no município de Senador Georgino Avelino, aproximadamente 57 km de Natal, que Clívia encontrou a oportunidade da sua vida que está ajudando a alçar vôos mais altos. “Eu sempre quis. Sempre tive dentro de mim que queria empreender, mas não tinha nenhum conhecimento. O curso foi uma virada de chave. Foi quando eu percebi que estava olhando para as pessoas erradas”, detalha. 

Em parceria com as prefeituras dos municípios, através das secretarias de Assistência Social, o programa é oferecido gratuitamente, atendendo pessoas de baixa renda. Com o curso “Empreendedorismo e Negócios de Oportunidades”, de 16 horas de duração, direcionado a capacitar sobre demandas, tendências e habilidades necessárias para o sucesso de microempresas lideradas por mulheres, as duas primeiras edições do programa devem se estender até novembro de 2023, abrangendo também o município de Boa Saúde.

A primeira turma, esta que contou com a participação de Clívia, foi finalizada nesta quarta-feira (27). Foram entregues 25 certificados a mulheres que buscam obter qualidade de vida, ao mesmo tempo que conciliam atividades domésticas, bem como outros empregos, pontua Dalliany Rocha, coordenadora do projeto e gestora do Senac. “Muitas delas trabalham e empreendem, e por isso precisam conciliar. Então, cada vez mais as mulheres estão buscando alternativas para poder mudar de vida, ter independência financeira para também se desenvolver. Acredito que esse histórico vai só evoluir, pois é um processo de evolução e está em construção”, disse. 

O projeto de conexão feminina foi aberto em consonância com uma demanda mundial que, por sua vez, não envolve apenas mulheres. O Global Entrepreneurship Monitor aponta que o número de novos negócios que nasceram como solução para a perda de renda durante a pandemia saltou de 37,5% para 50,4% – mesmo nível de 18 anos atrás. Isso significa que, com a perda de renda devido à falta de trabalho durante os anos pandêmicos, muitas pessoas decidiram abrir seus próprios negócios, entre elas, muitas mulheres.

Com a abertura de empresas ou microempresas vem também as dificuldades. Para Clívia, uma dessas dificuldades era a falta de incentivo. Por muito tempo, ela relata, viveu em uma realidade na qual sentia descrédito de pessoas próximas e diz que seus sonhos não recebiam incentivo de mais ninguém. “É muito difícil viver em uma realidade que ninguém acredita em você, onde falam para você deixar de ser sonhadora, que ninguém acredita em você e você mesma desacredita”, relata. No entanto, desistir não é uma alternativa e o Conectando Mulheres a fez enxergar novas possibilidades e colocar em prática projetos que estavam guardados. 

“Eu nunca acreditei que mesmo estudando conseguiria fazer algo, e aí chegou esse curso do Senac. A forma como ele foi abordado, o jeito que elas trabalharam, o olhar que elas trouxeram para o empreendedorismo fez com que eu visse a oportunidade de pegar os meus sonhos e tudo aquilo que eu estudei durante todo esse tempo e dizer que agora eu vou fazer acontecer”, complementa Fernandes. 

Hoje, Clívia Fernandes trabalha como designer estrategista e social media ajudando outros empreendedores a se posicionarem melhor nas redes sociais e aumentarem a venda de seus produtos. Sua meta é abrir uma agência futuramente. Disse que uniu sua experiência com vendas ao conhecimento que tem adquirido ao estudar design mesmo que tenha se privado de dar um passo à frente. “O meu maior desafio sempre fui eu. Eu fui o meu maior empecilho e agora eu não sou mais”, finaliza. 

Tribuna do Norte