A Secretaria Municipal de Saúde de Natal, por meio do Núcleo de Vigilância de Animais Peçonhentos, pertencente à Unidade de Vigilância de Zoonoses, alertou para os cuidados e locais de atendimento em caso de acidentes por animais peçonhentos, como escorpiões, serpentes, lagartas, abelhas e aranhas. De acordo com dados da pasta, foram cerca de 635 casos de acidente com esses animais entre janeiro e abril deste ano.
Segundo a SMS, desse total, 539 (85%) são registros de acidentes causados apenas por escorpiões. Os bairros com maiores registros de pessoas acidentadas foram Lagoa Azul (61), Felipe Camarão (60), Pajuçara (59) e Nossa Senhora da Apresentação (58).
Os escorpiões responsáveis por esses acidentes são da espécie Tityus stigmurus (Escorpião Amarelo do Nordeste). Essa espécie já está bem adaptada ao meio urbano e presente em toda a região metropolitana de Natal. O Escorpião Amarelo do Nordeste possui uma forte toxina que pode ser letal para crianças com idade inferior a 8 anos e idosos com mais de 80 anos ou que possuam alguma comorbidade. A dor intensa e persistente no local da picada é o principal e característico sintoma. Deve-se ficar atento para os sintomas de alarme como febre, dor abdominal aguda, náuseas, vômitos e agitação.
A SMS Natal orienta a população a procurar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município que são: UPA Potengi, UPA Pajuçara, UPA Sul (Cidade Satélite) e UPA Esperança.
Caso o paciente necessite de soro específico, em casos de acidentes moderados e graves, as UPAs devem encaminhar para os hospitais de referência no tratamento e administração do soro que são o Hospital Maria Alice Fernandes, para atendimento infantil, e o Hospital Giselda Trigueiro, para atendimento adulto.
O Núcleo de Vigilância de Animais Peçonhentos (NVAP) Natal realiza o serviço domiciliar de vigilância dos acidentes por animais peçonhentos e solicitações de serviço em locais de infestação. O núcleo também faz a coleta semanal dos animais peçonhentos deixados nas Unidades de Saúde do município. Os animais são identificados e registrados em banco de dados para fornecer informações ao monitoramento e tratamento dos acidentes.
O NVAP Natal fornece atendimento domiciliar de captura, coleta, orientação e manejo de animais peçonhentos de segunda a quinta, das 8h às 11h e das 12h às 16h. Os telefones para contato e agendamento são: 3232-8235 / 3232-8236.
Em caso de dúvidas sobre atendimento, tratamento, primeiros-socorros e orientações nos acidentes por animais peçonhentos, deve-se ligar para o Centro de Assistência Toxicológica – CEATOX/RN, plantão 24h, pelos telefones 0800-281-7005 ou Whatsapp 9 8803- 4140.
O que fazer ao ser picado por animal peçonhento
– Lavar o local da picada com água e sabão (para remover bactérias e sujeiras);
– Fazer compressa morna no local da picada para aliviar a dor (Acidente com Escorpiões);
– Encaminhar paciente a unidade de saúde;
– Manter o paciente calmo e confortável;
– Manter o membro afetado elevado em relação ao corpo;
– Se possível, tire foto ou leve o animal para futura identificação e registro.
O que não se deve fazer
– Não furar, cortar, espremer ou sugar o local da picada;
– Não ingerir bebidas alcoólicas;
– Não injetar ou derramar substâncias no local da picada;
– Não prender a circulação do membro afetado (torniquete).
Principais cuidados para prevenir acidentes
– Vedar ou fechar ralos dos banheiros e pias durante a noite (porta de entrada de baratas);
– Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas nas paredes e armadores;
– Examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;
– Usar calçados e luvas nas atividades de rurais e de jardinagem;
– Não acumular entulhos e materiais de construção, pois serve de abrigo para esses animais;
– Remover as frestas de pisos, soleiras, paredes e muros;
– Mantenha berços e camas afastados das paredes;
– Vedar as frestas das fossas e caixas de gordura ou passagem;
– Vedar brechas em caixas ou pontos de energia;
– Acondicione o lixo em sacos plásticos e recipientes fechados;
– Elimine baratas, aranhas, formigas e grilos que servem de alimento para o escorpião.
Em meio ao aumento de casos de dengue, Zika e chikungunya no Brasil, o Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (4) a campanha nacional de combate às três arboviroses.
Com a mensagem Brasil unido contra a dengue, Zika e chikungunya, a pasta alerta para sinais, sintomas, prevenção e controle das doenças, transmitidas por um mesmo vetor, o mosquito, em particular o Aedes aegypti, popularmente conhecido como pernilongo rajado em razão das listras brancas nas pernas.
A reintrodução do vírus da dengue no Brasil aconteceu em 1986. Já o chikungunya foi registrado pela primeira vez em 2014, enquanto o Zika foi identificado no país em 2015.
De acordo com a diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do ministério, Alda Cruz, o Brasil registra epidemias sucessivas de dengue com intervalos cada vez mais curtos entre os surtos, enquanto Zika e chikungunya também se mantêm com taxas endêmicas ao longo dos anos.
Fumacê Este ano, foram investidos mais de R$ 84 milhões na compra de insumos para o controle vetorial do Aedes aegypti. Popularmente conhecido como fumacê, um dos inseticidas usados no controle do mosquito na forma adulta, será distribuído ao longo das próximas semanas após atraso no fornecimento causado por problemas na aquisição pela gestão passada, segundo o ministério. A expectativa é que a pasta receba cerca de 275 mil litros do produto ainda neste mês, normalizando o envio aos estados e Distrito Federal.
Situação epidemiológica Dados do Ministério da Saúde indicam que, de janeiro a abril deste ano, houve aumento de 30% no número de casos prováveis de dengue em comparação com o mesmo período de 2022.
As ocorrências passaram de 690,8 mil no ano passado para 899,5 mil neste ano, além de 333 óbitos confirmados. Os estados com maior incidência são Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Acre e Rondônia.
Os registros de violência contra a mulher subiram 26% nos quatros primeiros meses de 2023. Os dados são da Polícia Civil e foram solicitados pela reportagem da Inter TV Cabugi nesta terça-feira (2).
Entre os crimes com maior aumento entre 2022 e 2023 estão injúria (92%), vias de fato (47%), descumprimento de medidas protetivas de urgência (40%) e difamação (32%).
No entanto, os crimes com maior número de casos registrados entre janeiro e abril são ameaça (1.596 em 2023) e lesão corporal (1.021).
O único tipo de ocorrência que registrou queda foi o de calúnia, com diminuição de 38% dos casos de 2022 para 2023.
Veja abaixo ranking com números comparativos de violência contra a mulher entre janeiro e abril e o quanto cada tipo de ocorrência aumentou neste período em 2023:
Em relação aos feminicídios, o número de casos confirmados entre janeiro e abril caiu 11% no comparativo entre 2022 e 2023. No ano passado, foram 9 casos registrados no primeiro quadrimestre, enquanto neste ano foram 8.
“A Delegacia Geral fez uma pesquisa em todas as delegacias do Rio Grande do Norte, porque não são só as delegacias especializadas da mulher que investigam crimes dessa natureza. Em regra, esses crimes representam entre 30% e 40% dos casos de violência nos municípios”, afirma Paoulla Maués, delegada de proteção a grupos em vulnerabilidade.
Crimes
Na segunda-feira (1º), a comerciante Jussara Kelly de Medeiros, de 43 anos, foi morta com um tiro na cabeça na Zona Norte de Natal. O marido dela foi preso em flagrante suspeito do crime de feminicídio.
Na região Oeste potiguar, a polícia investiga o caso de uma mulher que teve 95% do corpo queimado, na madrugada da última sexta-feira (28). Ela está internada em estado grave. O marido é o principal suspeito do crime e está foragido.
Alterações na Lei Maria da Penha
No último dia 20 de abril, entraram em vigor alterações na Lei Maria da Penha. A nova lei define que as medidas protetivas de urgência serão concedidas apenas com o depoimento da vítima, independentemente da tipificação do crime ou do registro de boletim de ocorrência ou inquérito policial.
“A última alteração foi importantíssima, porque aumentou o leque de proteção às mulheres vítimas de violência. Agora vem a lei e diz que toda e qualquer violência doméstica e familiar, a motivação é gênero. As mulheres ficam mais protegidas porque é caso de concessão de medida protetiva”, disse a delegada Paoulla Maués.
A Secretaria Municipal de Saúde de Acari acendeu o alerta no combate as arboviroses, doenças causadas pelo Aedes Aegypti. Dados do mais recente Lira, metodologia que aponta índice de contaminação com larvas do mosquito, mostram que a quantidade de amostras contaminadas está acima de índices considerados aceitáveis.
Em entrevista à Sidys TV e Internet, o secretário de saúde de Acari, Ewertton Medeiros, apontou que o município tem relatos de dificuldades da ação dos agentes de endemias, com o registro de alguns episódios de cidadãos que recebem os profissionais, mas retiram a pastilha que mitiga a ação das larvas logo após a saída dos agentes.
“Precisamos do apoio da população nesse sentido. A batalha é de todos nós para reduzir esses índices e diminuir os casos de dengue em nosso município”, afirma o chefe da pasta.
Criminosos fizeram arrastão a casas localizadas na zona rural de Caraúbas, região Oeste potiguar, na noite deste domingo (30), segundo a Polícia Militar.
Os crimes começaram por volta das 18h30, no assentamento 1º de maio. De acordo com a polícia, dois homens armados e encapuzados chegaram a uma casa, renderam os moradores e anunciaram um assalto. Eles levaram uma motocicleta e aparelhos celulares das vítimas.
Testemunhas contaram à polícia que os criminosos usavam uma arma calibre 12 e um revolver calibre 38.
Após realizarem o assalto no primeiro imóvel, a dupla saiu de moto realizando assaltos em outras casas, segundo a polícia, sempre roubando celulares.
A PM foi acionada e fez buscas na região, mas nenhum suspeito foi localizado. O material roubado também não foi recuperado, até a última atualização desta matéria.
Mais de 618 mil trabalhadores estão em situação de informalidade no Rio Grande do Norte. Esses são os números mais atuais de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, e mostram um crescimento no comparativo com os últimos anos.
Em 2021, a taxa era de 544 mil trabalhadores na informalidade. No ano passado, eram 610 mil.
A taxa de informalidade das pessoas de 14 anos ou mais ocupadas no Rio Grande do Norte é de 44%. Ou seja, quase metade dos adultos com algum tipo de ocupação no estado trabalha sem carteira assinada. O RN ocupa a 15ª posição no país quando o assunto é trabalho informal.
Cresce o número de trabalhadores informais no Rio Grande do Norte — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi
Segundo o IBGE, 38 milhões de brasileiros são considerados trabalhadores informais por não terem vínculos empregatícios nem trabalharem por conta própria como autônomos, pessoas jurídicas ou microempreendedores.
Glaydson Soares, presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RN), demonstra preocupação com a precarização do trabalho e a falta de direitos básicos. “Ele não tem, por exemplo, a oportunidade de ter um benefício previdenciário, um auxílio doença caso ele tenha um problema de saúde no desenvolver do seu trabalho”, lembra.
Esses trabalhadores podem contribuir para a previdência de forma autônoma, com alíquotas de 11% a 20%, mas as necessidades mais urgentes muitas vezes impedem que reste algum dinheiro para o futuro.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que, contando com períodos de desemprego e informalidade, o trabalhador brasileiro leva cerca de 25 anos para 15 anos de contribuição. Com o aumento da contribuição mínima, para homens, para 20 anos, associada à idade mínima de 65 anos, a concessão do benefício ficou ainda mais distante.
A única vereadora trans do nordeste, Thabatta Pimenta, foi convidada para ser uma das representantes do Brasil no Encontro de Lideranças Políticas LGBTI das Américas e do Caribe no México. A potiguar que foi a segunda mulher progressista mais votada do Rio Grande do Norte para Deputada Federal nas últimas eleições, estará no evento que acontece na Cidade do México entre os dias 20 e 22 de julho, juntamente com a comitiva brasileira.
“Venho com essa luta não só LGBT, mas anticapacitista, pelo direito das pessoas com deficiência.” destacou Thabatta também é ativista pelas direitos das comunidades PcDs, além de ser chamada de “irmãe” por seu irmão Ryan, que possui paralisia cerebral. Ansiosa, a parlamentar afirmou estar esperançosa com a sua participação no evento, “Isso só mostra que há um caminho para as comunidades LGBT, né?. Com esse recorte também dos pequenos municípios, mostrando essas realidades” revelou em entrevista ao Planeta Foda.
O evento internacional que reúne lideranças abertamente LGBTI, servidores públicos e pessoas aliadas, busca avanço em direção à igualdade através de um espaço de diálogo, capacitação e troca de experiências. Considerado um dos maiores eventos voltados à lideranças das comunidades, já reuniu mais de 1.350 líderes LGBTIQ+ de mais de 40 países de todo o hemisfério.
Segundo Thabatta, o convite para participar do evento se deu por seu expressivo número de votos nas últimas eleições, mesmo sendo uma mulher trans do interior do Rio Grande do Norte. “Tem um peso ser uma mulher trans e travesti que foi votada em todos os municípios do Estado, sem conseguir chegar em todos eles” afirmou a vereadora. Entre os objetivos do evento está identificar os avanços e as melhores práticas nos processos de participação cidadã e política de pessoas das comunidades, destacar o papel de líderes LGBTI na construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária para todos, reforçar o trabalho com pessoas aliadas em instituições, na sociedade civil e no mundo empresarial, além de construir ideias para promover o diálogo com as instituições de Estado.
A Caixa Econômica Federal liberou o calendário do Bolsa Família referente ao mês de maio. Como de costume, as parcelas, no valor médio de R$ 670, serão distribuídas nos 10 últimos dias úteis do mês, começando pelos beneficiários com o dígito final do Número de Identificação Social (NIS) 1. O primeiro pagamento será feito no dia 18.
Além da parcela tradicional, as famílias irão receber o acréscimo de R$ 150 por crianças de até seis anos. Já a partir de junho, o programa incluirá mais R$ 50 para cada integrante da família com idade entre sete e 18 anos incompletos e para gestantes. A projeção, portanto, é que o benefício médio passe para R$ 714 ainda no primeiro semestre.
O Bolsa Família é destinado a famílias com renda per capita de até R$ 218, consideradas na linha da pobreza, inscritas no CadÚnico. Segundo o governo federal, o período de validade do benefício é de 24 meses, sem que haja o cancelamento dos pagamentos, caso a família alcance renda superior ao definido.
“O futuro da segurança nas escolas do RN: debate da humanização da Educação”. Esse foi o tema abordado pela audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira (27), na Assembleia Legislativa. Proposto pelo deputado Ubaldo Fernandes (PSDB), o encontro contou com a participação de representantes das secretarias de Educação do Estado e de Natal; da Segurança Pública; da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional RN; além de entidades de ensino, sindicatos e grêmios estudantis.
Iniciando os discursos. o deputado Ubaldo Fernandes destacou que o debate acontece num momento de angústia, incerteza e medo, diante de ataques em escolas de todo o Brasil.
“A segurança nas escolas engloba diversos fatores, que – isolados ou não – vêm tornando a nossa sociedade muito adoecida e, consequentemente, os ambientes estudantis insalubres. O tema sobre o qual nos debruçamos hoje é bastante complexo, porque abrange fatores socioeconômicos, psicológicos, afetivos, relações familiares, violência (física e psicológica), além do acesso indiscriminado desses jovens a certas redes sociais que estimulam atitudes negativas”, frisou.
Segundo o parlamentar, são necessárias políticas públicas educativas e de conscientização.
“Precisamos de projetos que incluam a comunidade escolar em ações sobre bullying, inclusão, respeito à diversidade, enfim, numa cultura de paz. Além disso, é necessário entender que a família também é uma instituição e que ela deve caminhar junto à escola”, acrescentou.
De acordo com Ubaldo, o governo federal anunciou recentemente, de forma emergencial, o investimento de R$ 3,1 bilhões, sendo mais de R$ 3 milhões para o RN.
“Esse montante deve ser revertido em projetos de incentivo à infraestrutura, à paz nas escolas e para iniciativas de desenvolvimento psicológico”, explicou.
Em seguida, o deputado convocou todos a refletir se seria positivo dotar as escolas de agentes e equipamentos de segurança; ou como evitar a transformação do ambiente escolar num local “militarizado”.
“Será que é preciso um treinamento especial, como existe nos Estados Unidos? Infelizmente, lá os ataques em escolas seguem em alta, apesar de um investimento contínuo e bilionário nas instituições de ensino, tanto dos estados quanto do governo federal”, alertou.
Citando dados estatísticos e pesquisas realizadas no país norte-americano, o parlamentar disse que, dentre as soluções apontadas nos EUA, estão o fortalecimento dos canais de denúncia, a formação de equipes de avaliação de ameaças e o cuidado com a saúde mental de todos os envolvidos no ambiente escolar, começando pelo aumento do número de profissionais de Psicologia.
“Enfim, estamos aqui hoje para colocar um farol sobre essas e outras ideias que venham a surgir neste debate e apontar caminhos para pactuar políticas de proteção nas escolas do Rio Grande do Norte. Precisamos ressignificar esse ambiente tão importante para as nossas crianças e adolescentes, pois é o primeiro lugar onde eles ingressam, então precisa ser um local de leveza, alegria, brincadeiras, construção, aprendizagens e de boas memórias afetivas, que as acompanharão por toda a vida”, finalizou.
Na sequência, a deputada Eudiane Macedo (PV), que subscreveu a audiência pública, iniciou seu discurso falando que o objetivo do encontro é unir forças de todos os setores do Estado, a fim de desenvolver políticas públicas para transformar as escolas num lugar de paz.
“E por que envolver todas as áreas? Porque a gente não vai conseguir conscientizar os nossos jovens sem uma ação integrada e, principalmente, sem que a família assuma o seu papel, porque ela é a base, é onde tudo começa”, enfatizou.
Para Eudiane, as políticas de Segurança devem passar pelos professores e gestores das instituições de ensino, “afinal, são eles que conhecem a realidade dos alunos”.
Em seguida, ela destacou um projeto de lei apresentado pelo seu mandato, em 2019, que tinha a finalidade de incluir nas escolas profissionais da Psicologia e da Assistência Social.
“Mas o projeto não conseguiu passar nas comissões, porque gerava despesa para o município. Atualmente, existe uma lei federal tratando do tema, e o nosso mandato colocou o indicativo ao Governo do Estado, para que implantasse esse projeto”, contou.
Ainda segundo a deputada, “antigamente, nós éramos apelidados na escola e não levávamos adiante. Mas hoje se sofre calado com o bullying e o cyberbullying. E isso pode gerar consequências muito sérias, como estamos vendo. Por isso deve haver essa equipe interdisciplinar nas escolas. Equipá-las com seguranças armados não vai funcionar. O Estado deve gerir os recursos de maneira prática e eficaz. Portanto, ficam como sugestões o fortalecimento da ronda escolar e do Proerd, além da necessidade de ampliação do debate, envolvendo todos: família, instituição de ensino e Estado”, concluiu.
Dando continuidade aos pronunciamentos, o secretário adjunto de Educação de Natal, Aldo Fernandes, lembrou que o assunto vem sendo debatido há muitos anos no País e, após a pandemia, a problemática se alastrou, surgindo a necessidade de se amplificar as discussões.
“Essa temática é dever da família, da sociedade e do Estado. E nós não podemos apenas transferir esse dever, mas recebê-lo, enquanto cidadãos, independente do cargo que ocupemos, assumindo a incumbência de sempre olhar de frente essas dificuldades trazidas pela nossa sociedade”, opinou.
De acordo com o secretário adjunto, as Rondas de Proteção Escolar (Rope) têm dois grandes objetivos.
“Primeiro, realizar um tratamento preventivo, conversando com gestores, pais, terceirizados e estudantes, para que possamos amadurecer ideias, como o estímulo ao esporte e à literatura, bem como o aprofundamento da educação. O segundo ponto são as atividades corretivas, e isso nós estamos fazendo a contento em Natal, aumentando o efetivo e dando toda assistência possível”, detalhou.
Além disso, Aldo Fernandes afirmou que é preciso fazer mais investimentos na área. “E eu não chamo de despesa, pois todo e qualquer incremento na Educação é investimento. Dentro disso, abrimos vários processos, dentre os quais, o de videomonitoramento, com um trabalho integrado com as polícias”, disse, levantando a ideia de que seja criado um Grupo de Trabalho para amadurecer ideias, “não só no trato da correção, mas também da prevenção”.
O coordenador do Núcleo Estadual de Educação para a Paz e Direitos Humanos, João Maria Mendonça, disse que é de fundamental importância refletir sobre as causas que proporcionam essa violação de direitos e a cultura de violência que temos na sociedade.
“Este é um fenômeno complexo que exige soluções complexas. A violência é construída em rede, com fatores econômicos, sociais, ideológicos etc. E ela se reflete na intolerância, xenofobia, misoginia, violência contra crianças e idosos. O antídoto para isso é a cultura da paz. O melhor e único caminho é a prevenção, e ela começa na família, com os pais, continua na escola e termina na comunidade como um todo”, afirmou.
Sobre as ações da sua entidade, o coordenador explicou que as 16 diretorias regionais de Educação estão criando seus próprios núcleos para a paz e direitos humanos nas escolas, tendo Parnamirim como referencial.
“Além disso, temos feito um trabalho de capacitação dos gestores e educadores; estamos firmando parcerias com batalhões de proteção e institutos de outros estados; e, no próximo dia 2, estaremos firmando parceria com o Ministério Público”, explicou, acrescentando que recentemente foi instituído o Comitê Estadual Intersetorial, com a presença da Assembleia Legislativa, sindicatos, secretarias e Tribunal de Justiça, para formatar um conjunto de ações a curto, médio e longo prazo, além da política estadual relacionada à cultura de paz”.
Já o presidente da Comissão de Fiscalização do Exercício Profissional da OAB/RN, Kennedy Diógenes, falou que a paz se constrói nas pequenas ações, diariamente.
“Quer um futuro de paz? Transforme o próximo segundo de paz. E como isso pode ser feito? No dia a dia, cuidando do presente. Nós precisamos ter uma atitude muito forte na direção do que queremos para a nossa sociedade. Eu falo como pai e avô de crianças que começam agora sua jornada escolar. E eu confesso que estou com o coração aflito, sem saber o que acontecerá no futuro”, desabafou.
Kennedy Diógenes disse ainda que está tramitando na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia Legislativa um projeto de lei que prevê a inclusão da OAB nas escolas, através de seus advogados, para agirem como difusores de conhecimento na área de violência contra mulheres, idosos, crianças e adolescentes, principalmente como mediadores.
“Portanto, nós estamos aqui para contribuir com as atitudes do Poder Executivo. Violência nas escolas não se combate com mais violência, e sim, com inteligência. A OAB é contra qualquer autoridade dentro da sala de aula que não seja o professor; qualquer arma que não seja o livro; e qualquer pensamento que não seja o da construção de uma sociedade justa, solidaria e fraterna”, finalizou.
Presidente do Sindicato das Escolas Particulares do RN, Alexandre Marinho, frisou que o tema é de violência “nas” escolas, e não provocada pelas escolas.
“Eu estou participando de um grupo de gestão no Estado, e nós já tivemos várias reuniões. Isso significa que está havendo um somatório de pessoas e autoridades com um único objetivo: trazer a paz nas escolas. Porque, hoje em dia, esse ainda é o único lugar de paz que a sociedade tem. E no dia que isso acabar, não existirá mais sociedade”, garantiu.
De acordo com o presidente do sindicato, os pais precisam cumprir o seu papel dentro da sociedade, prestando atenção às necessidades e aos conteúdos acessados pelos seus filhos.
“Onde estão os pais nessa história? Antigamente, a escola era a segunda casa, e os pais eram a primeira. Hoje a escola é a primeira e a segunda. Os pais precisam arranjar tempo para saber o que seus filhos estão fazendo, quais filmes estão assistindo, o que estão acessando na internet etc. Eu digo isso porque sou pai e avô. É necessário dar limites aos nossos filhos, porque quando eles chegam na escola, ali também há limites. E, atualmente, a gente sente que os pais estão mais inseguros que os próprios filhos”, enfatizou.
A representante da Segurança Pública, Tenente-coronel PM Soraia, fez uma explanação acerca das atividades do Batalhão de Policiamento Escolar e Prevenção ao Uso de Drogas e à Violência.
“Nós trabalhamos com as viaturas do policiamento escolar fora da escola, com os policiais do Proerd dentro das salas de aula e com a Patrulha Maria da Penha, que está presente na visita às mulheres vítimas de violência e ainda fazendo palestras sobre a violência dentro dos lares, que é refletida na escola”, explicou.
Segundo a Tenente-coronel, há seis viaturas operacionais em Natal voltadas ao policiamento escolar.
“Nós implementamos o policiamento a pé, geralmente com três a quatro policiais, de forma extraordinária. Temos também a banda ‘Geração Proerd’, que vai a uma escola diferente cada sexta-feira, levando palestras e ministrando o currículo regular. Então, nós estamos fazendo o que podemos com o que temos, a fim de minimizar os danos. É claro que atuamos na prevenção, mas o policiamento escolar quando vai é porque já existe um problema, infelizmente. Nós não iremos substituir a família nem a escola, mas estamos sempre disponíveis para contribuir com a formação dessas crianças e jovens”, concluiu.
Por fim, discursando em nome das entidades estudantis, Luana da Silva destacou a importância do diálogo, dentro e fora das escolas, na contribuição para a cultura da paz.
“Estamos passando por uma situação muito delicada nas nossas escolas. Alguns estudantes já presenciaram ameaças dentro das suas instituições, e nós, enquanto entidades estudantis, recebemos muitas mensagens dos estudantes, que estão sem saber o que fazer”, iniciou.
Na sequência, Luana falou da importância do Grupo de Trabalho em prol da paz nas escolas, criado pelo governo estadual.
“Essa iniciativa é muito importante, nós já tivemos várias reuniões e estamos avançando, mas eu quero frisar que só iremos combater esse mal com educação e diálogo dentro do ambiente escolar. Não é com policiamento armado que vamos conseguir solucionar o problema, e sim, com métodos reforçados, intervenções culturais, presença do Proerd e atuação de psicólogos dentro das escolas”, disse.
Ainda segundo a estudante, hoje muito alunos estão passando por problemas psicológicos e não conseguem se expressar por não serem ouvidos dentro de casa.
“Então o diálogo dentro da escola, seja com um professor, através do grêmio estudantil ou com a gestão escolar, é muito importante”, finalizou.
Ao final da audiência, o deputado Ubaldo destacou a apresentação de projetos de lei protocolados no Legislativo Estadual com o intuito de combater a violência dentro das escolas.
“Desde a semana passada para cá, foram apresentados diversos projetos de lei sobre essa temática, como a questão do videomonitoramento, da porta giratória e da vigilância armada. Mas foi consenso na discussão de hoje que só isso não resolve. Essas iniciativas são preventivas e momentâneas. A solução é muito maior e envolve toda a sociedade, os três Poderes, a família e a escola. Então, nós vamos produzir um documento com as diversas propostas que surgiram e vamos enviar para as instituições aqui presentes e para o Governo do Estado. Agora é partir para a execução, inclusive cobrando a aplicação dos recursos federais que estão sendo enviados para o Rio Grande do Norte”, disse o parlamentar.
Como encaminhamentos, o parlamentar elencou uma série de medidas de combate à violência no ambiente escolar do Estado.
“O fortalecimento da ronda escolar por meio de projeto de integração entre os atores da Segurança Pública e a comunidade escolar e a família; melhor estruturação do Proerd na temática da violência e uso de drogas; ampliação do debate sobre prevenção da violência na comunidade escolar, com família, instituição e Estado; estímulo à prática de esporte e da literatura; ronda de proteção escolar municipal; discussão em torno da necessidade ou não de implementação de tecnologias de segurança rígidas no ambiente escolar; instituição de Grupo de Trabalho nas Casas Legislativas, como objetivo de aprimoramento, criação e correção de ideias focadas no desenvolvimento do ensino; discussões conjuntas entre as secretarias de Educação e de Segurança; compreender que o melhor caminho de combate é a política preventiva, tendo a família como estrutura basilar de formação cidadã, primando sempre pela importância da cultura da paz na comunidade escolar; inserir no PPP (Projeto político-pedagógico) das escolas programas que tragam os pilares da cultura de paz, não violência e solidariedade, empatia e preservação do meio ambiente; criação de projetos de mediação de conflitos no ambiente escolar; participação dos grêmios estudantis nos projetos educativos; monitoramento pela família das redes sociais dos filhos”, finalizou o deputado.
A governadora Fátima Bezerra, assinará nesta terça-feira (02), às 10h30, no Auditório da Governadoria – Centro Administrativo do Estado, o projeto “Justiça Restaurativa no RN: Trilhando a paz nas escolas estaduais”. A ideia visa implantar da prática restaurativa e de resolução de conflitos internos nas escolas do Rio Grande do Norte.
Desenvolvido pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, o projeto permitirá a formação de 30 servidores da Secretaria Estadual de Educação como facilitadores e multiplicadores de Justiça Restaurativa e Processos Circulares de Paz para as 107 instituições públicas estaduais de ensino situadas em Natal.