Uma bebê de um ano e três meses morreu após ser atropelada por um trator dirigido pelo pai, na zona rural da cidade de Araçagi (PB). O caso aconteceu nessa sexta-feira (8/4), no Assentamento Santa Lúcia. No entanto, só foi divulgado um dia depois, no sábado (9/4).
De acordo com a Polícia Civil, a mãe colocou a menina no chão para pegar um dinheiro dentro da residência. Por conta do tamanho do veículo, o homem não viu que a criança estava atrás e atropelou a filha.
Ainda segundo a polícia, o Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) foi acionado, mas a menina não havia resistido aos ferimentos e morreu no local.
Um estudo publicado na quarta-feira (30/03) na revista médica americana The New England Journal of Medicine aponta que o medicamento antiparasitário ivermectina, cujo uso foi incentivado pelo presidente Jair Bolsonaro para tratar a covid-19, não reduz o risco de hospitalização pela doença.
Para chegar à conclusão, o estudo acompanhou 1.358 pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil. Metade do grupo recebeu ivermectina, e a outra, placebo, ou seja, um comprimido sem o princípio ativo. “Em algum momento, será um desperdício de recursos continuar estudando uma abordagem pouco promissora.
Não há realmente nenhum sinal de benefício”, apontou David Boulware, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Os cientistas já tinham revelado parte dos resultados do estudo em agosto do ano passado, em um evento virtual do National Institutes of Health dos EUA. “Agora que as pessoas podem inteirar-se dos detalhes e dos dados, esperamos que isso desvie a maioria dos médicos da ivermectina para outras terapias”, sublinhou Boulware.
No Brasil, os pesquisadores montaram um ensaio clínico conhecido como Together, em junho de 2020, para testar em pacientes com covid-19 uma série de medicamentos amplamente utilizados para outras doenças, incluindo a ivermectina. Da amostra inicial de 10.467 pacientes ambulatoriais, cerca de 3,5 mil foram selecionados para o estudo. Dentre eles, 1.358 foram designados para o estudo da ivermectina, e 2.157 pacientes foram direcionados, de forma aleatória, para outros tratamentos.
A ivermectina foi administrada em 679 pacientes entre março e agosto de 2021. Cada um recebeu o medicamento ao longo de três dias. O restante do grupo recebeu placebo. Os pacientes estavam em estágios distintos da doença, mas o medicamento não foi eficaz nem mesmo entre os recém-diagnosticados. Os voluntários que tomaram ivermectina nos primeiros três dias após um teste positivo de coronavírus tiveram quadros piores do que os do grupo placebo.
Os resultados foram claros: tomar ivermectina não reduziu o risco de um paciente com covid-19 ser hospitalizado. De onde vem a fama da ivermectina contra a covid-19 A ivermectina é utilizada há décadas contra infecções parasitárias.
No início da pandemia, quando pesquisadores começaram a testar vários medicamentos antigos como possíveis tratamentos para a covid-19, experimentos em laboratórios sugeriram que a ivermectina poderia bloquear o coronavírus. Alguns médicos começaram a prescrever o vermífugo para o tratamento da covid-19, apesar dos alertas contrários de entidades responsáveis pela aprovação.
Em dezembro de 2020, Andrew Hill, virologista da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, estudou 23 ensaios clínicos com o medicamento e concluiu que ele parecia reduzir significativamente o risco de morte por covid-19. Depois disso, durante o segundo ano da pandemia, a ivermectina ganhou popularidade, apesar dos alertas de entidades de saúde. Em março do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que a ivermectina não fosse utilizada no tratamento de pacientes com covid-19, independentemente do nível de gravidade ou da duração dos sintomas.
Um mês antes, afarmacêutica americana Merck, empresa que desenvolveu a ivermectina nos anos 1980 e até hoje é a principal fabricante, havia afirmado que não existem evidências sobre a eficácia do medicamento contra a covid-19. Mesmo assim, nos Estados Unidos, numa única semana de agosto, as companhias de seguro gastaram mais de 2,4 milhões de dólares em tratamentos com o medicamento.
Mais tarde veio à tona que a pesquisa de Andrew Hill, continha estudos com falhas e até mesmo um acusado de ser fraudulento. Meses depois, o pesquisador publicou uma revisão do trabalho, focada em estudos menos propensos a serem tendenciosos, na qual o benefício do medicamento tinha desaparecido. Em abril do ano passado, a Justiça Federal em São Paulo proibiu que o governo de Jair Bolsonaro fizesse campanhas, em qualquer meio de comunicação, para promover o chamado “tratamento precoce” contra a covid-19, com medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, entre eles a ivermectina.
IBGE também divulgou levantamento e aponta uma safra recorde de 258,9 milhões de toneladas. Foto: Wenderson Araújo
A produção de grãos no Brasil na safra 2021/2022 poderá atingir 269,13 milhões de toneladas, o que representa 5,4%, ou 13,8 milhões de toneladas, a mais em comparação com a safra anterior 2020/21 (255,51 milhões de t). Os números fazem parte do sétimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado na quinta-feira (7).
No entanto, em comparação com o primeiro levantamento da estatal para a atual safra 2021/22, quando a previsão era de 288,6 milhões de toneladas, o volume representa uma redução de 6,7%, ou 19,3 milhões de toneladas. A queda pode ser atribuída em grande parte às “condições climáticas adversas observadas nos Estados da Região Sul e no centro-sul de Mato Grosso do Sul, com perdas maiores na soja e no milho”.
De acordo com o levantamento, a área plantada total no País está estimada em 72,9 milhões de hectares, ou seja, crescimento de 4,4% ante a safra 2020/21. Os maiores incrementos de área são observados na soja, com 4,1%, ou 1,6 milhão de hectares e, no milho, com 6,5% ou 1,3 milhão de hectares.
Em comunicado, o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, disse que “o resultado até o fim desta safra vai depender muito do comportamento climático, fator preponderante para o desenvolvimento das culturas”. “Entre os meses de março e abril, aproxima-se a conclusão da semeadura da segunda safra brasileira, na qual se destaca a cultura do milho. As chuvas foram mais regulares em toda a região produtora, inclusive no Sul do País, o que permitiu o plantio em boas condições de umidade. O produtor fez sua parte. Agora vamos esperar pelo clima”, acrescentou.
Grupo de alimentação e bebidas, que responde por 32,43% dos gastos do orçamento familiar, teve alta de 1,22% ao longo de março. Foto: Adriano Abreu
Em Natal, considerando apenas as despesas com produtos essenciais, o custo com a alimentação por pessoa atingiu o valor de R$ 503,24 em março, uma variação de 0,88% em relação ao mês anterior. Neste ano, o preço da cesta básica já variou em 2,48%, enquanto que nos últimos 12 meses o índice chega a 9,39%. Para uma família constituída por quatro pessoas, esse valor alcançou R$ 2.012,96. Se a essa quantia fossem adicionados os gastos com vestuário, despesas pessoais, transportes etc., o dispêndio total seria de R$ 6.207,21. Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Natal, calculado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema).
O grupo Alimentação e Bebidas, que responde por 32,43% dos gastos do orçamento familiar, apresentou uma variação positiva de 1,22% em relação ao mês anterior. Os itens que mais contribuíram para esse aumento de preços foram: tubérculos, raízes e legumes (5,36%); frutas (3,08%); alimentação fora do domicílio (2,30%); sal e condimentos (2,12%); hortaliças e verduras (1,35%); e cereais, leguminosas e oleaginosas (1,11%).
Já o grupo Transporte apresentou uma variação positiva de 2,07%. Os itens que mais contribuíram para esse aumento de preços foram: combustíveis de veículos (5,66%), transportes públicos (1,73%) e veículo próprio (0,62%). O setor de Habitação apresentou neste período uma variação positiva de 0,73% em função do aumento de preço na recreação (1,34%).
Familiares do município formalizaram os contratos de financiamento viabilizados através do CredMais. Foto: Ascom/Sedraf-RN e Wigna Ribeiro/Mandato Isolda Dantas
A suinocultura é uma das atividades exercidas por José Antônio Gomes, que reside e trabalha no sítio Capim Açu, em Santo Antônio do Salto da Onça, região Agreste do Rio Grande do Norte. Nesta quarta-feira (06), ele e mais 21 agricultores(as) familiares do município formalizaram os contratos de financiamento viabilizados através do CredMais, linha específica para a agricultura familiar criada pelo Governo do RN pela Agência de Fomento (AGN), com apoio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf). “Eu tenho fé de que vai dar tudo certo e vou alcançar meu objetivo, que é aumentar a renda da família”, afirmou esperançoso o agricultor que também planta milho, feijão, macaxeira e mandioca.
Ele é um exemplo das transformações causadas pelo CredMais no campo, com a liberação de até R$ 10 mil, com taxa de juro zero para quem paga em dia. Foram liberados na ocasião R$ 204,087 mil, que vai beneficiar atividades de bovinocultura, suinocultura, avicultura, caprinocultura, ovinocultura e culturas regionais. Entre as pessoas contempladas, cinco são mulheres. O secretário Alexandre Lima (Sedraf) destacou o compromisso da gestão da professora Fátima Bezerra com a agricultura familiar no município e na região do Agreste. “Fico muito feliz em saber que a AGN já investiu mais de R$ 1 milhão aqui no microcrédito urbano, e agora chega com o CredMais. Essa política que não existia demonstra mais um compromisso do governo em fortalecer a agricultura familiar no estado”, declarou.
Articulado no município com parceria do Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais na Agricultura Familiar (Sintraf), o CredMais chega para somar às diversas ações executadas na Sedraf no município, como destacou o vice-prefeito Dário Fortunato, que também é sócio e ativista no sindicato. “Reconhecemos os benefícios viabilizados pelo Governo do Estado para Santo Antônio, como foi o caso do poço perfurado recentemente e também a ensiladeira, que com certeza vai beneficiar bastante os nossos agricultores”, destacou.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira, 5, que o PSB vai apresentar o ex-governador Geraldo Alckmin como vice para a sua chapa das eleições de 2022 durante uma reunião nesta sexta-feira, 8, em São Paulo. O nome, em seguida, será discutido com o PT, segundo o ex-presidente.
“Eu acho que eu e o Alckmin podemos estar juntos na chapa. Vou ter uma reunião na sexta-feira que o PSB vai propor o Alckmin de vice e vamos levar isso para discutir no PT”, afirmou Lula em entrevista à Rádio Lagoa Dourada, do Paraná. “Você pode ficar certo que, se nós estivermos juntos, nós vamos reconstruir o Brasil porque nós somos dois democratas, gostamos da democracia, exercemos a democracia e temos como prova o exercício dos nossos mandatos.” Após 33 anos no PSDB, Alckmin se filiou ao PSB no dia 23 de março passado e usou a defesa da democracia como argumento para justificar a aliança com o ex-presidente. “Alguns podem estranhar. Eu disputei com o presidente Lula uma eleição em 2006 fomos para o segundo turno, mas nunca colocamos em risco a questão democrática. O debate era de outro nível, nunca se questionou a democracia”, afirmou o ex-governador na ocasião.
O primeiro sinal público da aliança Lula-Alckmin ocorreu em 19 de dezembro de 2021, quando ambos estiveram em um jantar organizado pelo grupo de advogados Prerrogativas, em São Paulo, e posaram juntos para foto.
Em Natal, a Prefeitura obteve o Certificado de Regularidade Previdenciária através da Justiça. Ele é válido até 1º de julho. Foto: Arquivo/ TN
No Rio Grande do Norte, 23 dos 40 municípios (+ o Governo do Estado), que têm regime de previdência próprio, ainda não comprovaram a aprovação de leis sobre a criação de um sistema de Previdência Complementar, segundo dados do Ministério da Economia e Previdência. O número representa 56% de todos os entes do estado atingidos pela norma. Sem esse sistema, essas cidades podem ficar impedidas de receber transferências voluntárias da União, celebrar acordos e convênios com órgãos do governo federal e ainda obter empréstimos com instituições financeiras. Entre as prefeituras afetadas, inclui-se a das duas maiores cidades do estado: Natal e Mossoró. O prazo para comprovação da referida lei extinguiu-se no último dia 31 de março.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, a organização de previdência complementar será analisada na hora de emitir o CRP (Certificado de Regularidade Previdenciária). Sem esse documento, válido por 180 dias, o estado ou município perde o direito a transferências voluntárias da União, usadas principalmente em convênios, contratos de repasse e termos de parceria.
Apesar de deixar Estados e Municípios fora do texto final da reforma nacional da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019), o Congresso Nacional estabeleceu uma série de normas a serem aprovadas nos Legislativos locais. A criação do sistema paralelo de previdência foi uma dessas medidas aprovadas em caráter obrigatório. Ela servirá para todos os trabalhadores que ingressarem no serviço público e optarem por receber aposentadorias ou benefícios acima do teto (R$ 7.087,22). Conseqüentemente contribuirão com uma alíquota maior.
Por conta dos pedidos de exoneração de auxiliares que pretendem se candidatar nas eleições de outubro deste ano, a governadora Fátima Bezerra (PT) alterou quadros do primeiro escalão do secretariado estadual. As alterações não trazem nenhuma surpresa, como a efetivação do adjunto de Desenvolvimento Econômico, Silvio Torquato Fernandes, substituto de Jaime Calado dos Santos, que preside a Executiva Estadual do PROS e deve ser candidato a deputado federal.
Entre as mudanças está a do ex-secretário estadual de Metas de Governo e Gestão de Projetos, Fernando Mineiro, que disputará vaga à Câmara dos Deputados. O posto dele passa a ser gerenciado pelo secretário estadual de Infraestrutura, Gustavo Rosado Coelho.
Já a pasta de Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, tem como nova titular Maria Luiza Tonelli, que era adjunta da Secretaria Estadual do Trabalho, Habitação e Ação Social (Sethas), depois da exoneração da titular Júlia Arruda Câmara, que disputará uma cadeira à Assembleia Legislativa pelo PC do B.
Também deixou o governo para disputar as eleições de deputado estadual pelo PT o ex-controlador-geral do Estado, Pedro Lopes Neto, que foi substituído por Carlos José Cerveira, que exercia cargo de auditor geral na Control.
Já na Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (Fapern) o substituto de Gilton Sampaio de Souza será Lílian Rodrigues. Ainda foi exonerada Samanda Alves, do Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda, que disputará mandato federal pelo PT.
A ex-deputada estadual Márcia Maia também deixou a presidência da Agência de Fomento do Rio Grande do Norte (AGN ) para disputar uma cadeira de deputada federal pelo Republicanos, que já foi ocupada por sua mãe, a falecida ex-governadora Wilma de Faria, como deputada-constituinte entre 1987 e 1988, quando se elegeu prefeita de Natal pela primeira vez.
Os gastos com gás de cozinha vendido em botijões de 13 kg comprometem 22% do orçamento doméstico destinado a serviços públicos das famílias mais pobres do Brasil, o que inclui energia elétrica, água, esgoto, telefone e impostos. Para os mais ricos, a parcela é de 13%.
É o que diz o estudo realizado pela consultoria Kantar em 4.915 domicílios, em 2021, quando ainda não era possível sentir os efeitos do mega-aumento promovido pela Petrobras nos combustíveis. Segundo o levantamento, a elevação do preço do gás é especialmente crítica entre as classes mais baixas.
O estudo da Kantar mostra ainda que, entre 2020 e 2021, a parcela do orçamento gasta com gás de cozinha aumentou 25% para as famílias de classes D e E. Nas classes A e B, o mesmo gasto teve alta de 16%. Para os mais pobres, o custeio do gás é o segundo maior gasto em serviços, empatado com água e esgotos e atrás apenas da energia elétrica, que, em 2021, correspondeu a 51% do orçamento de serviços nessas classes.
O estudo também mostra que, quando se consideram todas as classes sociais, o gás ocupa o terceiro lugar no orçamento dos serviços básicos das famílias, perdendo para água e luz. No entanto, entre 2020 e 2021, todas as classes viram crescer a parcela de custeio com o insumo.
Embora o aumento seja generalizado, os impactos do preço são sentidos de forma diferente entre as famílias, principalmente nas periferias, onde estão os lares de menor renda. Com dificuldade para comprar alimentos, usar gás de botijão no cozimento torna-se, muitas vezes, inviável.
Esse é o caso da cuidadora de idosos Fernanda Pinheiro, 34 anos, que hoje cozinha para sua família com alimentos que recebe de doações, queimando madeiras que encontra na rua em um fogão a lenha improvisado. Moradora do bairro Parque Santo Antônio, na zona sul de São Paulo, ela conta que, há mais ou menos um ano e meio, a maioria de suas vizinhas também não consegue comprar gás.
Antes disso, Fernanda nunca havia precisado usar lenha para cozinhar – no máximo, para esquentar a água do banho na sua infância, prática que a família depois para trás após perderem parte da casa em um incêndio causado por falhas na rede elétrica.
Desde 2021, porém, a prática voltou. Às vezes, ela utiliza uma panela elétrica que recebeu como doação, mas nem sempre isso é possível. “Eu vou preparar a comida no fogão a lenha, porque o dinheiro do gás vai sobrar para comprar alguma outra coisa, um pacote de fralda ou de absorvente”, diz.
PROFESSOR ORGANIZA VAQUINHA O professor de geografia da rede municipal paulista Alessandro Rubens organiza desde 2020 o Periferia e Solidariedade, projeto de doação de mantimentos para famílias de baixa renda. Ele conta que, nesse período, viu aumentar os relatos de incêndios em comunidades e ocupações urbanas.
“Na favela, o fogão a lenha implica aumentar riscos”, afirma o professor. “Geralmente, eles [os moradores] colocam blocos de cimento e muitos estouram, e o risco de acidentes é muito grande.” No ano passado, o grupo mobilizou fundos para comprar remédios para uma pessoa que se queimou em um acidente desse tipo.
O projeto doa cestas básicas, refeições e produtos de higiene de forma rotineira, e Rubens conta como a demanda por gás é enorme e impossível de ser atendida. Por isso, as vaquinhas para doações de botijões de gás são direcionadas a mães com mais de um filho. “Dentro de casa, com mais de uma criança, é muito perigoso cozinhar [de forma improvisada]”, justifica.
MÃE FAZ REVEZAMENTO PARA ECONOMIZAR A auxiliar de produção Samantha Silva, 33, reveza o preparo dos alimentos entre um fogão elétrico e um a lenha, que é comunitário e improvisado, construído por um vizinho. Às vezes, cozinha também na churrasqueira que há no quintal de sua mãe, também feita pela família.
Ela diz que, com o revezamento, consegue economizar o gás ao máximo para alimentar as duas filhas de 10 e 15 anos. Samantha também usa um fogão elétrico quando consegue e conta que é difícil adaptar o tempo de preparo dos alimentos ao contato direto da panela com o fogo.
Há três meses, a auxiliar de produção mora em uma ocupação irregular, pois, sem renda, vive um dilema: “Ou você paga o aluguel ou você compra o gás, ou a comida”. Beneficiária do Auxílio Brasil, ela chegou a receber o vale-gás no valor de R$ 52, mas acabou usando o dinheiro para comprar alimentos.
INFLAÇÃO DO GÁS Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a inflação do gás de cozinha em 2021 foi de 36,99%, muito acima do índice geral da inflação oficial, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o ano em 10,06%.
Hoje, na cidade de São Paulo, botijões de 13 kg são vendidos por até R$ 150 e mais da metade das vendas é parcelada no crédito, segundo dados do Sergás (Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás, da Grande São Paulo). Enquanto nas comunidades multiplicam-se os fogões improvisados, os revendedores veem as vendas caírem, em média, em 20%.
Presidente do Sergás, Robson Carneiro dos Santos diz que o gás de cozinha é a melhor opção para cozinhar em todo o mundo, pois não coloca em risco a saúde. Além dos acidentes, a queima de outros materiais como a madeira e álcool libera gases e partículas tóxicas para o pulmão, que podem causar DPOC, doença pulmonar obstrutiva crônica.
Para se manter, o setor tem tentado não repassar o percentual cheio de reajuste aos clientes, o que ocasionou demissões nas empresas da área. No último ano, para pagar o aumento salarial de 10% dos funcionários das revendas sem aumentar o valor final do botijão, as empresas viram um aumento de 30% nas demissões.
“A gente não conseguiu repassar esse aumento, o preço do gás ficou o mesmo”, conta. “A revenda absorveu esse gasto, o consumidor não consegue mais. Já é muito difícil pagar.”
MANICURE USA BOTIJÃO DA IRMÃ Elma Soares, 35, moradora da região norte de Belo Horizonte, conta que, nos últimos tempos, tem tirado dinheiro das compras de supermercado para comprar o gás. Mãe de três filhos, de 4, 12 e 14 anos, ela afirma que antes mal contabilizava o preço do gás no orçamento doméstico.
“Se eu fosse uma pessoa sozinha, sem filhos, sem nada, eu me viraria de qualquer forma. Mas quando você tem três crianças em casa, como você não se vira para comprar um gás?”, diz.
Quando não tem dinheiro, Elma e sua irmã, que é vizinha, dividem um botijão até que consigam comprar o próximo. “Antes, como era um valor mais baixo, às vezes eu recorria a alguém que emprestava dinheiro ou ‘emprestava’ o gás: ‘você compra e depois me devolve’. Mas, com esse valor, não é com todas as pessoas do meu ciclo que eu consigo fazer isso”, conta.
VALE-GÁS NÃO É SUFICIENTE O economista do FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), André Braz, explica que “é natural que quando um energético [o gás] fique caro, o consumo de lenha aumente.” E a tendência, segundo ele, é que o preço do gás continue em alta.
Braz acredita ser improvável que o valor diminua enquanto durarem as sanções à Rússia, segunda maior produtora de petróleo do mundo.
Para tentar diminuir os impactos do custo do gás nas famílias em 2021, após sucessivos reajustes da Petrobras, o Congresso aprovou projeto do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), que pevê a distribuição de um vale no valor de 50% da média do preço do botijão de 13 kg nos últimos seis meses, segundo pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
O programa Auxílio Gás passou a pagar, em dezembro, a quantia a famílias que fazem parte do CadÚnico (Cadastro Único). A última remessa, em fevereiro, repassou R$ 279 milhões para 5,5 milhões de famílias, em vales de R$ 50.
Em São Paulo, o programa Vale Gás, do governo do estado, distribuirá, neste ano, R$ 256,1 milhões em vales bimestrais de R$ 100 para famílias em situação de vulnerabilidade social. Em fevereiro, 32,2 milhões de pessoas foram contempladas com o benefício.
Já a Petrobras prevê um orçamento de R$ 270 milhões para diminuir os impactos do aumento dos preços nas famílias de baixa renda. A empresa realiza doações de auxílios para compra de gás para as comunidades nos arredores de onde opera, além de destinar também doações de gás em todo o país para instituições que realizam arrecadação de alimentos e que fornecem alimentação para pessoas em situação de rua em grandes centros urbanos.
Para Braz, no entanto, as medidas são paliativas, porque o preço do combustível pode continuar subindo, e a inflação pode continuar reduzindo o poder de compra dos consumidores. “Você tem vários problemas paralelos que vão minando o orçamento dos menos favorecidos”, diz.
Campeão do primeiro turno e com chances de conquistar o atalho para erguer de forma definitiva o título estadual, o ABC volta a campo hoje para encarar o Potiguar de Mossoró, abrindo a fase semifinal do segundo turno. A partida está marcada para às 17 horas e a diretoria alvinegra promete organizar uma tarde inteira de lazer para os torcedores que comparecerem ao Frasqueirão. O treinador Rodrigo Marchiori, fora os atletas que se encontram em tratamento, terá o elenco quase completo nas mãos pela primeira vez.
Foi a derrota para o Potiguar na quarta rodada, que fez o ambiente no ABC, até certo ponto tranquilo para o ex-treinador Moacir Júnior, iniciar um processo de ebulição, que culminou com a eliminação do clube na Copa do Brasil e, logo em seguida, a demissão do treinador que conquistou o acesso com o clube na Série D do ano passado.
Marchiori sabe que terá pela frente um adversário complicado e não pretende deixar que um novo tropeço volte a esquentar o clima no ABC novamente. A derrota em Mossoró está atravessada, uma vez que a mesma impediu a equipe de acabar a fase de classificação da Copa RN na liderança. Por isso os alvinegros não desejam se apegar ao regulamento e prometem se comportar como sempre fazem no Frasqueirão, encurralando o adversário atrás dos três pontos.
“A vantagem dá um pouco mais de tranquilidade, mas nosso grupo não pode se apoiar nessa condição do empate. Estamos dentro de casa, teremos o apoio da nossa torcida e iremos entrar em campo para jogar para cima, em busca da vitória sempre. Nossa meta sempre será encurralar os nossos adversários no Frasqueirão, com o importante apoio da torcida que costuma impulsionar ainda mais nosso time. O empate será usado como uma consequência, se tivermos dificuldade e estiver chegando o final do jogo”, adiantou o capitão Allan Dias, que com os gols marcados diante do ASSU assumiu a liderança da artilharia no clube.
O meio-campista comemora o fato de o ABC chegar na reta final do returno sem qualquer tipo de problema e com os atletas todos zerados em relação aos cartões. A questão havia sido combinada e agora a preocupação passa ser apenas o Potiguar.
“No jogo anterior já estava combinado todos zerarem os seus cartões que era para chegar nessa reta final com todo mundo livre do risco de suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Todos estão recuperados, descansados e iremos entrar em campo com força total atrás de buscar o nosso maior objetivo na partida: garantir presença na final do segundo turno. O pior passou, todos estão com a cabeça boa e 100% focados no duelo para chegar na final contra o Potiguar”, ressaltou.
Se o Alvinegro comemora a oportunidade de ter o grupo principal completo, no time mossoroense é praticamente certa a baixa de Márcio Mossoró, a principal estrela do grupo.
Depois de um jogo tenso e desgastante contra o América, o elenco do Potiguar focou na recuperação física e emocional dos atletas para o duelo contra o ABC neste sábado. O técnico Nilson Corrêa buscou trabalhar bem o lado psicológico para incutir na mente dos atletas que é possível superar o ABC, apesar de todas as adversidades.
O Potiguar vai contar com o zagueiro Paulo César, após cumprir suspensão automática. Com isso, Mateus Jefferson volta ao banco. No entanto, o meia Márcio Mossoró dificilmente estará à disposição. Na quarta-feira, 30, Márcio entrou no decorrer do segundo tempo, mas não demorou e saiu em decorrência de uma lesão no adutor da coxa esquerda. Caso ele não possa atuar, Harrisson seguirá entre os titulares.
ABC e Potiguar irão se enfrentar pela terceira vez na atual edição do campeonato. Cada um venceu uma partida. No primeiro turno, no local da semifinal deste sábado, o ABC venceu por 3×0, com dois gols de Jefinho e um de Wallyson. Na fase classificatória do segundo turno, no Nogueirão, o alvirrubro foi à forra vencendo o jogo por 2×1, gols de Vinicius Carvalho e Márcio Mossoró. Cobrando pênalti, Wallyson descontou.