Desenvolvida pelo Ministério da Fazenda e pela B3, a bolsa de valores brasileira, a plataforma usada para leiloar descontos no Desenrola poderá ser usada para renegociar dívidas de pequenos produtores rurais. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após se reunir com o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.
“A plataforma é um ativo que pode ser mobilizado para outras renegociações. Então coloquei à disposição do MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário], para o futuro, a mesma plataforma construída para o atual Desenrola”, disse Haddad ao deixar o ministério.
Segundo Haddad, Teixeira tinha pedido um programa de renegociação de dívidas de agricultores familiares. O ministro da Fazenda informou que a plataforma não poderá ser usada neste momento por causa da terceira fase do Desenrola, que prevê descontos para dívidas de até R$ 5 mil de quem ganha até dois salários mínimos, mas fez a promessa de estender a ferramenta tecnológica para os produtores rurais de menor porte.
A terceira fase do Desenrola está em vigor desde o início do mês e oferece desconto médio de 83% para dívidas de nove setores: serviços financeiros; securitizadoras; varejo; energia; telecomunicações; água e saneamento; educação; micro e pequena empresa, educação. No entanto, em alguns casos, o abatimento superou esse valor, dependendo da atividade econômica.
A plataforma está disponível no site www.desenrola.gov.br. Para acessá-la, o consumidor precisa ter cadastro no Portal gov.br, com conta nível prata ou ouro e estar com os dados cadastrais atualizados. Em seguida, o devedor tem de escolher uma instituição financeira ou empresa inscrita no programa para fazer a renegociação. A página lista as dívidas por ordem de desconto, do maior para o menor. Basta selecionar o número de parcelas e efetuar o pagamento.
A cidade de Parelhas está mais uma vez recebendo um apoio fundamental para fortalecer a Assistência Social. O Senador Rogério Marinho destinou uma emenda no valor de R$ 100.000,00 para auxiliar nas ações e projetos que visam o bem-estar da comunidade.
Com essa emenda, a gestão continua investindo em ações estruturantes que visam melhorar a vida do cidadão.
Uma grande nuvem de neblina que envolveu uma rodovia provocou um engavetamento de pelo menos 158 veículos que deixou pelo menos sete mortos em uma rodovia no estado da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, anunciaram as autoridades locais.
A denominada “super neblina”, que segundo a imprensa americana foi provocada por uma combinação de fumaça de incêndios e uma neblina densa, provocou uma grande colisão na rodovia interestadual 55, a 48 quilômetros de Nova Orleans, informou a polícia da Louisiana em um comunicado.
Fotos divulgadas pela polícia mostram as duas faixas de uma ponte da rodovia onde em que aconteceu o acidente bloqueadas pelos veículos envolvidos no engavetamento, incluindo alguns carros queimados.
Um incêndio foi registrado na rodovia, segundo a polícia.
Mais de 25 pessoas foram levadas para um hospital, sem contar as vítimas que procuram atendimento médico por conta própria.
Um dia após Israel confirmar que realizou incursões terrestres pontuais na Faixa de Gaza, a ONU (Organização das Nações Unidas), alertou nesta terça-feira, 24, que os israelenses estão intensificando as ofensivas na região, com 320 ataques nas últimas 24 horas, o triplo dos dias anteriores.
De acordo com o relatório diário do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os ataques de segunda-feira incluíram bombardeios contra um campo de refugiados em Jabalia (norte da faixa), que causaram 63 mortes, mas também em zonas do sul de Gaza para onde Israel teoricamente tentou uma evacuação de civis, como Rafah (pelo menos 43 vítimas) e Khan Yunis (11). Na segunda-feira, 24, Israel disseram que esses ataques ainda não se tratam da incursão que vem sendo prometida por Israel, foi apenas ataques a áreas onde estavam reunidos integrantes do grupo terrorista e outras organizações palestinas.
“Durante a noite, houve ataques de tanques e forças de infantaria. Esses ataques são ataques que matam esquadrões de terroristas que estão se preparando para a próxima fase da guerra. São ataques que vão mais longe, na linha de contato. Essas incursões também localizam e procuraram qualquer coisa que possamos obter em termos de informações sobre desaparecidos e reféns”, disse o porta-voz da IDF, Daniel Hagari. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, 5.087 palestinos morreram desde o começo da guerra, incluindo pelo menos 2.055 crianças e 1.119 mulheres, enquanto 15.273 ficaram feridos. Do total, 77% das vítimas se concentram no norte da Faixa e na própria Cidade de Gaza, a capital do território. Na Cisjordânia, os confrontos com as forças israelenses e os colonos mataram mais 95 palestinos, sendo 28 crianças, enquanto o número de israelenses mortos no conflito se mantém em 1.400, a maioria vítimas dos atos terroristas de 7 de outubro pelo movimento islâmico Hamas e outros grupos armados.
A ONU destaca que, desde o fim da semana, Israel informou em 20% o transporte de água através da única via de abastecimento de água ainda aberta a Gaza, na zona sul de Khan Younis. Os centros médicos em Gaza que foram forçados a interromper as operações devido à falta de eletricidade e de abastecimento são 12 hospitais e 46 clínicas, enquanto cinco instalações hospitalares tiveram de começar a alojar pacientes e refugiados em tendas. Até ao momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou 72 ataques a instalações de saúde, incluindo 19 hospitais e 24 ambulâncias, e outras agências mencionam 206 escolas e outras infraestruturas educativas deficientes.
Algumas delas abrigaram mais de 1,4 milhão de pessoas deslocadas internamente em Gaza, provocando a morte de pelo menos 12 delas, enquanto outras 180 ficaram feridas, segundo o relatório da ONU. A ONU recebeu até o momento apenas um terço dos fundos solicitados desde 12 de outubro à comunidade internacional para assistência a esta crise (US$ 100 milhões de um total de US$ 294 milhões).
O Sistema Nacional de Emprego do Rio Grande do Norte (Sine-RN), por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (SETHAS), abriu processo seletivo com 180 vagas de emprego para o parque fabril do Grupo Guararapes. Os interessados devem comparecer nesta quarta-feira (25) à sede do órgão, em Candelária, zona Sul da capital, para a inscrição.
O Sine-RN reforça que o cadastro dos candidatos ocorre apenas nesta quarta-feira, das 8h às 14h, de forma presencial. Os candidatos precisam estar atentos à documentação necessária para participar de todo o processo. A Guararapes está ofertando vagas de contrato imediato para costureira (55 vagas), operador de máquina (72 vagas), auxiliar de logística (43 vagas) e auxiliar de produção (10 vagas).
Para participar da seleção, é necessário apresentar Carteira de Trabalho, Cartão Bradesco, RG, CPF, comprovante de residência, comprovante de escolaridade, foto 3×4, extrato do PIS, certidão de nascimento ou casamento, reservista, certidão de nascimento dos filhos, CPF dos filhos (caso o candidato tenha filhos), cartão de vacina dos filhos e a declaração escolar dos filhos (07 aos 14 anos).
O Sine-RN informa, ainda, que o Grupo Guararapes só vai considerar candidatos com a documentação completa. Aqueles que não apresentarem os dados completos podem ser desabilitados à próxima fase do processo de seleção.
Após o cadastro no Sine-RN, os candidatos passarão por um teste on-line e, em seguida, a Guararapes vai convocar os aprovados para a fase final da seleção de emprego. Segundo a subsecretária de Trabalho e Assistência Social, Joana D’Arc Dantas, a abertura de vagas é uma grande oportunidade para quem busca emprego no Rio Grande do Norte.
“Estamos passando por um período de estruturação da política do trabalho em nosso estado. O Governo do Estado, por meio da Subsecretaria do Trabalho, vem investindo na captação de vagas junto às empresas locais no sentido de ampliar as oportunidades de trabalho à população norte-rio-grandense. O surgimento de um número significante de oportunidades de emprego e geração de renda à população do Rio Grande do Norte é produto de um trabalho que vem se intensificando no governo da professora Fátima Bezerra, que tem o compromisso de inserir a população no mercado de trabalho formal”, disse Joana D’Arc Dantas.
A subsecretária cita ainda o sucesso da reunião da última quinta-feira (19) entre o novo diretor-executivo (CEO) do Grupo Guararapes, André Farber, e a governadora Fátima Bezerra. “As vagas são fruto da parceria que está sendo firmada com a SETHAS, por meio da Subsecretaria do Trabalho, com o Grupo Guararapes”, comemora.
O Governo do Estado e o grupo fabril mantém parceria a partir dos incentivos fiscais do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi). O programa vincula os benefícios à localização geográfica do empreendimento e ao número de empregos diretos gerados. O parque fabril do grupo produz, em média, 100 mil peças de confecção por dia, emprega 7 mil pessoas na linha de produção.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou, nesta terça-feira, 24 de outubro, o Cartão de Confirmação de Inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023. O documento está disponível na Página do Participante e traz, entre outras informações, número de inscrição, data, hora e local de prova, além de registrar que o inscrito terá direito a atendimento especializado ou tratamento pelo nome social, se for o caso.
Apesar de não ser obrigatório, o Inep recomenda levar o cartão nos dias de exame (5 e 12 de novembro). Confira o passo a passo para acessar e imprimir o Cartão de Confirmação de Inscrição:
1 – O inscrito deve acessar a Página do Participante e selecionar o botão “Página do Participante – Entrar com gov.br”. 2- Em seguida, utilize seu login único do gov.br e clique em “Continuar”. 3 – Já na Página do Participante, à esquerda da tela, clique em “Local de Prova”. 4 – Após os passos anteriores, clique no ícone em azul, apresentado pelo assistente virtual (Local de Prova). 5 – Pronto! O sistema abrirá o Cartão de Confirmação de Inscrição. Para imprimir, basta descer a tela até o final da página e clicar no botão “Imprimir”.
Enem
O Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica. Ao longo de mais de duas décadas de existência, tornou-se a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni).
Instituições de ensino públicas e privadas utilizam o Enem para selecionar estudantes. Os resultados são utilizados como critério único ou complementar dos processos seletivos, além de servirem de parâmetro para acesso a auxílios governamentais, como o proporcionado pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Os resultados individuais do Enem também podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições portuguesas que possuem convênio com o Inep para aceitar as notas do exame. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.
A Comissão de Educação (CE) aprovou nesta terça-feira (24) um projeto de lei que propõe calcular os repasses do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate) a estados e municípios levando em consideração as distâncias a serem percorridas pelo veículo, as características geográficas e demográficas de cada região e as diferenças de custo do transporte em cada localidade.
O PL 3.479/2019, do senador Jader Barbalho (MDB-PA), recebeu parecer favorável pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM) e poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, se não houver recurso para votação no Plenário do Senado.
O Pnate é um programa de transferência de recursos financeiros a estados, Distrito Federal e municípios para custeio de despesas com manutenção, reparo, combustíveis e outros encargos de veículos utilizados no transporte de estudantes. A proposta altera a lei que instituiu o programa (Lei 10.880, de 2004).
No âmbito do Pnate, atualmente os repasses são calculados com base no Fator de Necessidade de Recursos do Município, que leva em conta o percentual de população rural do ente federado; a área do município; o percentual da população abaixo da linha da pobreza; e o respectivo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Ao justificar a proposta, Jader Barbalho ressaltou que é preciso considerar que, nas regiões de maior dimensão territorial, os veículos de transporte escolar percorrem maiores distâncias. Assim, os entes federativos precisam complementar os gastos decorrentes dessa situação, assim como custos diferenciais relativos a fatores geográficos e demográficos. Para Jader, a proposta torna a distribuição de recursos mais justa e embasada em indicadores objetivos e transparentes.
Em seu relatório, no entanto, Plínio Valério apresentou emenda ao projeto ajustando a forma de cálculo para esses repasses, incluindo o fator socioeconômico nos critérios e ressalvando a autonomia do Poder Executivo para considerar outros que julgar pertinente.
Com secas cada vez mais fortes e duradouras, as queimadas e incêndios na Amazônia se tornam cada vez mais recorrentes, dificultando, assim, a recuperação, podendo, de acordo com especialistas, demorar por volta de 150 anos para voltar ao ambiente natural.
Um dos fatores que dificultam o já lento processo de recuperação de florestas é o chamada “paisagem fragmentada” (ou floresta fragmentada). O professor de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador sobre a floresta amazônica, Eraldo Matricardi, explica que o fenômeno trata-se do isolamento de áreas verdes, que ficam muito distantes de outras florestas. Esse efeito causa prejuízos aos chamados serviços ecossistêmicos, como a polinização, por exemplo.
“O tempo de regeneração varia muito. Com boas condições, as florestas mais próximas a outras demoram cerca de 20 a 30 anos para se recuperar. Quando essas áreas verdes são mais afastadas, elas podem demorar por volta de 150 anos para voltar ao ambiente natural”, Eraldo Matricardi, professor da UnB e pesquisador da floresta.
“Conforme a floresta fica mais fragmentada e afastada de outras matas, você dificulta muito mais processos ecológicos de recomposição da área. Todo mundo gosta de água e ar limpo, mas eles vêm de onde? A natureza precisa de um ambiente relativamente equilibrado para ter peixe, os animais, a flora e toda a biodiversidade da região”, acrescentou.
Segundo os especialistas, a Amazônia é um bioma vulnerável ao fogo por ele não ser um componente natural ou comum na região, como é, por exemplo, no Cerrado. Nos primeiros sete meses de 2023, o desmatamento na região amazônica teve queda de 42,5%, se comparado ao mesmo período do ano passado. O estado do Amazonas foi o que registrou a maior redução de janeiro a julho.
No entanto, com a chegada do fenômeno climático El Niño, potencializado pelas mudanças climáticas causadas pelo aquecimento cada vez mais alarmante do planeta, uma seca sem precedentes passou a atingir a região Norte do país. Somado a isso, a diretora-adjunta do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Patrícia Pinho, explica que o avanço da atividade humana com o desmatamento, criminoso ou não, cada vez mais próximo das florestas e o uso do fogo em muitas dessas intervenções são fatores que contribuíram para uma situação tão alarmante.
A Petrobras iniciou, nesta semana, uma sequência de medições de energia eólica no litoral do RN com a versão 2.0 do equipamento Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore (Bravo), um aprimoramento da tecnologia inédita no Brasil desenvolvido pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras.
O projeto é fruto da parceria com os Institutos Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e Sistemas Embarcados (ISI-SE). O total investido na tecnologia chega a R$11,3 milhões por meio do incentivo em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
“O nível de maturidade tecnológica do equipamento avançou e trouxe boas soluções para as limitações encontradas na primeira fase de testes. Esperamos uma Bravo 2.0 robusta e capaz de atender às necessidades da Petrobras em relação à medição do potencial eólico offshore no Brasil, sendo uma alavanca importante para avançarmos nessa nova fonte de energia”, afirma o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Carlos Travassos.
Ele destaca que o investimento faz parte da estratégia da Petrobras de liderar o processo de transição energética no país.
“Um novo projeto de P&D tem sido discutido com foco na instalação de novas Bravos em pontos estratégicos da costa brasileira, de modo aumentar a amostragem de dados e tornar o levantamento do potencial eólico ainda mais confiável”, relata.
A Bravo é um modelo flutuante de Lidar (Light Detection and Ranging), desenvolvido pela primeira vez com tecnologia nacional. O equipamento é um sensor óptico que utiliza feixes de laser para medir a velocidade e direção do vento, gerando dados compatíveis ao ambiente de operação das turbinas eólicas.
Ele também é capaz de captar variáveis meteorológicas, como pressão atmosférica, temperatura do ar e umidade relativa, além de variáveis oceanográficas, a exemplo de ondas e correntes marítimas.
Segundo o diretor de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim ,“quando estiver em estágio comercial, a Bravo contribuirá para o aumento da oferta dos serviços e a redução do custo de implantação dos projetos de eólica offshore no país. Por ser flutuante, o equipamento é de fácil transporte e instalação ao longo da costa brasileira”, avalia.
Bravo 2.0
Na nova versão do equipamento, um algoritmo desenvolvido especialmente para o projeto permite corrigir as informações coletadas em função das variações de posição provocadas pelas ondulações do mar e correntes marinhas.
A Bravo 2.0 também foi ampliada para abrigar dois sensores Lidar em vez de um. Isso aumenta a coleta dos dados que são transmitidos para um servidor em nuvem, por meio de comunicação via satélite, para serem posteriormente analisados.
O equipamento pesa 7 toneladas, tem 4 m de diâmetro, 4 m de altura e é alimentado por módulos de energia solar. Será lançado a 20 km da costa do Rio Grande do Norte, com apoio da Marinha do Brasil e do consórcio Intersal, que opera o Terminal Salineiro de Areia Branca. A campanha de testes e medições vai até março de 2024.
As informações coletadas pela boia serão comparadas com dados de referência obtidos por um Lidar fixo, instalado no mesmo terminal, para validar a funcionalidade e confiabilidade das medições do equipamento.
Pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) estudam formulações de combustíveis AB-Diesel, compostos por uma mistura de álcool, biodiesel e diesel. O grupo de pesquisadores tem o intuito de identificar matérias-primas viáveis para o desenvolvimento de biodiesel no Semiárido Potiguar, como girassol, cártamo e moringa.
Reportagem do jornal De Fato, de Mossoró, assinada por Edinaldo Moreno, mostra que a pesquisa da Ufersa ainda tem objetivo de diminuir as emissões de gases de efeito estufa sem comprometer o desempenho de motores a diesel. Vale mencionar que maior ênfase será dada aos biodieseis oriundos de matérias-primas promissoras para a região do Semiárido.
“Como o intuito do projeto é aumentar a participação de combustíveis renováveis no óleo diesel, que hoje já conta com 12% de biodiesel, as misturas apresentam potencial para queima mais eficiente de combustível, reduzindo consideravelmente as emissões de monóxido de carbono e outros poluentes no meio ambiente, como o material particulado”, afirma o coordenador do AB-Diesel, Frederico Ribeiro do Carmo, professor vinculado ao Departamento de Engenharia e Tecnologia (DET) da Ufersa.
“Além disso, é importante pontuar que estudos em paralelo visam produzir matérias-primas com águas residuárias, em especial a água produzida do petróleo, efluente bastante produzido na região pelas empresas de petróleo e gás”, acrescenta o professor da Ufersa.
Ainda de acordo com o coordenador do projeto, o Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono atua com temas relacionados à transição energética, economia circular aplicada ao setor de energia e descarbonização de processos produtivos. Inicialmente, nosso foco era mais em simulações computacionais e propriedades dos combustíveis. Já havia trabalhado em projetos relacionados ao AB-Diesel, mas apenas na avaliação de propriedades.
Frederico Ribeiro ressalta que o projeto AB-Diesel está alinhado com compromissos assumidos pelo Governo Brasileiro nos últimos anos no sentido de reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Na 21ª Conferência das Partes (COP 21), realizada em Paris pela Organização das Nações Unidas em 2015, o Brasil se comprometeu a aumentar a participação de bioenergia na matriz energética do pais, o consumo de biocombustíveis e a oferta de etanol, entre uma série de outras iniciativas.
“No dia 8 de dezembro de 2020, o Brasil transmitiu à Convenção-Quadro das Nações Unidades sobre a Mudança Climática (UNFCCC) sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) ao Acordo de Paris. A NDC é o principal compromisso internacional do Brasil na área de mudança climática. Tendo como base o ano de 2005, o país reafirmou o compromisso de reduzir, em 2025, as emissões líquidas totais de gases do efeito estufa (GEE) em 37% e assumiu oficialmente o compromisso de reduzir em 43% as emissões brasileiras até 2030. Tais medidas englobam os setores de energia, agricultura, floresta, resíduos e processos industriais”.
O professor lembra que no ano passado, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou a “Chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 18/2022 – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Apoio ao Programa Combustível do Futuro e à Iniciativa Brasileira do Hidrogênio (IBH2 MCTI)”. A relevância da proposta atraiu um financiamento de R$ 1,1 milhão do CNPq, como resultado de uma seleção do Programa Combustível do Futuro e da Iniciativa Brasileira do Hidrogênio.
“Resolvi escrever a proposta do projeto AB-Diesel, incluindo os testes em motores. Por conta da equipe formada, qualidade da proposta e de ser um assunto estratégico do Governo Federal, a proposta foi aprovada. No total, apenas com este edital, conseguimos R$ 1,1 milhão em equipamentos, material de consumo e bolsas”, iniciou.
“Ainda tivemos outras propostas aprovadas, em temas transversais ao AB-Diesel, como a produção de matérias-primas promissoras para a produção de biodiesel na região do Semiárido utilizando um efluente bastante problemático para as empresas de petróleo onshore localizadas na região, a água produzida de petróleo. Exemplos de propostas aprovadas foram a “Chamada Pública MCTI/FINEP/CT-HIDRO 2022”, na qual conseguimos aporte de aproximadamente R$ 1,5 milhões da FINEP e mais R$ 300.000,00 da Mandacaru Energia, empresa produtora de petróleo com atividades na região. Vale menção que estou como vice-coordenador deste projeto, sendo o coordenador o Prof. Daniel Valadão Silva, do curso de Agronomia da UFERSA”, acrescentou.
Montadoras sinalizam interesse no projeto
A partir do início das atividades, em dezembro de 2022, montadoras de caminhões já sinalizaram interesse no projeto. Participam da iniciativa 14 profissionais distribuídos nas categorias de colaborador, pesquisador e aluno de doutorado.
Além da Ufersa, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) também fazem parte do AB-Diesel.
“Além dos órgãos de fomento, como o CNPq e a FINEP, estamos com o apoio financeiro de duas produtoras de petróleo, como a Mandacaru Energia e a 3R Petroleum (nos projetos de produção de matérias-primas). Duas montadoras de caminhões já sinalizaram interesse no projeto, uma delas já confirmou conosco que entrará na proposta a ser enviada para o Programa Rota 2030”, comemorou o professor Frederico Ribeiro do Carmo.
“Por conta do apoio financeiro do CNPq, do Programa de Formação de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, o PRH, e de outros projetos firmados nos últimos meses com empresas, estamos criando uma infraestrutura excelente para os estudos a serem realizados”, pontua o coordenador do projeto, Frederico Ribeiro do Carmo. “Além de produzir biodiesel, nos próximos meses teremos capacidade de caracterizar as formulações, segundo os critérios da ANP, e avaliar a performance e as emissões de gases de efeito estufa em um motor diesel monocilindro, tudo isso na Ufersa”, finaliza.
Pesquisadores de outros países já demonstram que é possível redução de emissão de gases
O professor e coordenador do projeto AB-Diesel, Frederico Ribeiro do Carmo, indagado sobre os resultados práticos da pesquisa, ressalta que primeiramente é importante destacar que se trata de uma pesquisa científica, portanto, apenas após a conclusão do projeto é que pode-se afirmar se haverá ou não redução de emissões de gases de efeito estufa sem comprometer o desempenho do motor.
“Precisamos de experimentos. No entanto, a ideia é bastante razoável, inclusive alguns pesquisadores de outros países já demonstraram que isso é possível, com outros tipos de álcoois e matérias-primas”.
Para o combustível ter bom desempenho, o coordenador enfatiza que precisa que suas propriedades estejam de acordo com critérios estabelecidos pela experiência da indústria. No caso do óleo diesel comercializado no Brasil, estes critérios são estabelecidos pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), como a Resolução ANP n° 50/2013.
“Portanto, de forma simplificada, ajustando as composições das formulações AB-Diesel, podemos aumentar a parcela de biocombustível e manter as propriedades dentro dos critérios estabelecidos pela ANP, o que tende a manter a performance do combustível utilizado normalmente”.