Brasil terá onda de calor excepcional com temperaturas de 40ºc a 45ºc

Foto: Divulgação/MetSul

Uma massa de ar extremamente quente vai cobrir o Brasil nos próximos dias. Já faz muito calor neste começo de semana no Centro-Oeste e no Sudeste, mas na segunda metade da semana a massa de ar se reforça ainda mais com temperatura atipicamente elevadas, mesmo calor intenso não sendo incomum nestas áreas do território nacional no mês de setembro. Trata-se de uma situação de elevado perigo pela severidade do calor esperado e que demandará atenção das autoridades.  Serão vários estados em que o calor será muito intenso a extremo. A massa de ar quente vai afetar com força e marcas perto ou acima de 40ºC, por exemplo, o Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão.

O pior do calor deve ocorrer no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul com marcas acima dos 40ºC na maioria das cidades dos dois estados, mas que podem atingir temperaturas máximas mais extremas em particular na região do Pantanal e proximidades. Esta região do Centro-Oeste vai estar junto ao centro da grande cúpula de calor que estará concentrada entre o Paraguai e os estados do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso. Pontos destas áreas podem atingir marcas tão extremas como 43ºC a 45ºC nesta região do centro do domo de calor.

Marcas perto ou acima dos 40ºC devem se dar ainda em muitas cidades do Norte, de Goiás, do Sudeste do Brasil e de alguns estados do Nordeste, como no Oeste da Bahia, no Maranhão e no Piauí. No Rio de Janeiro, algumas estações também podem superar os 40ºC no próximo fim de semana. Em Minas Gerais, o Triângulo Mineiro e o Noroeste do estado devem ser as áreas mais afetadas pelo calor extremo com máximas superiores aos 40ºC. O pico do calor em intensidade deve se dar entre o final desta semana e o começo da semana que vem. Modelos numéricos chegam a indicar temperatura no nível de pressão de 850 hPa (equivalente a 1.500 metros de altitude) perto de 30ºC no Centro-Oeste do Brasil, o que apenas se verifica em massas de ar extremamente quentes, como a que atingiu o Sudoeste dos Estados Unidos no mês de julho deste ano.

RECORDES HISTÓRICOS PODEM CAIR

A maior temperatura registrada oficialmente até hoje no Brasil foi de 44,8°C em Nova Maringá, Mato Grosso, em 4 e 5 de novembro de 2020, superando o recorde também oficial de Bom Jesus, Piauí, de 2005, de 44,7°C. Recordes mensais, e em algumas cidades até absolutos, podem cair neste evento de calor extremo. A cidade de São Paulo é um dos locais em que a temperatura pode testar ou bater recordes de temperatura. Serão muitos dias de calor intenso a extremo no estado de São Paulo. Em alguns, a temperatura ficará perto ou acima de 40ºC no interior e na capital há chance de marcas tão altas quanto 37ºC a 39ºC. Assim, não se pode descartar que a cidade de São Paulo e outras cidades paulistas tenham recordes históricos de máximas não apenas para setembro como absolutos para toda a série histórica.

O dia mais quente já registrado na cidade de São Paulo em setembro desde o começo dos dados em 1943 na estação do Mirante de Santana foi de 37,1ºC, em 30 de setembro de 2020. Trata-se da segunda maior máxima da série histórica, só atrás dos 37,8 ºC de 17 de outubro de 2014. Outros dias de calor muito intenso na série da estação do Mirante de Santana, estação na zona Norte da cidade do Instituto Nacional de Meteorologia, incluem os registros de 37,0ºC em 20 de janeiro de 1999, 36,7ºC em 19 de janeiro de 1999 e também 36,7ºC em 21 de janeiro de 1999. O que se avizinha no estado de São Paulo em termos de temperatura é parecido em padrão com o que ocorreu entre setembro e outubro de 2020, quando uma bolha de calor se instalou na região sob um padrão de bloqueio atmosférico com vários dias de calor extremo. Na ocasião, a máxima chegou a 43,5ºC em Lins, embora não se creia que valor tão extremo seja atingido neste evento.

CENTRO DO BRASIL COSTUMA TER MAIS CALOR NESTA ÉPOCA QUE NO VERÃO

O período de junho a setembro marca o que se denomina da estação seca no Centro do Brasil, afetando o Centro-Oeste e o Sudeste, o que contribui para extremos de temperatura alta que não ocorrem no verão porque a chuva é quase diária. Cuiabá, por exemplo, que é uma cidade conhecida pelo calor, tem na climatologia histórica os seus dias mais quentes em valores extremos justamente no período seco. Goiânia tem temperatura máxima média mensal de 32,7ºC em agosto, 34,0ºC em setembro e 33,2ºC em outubro, mas no verão as média máximas mensais são inferiores com 30,6ºC em dezembro, igual valor em janeiro e 31,0ºC em fevereiro. Ainda sobre a capital goiana como um exemplo de que o pior do calor não ocorre no verão, mas no fim do inverno e na primavera. De acordo com a estatística 1991-2020, a cidade teve, em média, por ano, 4 dias acima de 35ºC em agosto, 13 em setembro e 9 em outubro, entretanto somente um em média em dezembro, janeiro e fevereiro. De uma média de 31 dias por ano com mais de 35ºC em Goiânia, 26 ocorrem apenas no trimestre agosto a outubro. O mesmo ocorre em Brasília com médias máximas superiores no final do inverno e no começo da primavera do que não verão. E também no interior de São Paulo. Em Franca, o número média de dias acima de 30ºC é de 12 em setembro e também 12 em outubro. Dezembro tem quatro e janeiro e fevereiro cinco cada um. É o que se vê também em áreas de Minas Gerais mais próximas do Brasil Central, onde a curva de temperatura tem forte influência da estação seca. Caso do Triângulo Mineiro. Uberaba tem as suas maiores médias máximas anuais em setembro e outubro, o que se repete em Uberlândia.

Fonte: MetSul Metereologia 

Portal da Tropical



Seis em cada dez brasileiros sentem insegurança ao andar na rua à noite, diz Datafolha

Foto: Reprodução/PIXABAY

Seis em cada dez brasileiros sentem insegurança ao caminhar pelas ruas das cidades onde moram. São 34% aqueles que dizem se sentir muito inseguros após o anoitecer, e 26% que respondem ter um pouco de insegurança, segundo pesquisa Datafolha.

Os dados oscilaram em comparação ao observado há um ano e meio, quando o instituto fez o mesmo levantamento em março de 2022, 37% diziam-se muito inseguros e 27%, um pouco inseguros.

Ao todo, mais da metade dos entrevistados diz sentir insegurança ao caminhar à noite em seu próprio bairro, especialmente as mulheres e aqueles que têm mais de 45 anos.

O Datafolha ouviu 2.016 pessoas com mais de 16 anos em todo o país nos dias 12 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Foram feitas duas perguntas sobre sua percepção de violência: como eles se sentem ao caminhar pelas ruas de sua cidade e do seu próprio bairro. A insegurança prevalece nos dois casos, mas 19% respondem que se sentem muito seguros nos próprios bairros, contra 30% que sentem muita insegurança. Na cidade como um todo, só 14% dos brasileiros sentem-se muito seguros.

O perfil ideológico dos entrevistados aparece na pesquisa como um dos fatores que mais influenciam a percepção da segurança. A diferença das respostas entre quem se identifica como bolsonarista e petista é maior do que comparações regionais, por faixa de renda, sexo ou cor da pele.

Entre aqueles que se descrevem como petistas convictos, ou declaram ser próximos ao petismo, mais da metade (54%) diz sentir algum grau de segurança o restante relata sentir um pouco ou muito inseguro. Já entre bolsonaristas ou simpatizantes do ex-presidente, as respostas são inversas: 74% dizem sentir-se muito ou um pouco inseguros, e só 26% dizem que se sentem mais ou menos seguros ou muito seguros.

Fatores como renda familiar e profissão também revelam diferenças importantes. Os empresários são aqueles com as piores percepções da violência. Só 6% respondem sentir-se muito seguros em sua cidade e 42% dizem que sentem muita insegurança. Eles também são os que mais relatam sentir insegurança em seu próprio bairro (10% se dizem muito seguros e 40%, muito inseguros).

As donas de casa também estão entre os que sentem mais insegurança. Entre elas, só 10% respondem que se sentem muito seguras na própria cidade; 35% relatam sentir-se muito inseguras.

Os assalariados sem registro em carteira de trabalho e os funcionários públicos relatam percepções melhores sobre a segurança. Trabalhadores informais, por exemplo, são a única categoria com maioria de entrevistados que dizem sentir segurança em seu próprio bairro (55%) ao caminhar à noite.

Já os mais ricos descrevem a maior diferença entre a percepção da cidade onde moram e do próprio bairro. Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, só 7% dizem se sentir muito seguros ao caminhar nas ruas da cidade. Mas em seus próprios bairros, 20% sentem-se dessa forma. A diferença não é tão grande entre os mais pobres.

A mesma pesquisa mostrou que a preocupação dos brasileiros com a violência disparou em relação ao fim de 2022, e essa área se tornou o maior problema para a população, ao lado de saúde (os dois temas são citados por 17% dos entrevistados e dividem o primeiro lugar).

Há estudos indicando que há uma diminuição da violência no país desde 2018. O 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em julho, mostra que as mortes violentas no Brasil chegaram ao patamar mais baixo em 12 anos.

Ao mesmo tempo, o país tem 2,7% da população global e concentra cerca de um quinto dos homicídios no mundo, segundo dados de 2020 do Escritório das Nações Unidas para Crimes e Drogas, e era o oitavo país com mais mortes violentas por 100 mil habitantes do mundo o estudo diz que não foram incluídas informações sobre o ano passado e o retrasado no banco da ONU.

Os números de roubos de cargas, em casas e em estabelecimentos comerciais no país caíram no ano passado, enquanto a quantidade de estelionatos aumentou.

Em 2022, o Brasil registrou o maior número de casos de estupro da série histórica, iniciada em 2011, com uma média de 205 casos por dia a estatística leva em conta apenas os casos que foram denunciados à polícia. Da mesma forma, houve um crescimento no número de casos de assédio sexual, importunação sexual e perseguição, entre outros crimes sexuais.

TULIO KRUSE – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)



Após aumento, preço do botijão de gás de cozinha chega a R$ 105 em média no RN

Foto: Governo Federal

O preço do botijão do gás de cozinha subiu em média R$ 4 no Rio Grande do Norte. A informação foi confirmada ao g1 pelo presidente do Sindicato dos Revendedores Autorizados de Gás Liquefeito de Petróleo (Singás-RN), Francisco Correia.

Com isso, a média do preço dos botijões de 13 kg de gás de cozinha no estado está na casa dos R$ 105, de acordo com o presidente do sindicato. O aumento começou a valer na semana passada.

O aumento foi repassado às revendedoras pelas companhias de gás e ocorre, segundo Correia, por conta do dissídio coletivo dos trabalhadores do setor, que tradicionalmente acontece no mês de setembro.

Segundo o diretor, o preço do botijão de gás nos últmos meses se apresenta como “estável”. No ano passado, nesse mesmo período, o valor chegou a atingir R$ 120, em média.

g1 RN



Festa do Boi terá mais de mil animais em exposição e shows todos os dias

Foto: Reprodução/ANORC

A 61ª edição da Festa do Boi começa no próximo dia 7 de outubro com mais de 100 exposições de bovinos, o que significa mais de mil animais em exposição e atrações musicais todos os dias. São diversos shows, com alguns nomes já confirmados, como Edyr Vaqueiro, Brasas do Forró, Ferro na Boneca e Giannini Alencar. Além disso, como de costume, a festa, que seguirá até o dia 14 de outubro, terá apresentações culturais, torneios e leilões. O presidente da Associação Norte-Riograndense de Criadores (Anorc), Matheus França, disse que a expectativa é ampliar o número de visitantes, uma vez que a quantidade de atrações este ano será maior.

“Serão três novos leilões em 2023 –  seis no total. Estamos com uma lista de espera de mais de 160 animais e nossa preocupação é agregar todo mundo. Com o aumento da quantidade de atrativos, a gente espera também um público maior e um incremento nos negócios, de cerca de 20%, ou seja, algo em torno de R$ 12 milhões a mais do que em 2022”, afirma. No ano passado a Festa do Boi movimentou cerca de R$ 60 milhões e atraiu aproximadamente 500 mil visitantes.

O lançamento da Festa aconteceu na manhã desta segunda-feira (18), no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, e contou com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT), além de representantes da cadeia produtiva do Estado e de produtores potiguares. “Este é um dos maiores eventos nesse quesito, não só no Nordeste, como em todo o País. São mais de seis décadas e o Governo do Estado fica muito feliz por, ao longo de toda a sua existência, ser um grande parceiro da Festa do Boi”, pontuou a chefe do Executivo estadual.

Entre as novidades desta edição, estão os shows musicais que acontecerão todos os dias, com entrada gratuita para quem acessar o Parque. São mais de 30 atrações, algumas delas já confirmadas. 

Confira a seguir:

– Rey Vaqueiro

– Ferro na Boneca

– Giannini Alencar

– Edy Vaqueiro

– Brasas do Forró

– Na Pegada do Coyote

– Arnaldinho Neto

– Aleff Henrique

– Forró Meirão

– Klebinho Vaqueiro

– Léo Fernandes

– Melissa Farias

– Matheus Carvalho

– Pagode do Coxa

Tribuna do Norte



Jovem potiguar é finalista de prêmio internacional em Abu Dhabi

Foto: Divulgação

A CEO da Orby, Co., a potiguar Duda Franklin, conseguiu um feito inédito para o Rio Grande do Norte ao ser selecionada como uma das seis finalistas na 8ª Edição do Prêmio Empretec Women in Business Award 2023. Organizado pela UNCTAD juntamente com a rede global do Empretec, o prêmio tem o propósito de identificar as contribuições mais promissoras de mulheres empresárias e inspiradoras nos países em desenvolvimento. 

Duda Franklin idealizou e colocou em operação o projeto de desenvolver soluções de alta tecnologia para a reabilitação músculo-esquelética funcional utilizando Inteligência Artificial (IA). A final da premiação acontecerá, durante o Fórum Mundial de Investimento das Nações Unidas, no período de 16 a 20 de outubro próximo, em Abu Dhabi.

“Estou muito feliz e realizada em ser finalista dessa premiação. Eu sempre acreditei que ela viria. Um ano se passou até esse prêmio, que veio para coroar um trabalho muito árduo. A gente vem se esforçando muito, trabalhando muito. E a gente está fazendo o futuro, que é agora”, comemora.

A ideia de criar uma plataforma integrada para monitorar processos de reabilitação se transformou em algo concreto, após Duda Franklin ganhar com sua equipe um prêmio na categoria Saúde e Bem-estar (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 das Nações Unidas) no maior hackathon da América Latina, o Hacking Rio 2021.

Tribuna do Norte



Instituto Médico Ameno realizará em Caicó mesa redonda em alusão ao Setembro Amarelo

Idealizado pelos médicos cardiologistas, Dr. Sérgio Bezerra e Dr. Vander Weyden, e pelo médico psiquiatra, Dr. Marcelo Modesto, será realizada na Casa do Empresário em Caicó, no próximo dia 26 de setembro, a mesa redonda ‘Incentivando a Mentalidade Amena”.

O objetivo é oferecer apoio, compreensão e recursos para aqueles que enfrentam desafios emocionais.

Serão três temáticas abordadas. Dr. Sérgio falará sobre transtorno de ansiedade/depressão e seus efeitos sobre doenças cardiovasculares; Dr. Vander abordará a Espiritualidade como parte do tratamento de doenças mentais e cardíacas; e o Dr. Marcelo sobre Depressão e outras condições de risco para o suicídio.  

O evento é gratuito e as inscrições podem

ser feitas direto no link disponível na bio do @imacaico.

Juntos, podemos iluminar o caminho da esperança e empatia, lembrando a todos que a saúde mental é uma prioridade’, afirmam os especialistas.

Blog da GL



PNI faz 50 anos; agentes comunitários e técnicos garantem capilaridade

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Há sete anos, uma simples ida ao mercado já não é a mesma para Maria Lúcia de Araújo, de 54 anos. Seja na área de laticínios ou na de produtos de limpeza, ela não consegue evitar falar sobre vacinas, consultas médicas ou exames que precisam ser agendados. A moradora de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, é agente comunitária de saúde e mora na região que percorre diariamente para levar a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) à casa dos pacientes. Referência na rua, na padaria, ou no supermercado, Maria Lúcia está sempre tirando dúvidas.

“Eu gosto muito, porque é um modo de estar junto da população e das pessoas que realmente estão precisando de um suporte e de uma ajuda. Você adquire muito conhecimento e consegue entender certas coisas que, quando você está fora da área da saúde, você não entende”, conta ela, que é responsável por visitar e acompanhar o andamento de tratamentos de quase 800 pessoas.

Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2023 – A agente comunitária de saúde, Maria Lúcia de Araújo e o técnico em enfermagem, João Victor Pinho durante de busca ativa de pacientes com vacinação em atraso em Irajá, na zona norte da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Secretaria de Saúde faz busca ativa de pacientes no Rio, por Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma parte importante do seu trabalho é, mensalmente, conferir por que uma criança que deveria ter sido vacinada não foi levada à Clínica da Família Pedro Fernandes Filho para receber a imunização. Quando o sistema indica que falta alguma dose, Maria Lúcia vai a campo em busca de explicações e, principalmente, de proteger a criança contra as doenças imunopreveníveis.

“A gente acompanha desde a barriga, no pré-natal, e depois e vamos acompanhando até os 7 anos. E a gente tem que ter o cuidado de saber se a mãe está dando vacina, se está indo às consultas. E, quando ela falta, a gente vai atrás para saber o que está acontecendo. Como já tem esse vínculo, elas não ficam melindradas e contam para gente por que não vieram. É um vínculo que a gente cria com as mães desde a gravidez.”

O trabalho de busca ativa de vacinação, que significa resgatar quem não se vacinou, é considerado uma das estratégias mais importantes na recuperação das coberturas vacinais do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que completa 50 anos em 2023. E quem arregaça as mangas e gasta as solas em busca dessas crianças, adultos e idosos são os 295 mil agentes comunitários de saúde do país e os 193 mil enfermeiros e técnicos de enfermagem envolvidos com a imunização nas unidades de saúde, que também aplicam os imunizantes na casa das pessoas que não consegue chegar até a sala de vacina mais próxima.

A enfermeira Mayra Moura, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, trabalha com ações de capacitação para profissionais da ponta, e destaca que o papel de agentes comunitários como Maria Lúcia é essencial para que as vacinas cheguem a todos, inclusive em regiões em que famílias podem ter dificuldades de se deslocar até uma unidade de saúde ou sala de vacina.

Rio de Janeiro (RJ) -  Mayra Moura para a matéria sobre rotatividade de profissionais na vacinação impacta coberturas
Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ) – Mayra Moura, diretora da SBIm – Arquivo pessoal/Divulgação

“O agente comunitário de saúde é imprescindível. É ele que consegue dar capilaridade ao programa. É ele que tem o acesso a cada casa, de cada pessoa. Ele é uma pessoa muito vista pela comunidade, então, ele é uma referência. Esse trabalho do agente que está na ponta, que conhece as famílias, é muito importante para a adesão dessas famílias”, sublinha.

“O sucesso do programa, primeiro, é porque a gente consegue essa capilaridade que vem com os agentes, as estratégias de saúde da família, e também porque a equipe dentro da sala de vacina vai a campo também fazer as vacinações. Eles são os profissionais de referência da população.”

Quando Maria Lúcia entra em contato com uma família que não vacinou a criança no momento recomendado e fica constatado que aqueles responsáveis não vão conseguir levá-la à sala de vacina, o técnico de enfermagem João Victor Pinho, de 23 anos, carrega sua caixa térmica com as doses necessárias e a acompanha para colocar em dia mais uma caderneta de vacinação. O técnico conta que é preciso informar devidamente cada responsável antes de aplicar as vacinas, principalmente em tempos de fake news.

“Os pais são informados de quais são as vacinas, contra o que elas protegem e quais são as reações que podem acontecer. Isso é importante principalmente depois dos períodos que passamos, em que foi tão falado que vacinas fariam mal. As pessoas estão com mais desconfiança”, conta ele.

“Ver as crianças desde a primeira vacina e fazer esse acompanhamento é muito gratificante. Esse sistema de busca ativa que nós realizamos, com essa importância de irmos atrás, é porque reconhecemos que há uma necessidade, mas muitas vezes não há uma disponibilidade dos pais e responsáveis. É uma experiência única acompanhar a trajetória das crianças que vem aqui se vacinar”, completa. 

Uma das visitas de Maria Lúcia e João Victor foi à casa dos trabalhadores autônomos Danielly Martins, de 23 anos, e Patrick Rodrigues Viana, de 26. O casal tem dois filhos, e o mais novo, Murillo Luiz Martins, de 7 meses, acabou perdendo a terceira dose da vacina pentavalente, que previne contra tétano, difteria, coqueluche, hepatite B e contra o vírus Haemophilus influenzae B, causador de meningites e pneumonias. Para quem está na informalidade, perder um dia de trabalho muitas vezes não é uma opção, conta Danielly, que também aproveitou a visita para discutir métodos contraceptivos com Maria Lúcia.

Rio de Janeiro (RJ), 16/09/2023 – A família do bebê Murillo Luiz Martins, sua irmã Maria Helena Martins, os pais Patrick Rodrigues Viana e Danielly Martins durante atendimento para vacinação em residência, em Irajá, na zona norte da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 16/09/2023 – A família do bebê Murillo Luiz Martins, sua irmã Maria Helena Martins, os pais Patrick Rodrigues Viana e Danielly Martins durante atendimento para vacinação em residência, em Irajá, na zona norte da capital fluminense. Tomaz Silva/Agência Brasil

“Só de eu não ter que ir na clínica, com o tanto de coisa para fazer no meu trabalho e em casa, já me ajudou bastante”, conta Danielly, que estava incomodada com o atraso da vacinação, mas não conseguia reservar um horário entre a rotina de trabalhar e levar a filha mais velha para a creche.

“Sempre tento deixar todas [vacinas] em dia. Eu sempre vejo fake news, mas eu não acredito. Eu quero o bem para os meus filhos. Tem que estar vacinado e ponto. Eu acredito no SUS e acabou”, acrescenta ela. 

Na visita, João Victor conferiu a caderneta de vacinação de Murillo e aproveitou a oportunidade para aplicar a terceira dose da vacina inativada contra a poliomielite, que também é recomendada para o sexto mês de vida.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Mayra Moura destaca que a capacitação dos profissionais da ponta é fundamental para que eles tenham clareza na hora de informar, segurança para vacinar e também saibam reconhecer oportunidades como essa quando a criança está disponível para ser imunizada.

“Se não têm a capacitação, esses profissionais não vão ter a segurança para fazer tudo isso. Se o agente de saúde não tem uma capacitação específica para vacina, ele não vai conseguir avaliar uma carteira de vacinação, pelo menos para identificar o que possivelmente está faltando, ou se existe alguma vacina indicada para um adulto, idoso ou adolescente”, diz Mayra Moura, que acrescenta. “E o profissional de enfermagem na sala de vacinação também precisa ter muito treinamento, informação e segurança, porque a gente sabe que tem muito profissional de saúde que acaba tendo até questões relacionadas à vacina, porque não tem certeza, ouviu dizer alguma coisa e também fica inseguro. E, se um paciente questionar, ele não tem segurança para responder. Ter esse profissional bem informado e seguro é fundamental para conseguir a adesão do paciente.”

Integrante da coordenação de epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Maria Rita Donalisio alerta que, apesar da crescente complexidade dos calendários de vacinação e do aumento da desconfiança das famílias em relação às vacinas, o cenário atual no Brasil é de contratos de trabalho precarizados nas salas de vacina e nas estratégias de saúde da família, com baixos salários, terceirização e alta rotatividade.

Rio de Janeiro (RJ) -  Rita Donalisio para a matéria sobre rotatividade de profissionais na vacinação impacta coberturas
Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Rio de Janeiro (RJ) – Rita Donalisio, representante da Abrasco – Arquivo pessoal/Divulgação

“É preciso reforçar essas equipes locais de saúde da família, da atenção primária, porque é na atenção primária que a gente garante a integralidade do cuidado”, afirma. “É preciso investimento em carreira, estabilidade, concursos, para que esses profissionais possam ser treinados e não ter tanta rotatividade, e adquirirem cada vez mais experiência na vacinação. Investir nos concursos e nas carreiras, com remuneração justa, é investir no SUS e no PNI.”

Capacitar, valorizar e manter profissionais como o agente comunitário de saúde, defende Maria Rita Donalisio, é estratégico para a recuperação das coberturas vacinais: “A gente precisa resgatar no território essas pessoas que, muitas vezes, estão desinformadas. E o agente comunitário conhece por nome essas pessoas, ele é do território e têm passagem livre. E tudo isso pensando que o atendimento tem que ser integral. E não só a criança. O idoso, o hipertenso, o diabético precisam ser incentivados a tomar vacinas.”

Rio de Janeiro (RJ), 15/09/2023 – A coordenadora geral da ONG Criola, Lúcia Xavier posa para fotografia para a Agência Brasil. 
Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil
Lúcia Xavier, da ONG Criola, acredita que compromisso do servidor público com o cuidado à saúde faz diferença para a população – Tomaz Silva/Agência Brasil

Coordenadora e fundadora da organização não governamental (ONG) Criola, a assistente social e ativista dos direitos das mulheres negras Lúcia Xavier também vê como primordial a atuação desses profissionais na mobilização da comunidade em prol do sucesso da vacinação. Ela lembra que as grandes campanhas de vacinação da década de 1980 contaram com forte participação social, e isso também foi resultado da articulação dos profissionais da ponta.

“Os 50 anos de bons resultados de PNI vão ao encontro não só da experiência, do esforço e da atuação política desses profissionais, mas também da própria comunidade, que é convidada a apoiar as campanhas de imunização”, afirma ela.

“A presença desses profissionais no campo, trazendo a responsabilidade, mas também o compromisso do servidor público com o cuidado à saúde faz muita diferença para a população. Traz a ideia do cuidado, da participação e da confiança no serviço público. Isso quem passa para a população é o profissional de saúde.

Resultados

O trabalho de ir à casa das famílias é caro e mobiliza profissionais que têm outros afazeres na unidade de saúde, mas dá resultado. No Rio de Janeiro, as ações de Maria Lúcia e João Victor são parte do programa Geovacina, que começou em maio para fortalecer a busca ativa. Desde então, o número de unidades com cobertura vacinal de seus pacientes menor que 80% caiu de 134 para 44. Já as que tinham entre 80% e 95% de cobertura passaram de 100 para 173. Por fim, as que que já tinham batido a meta de pelo menos 95% de cobertura aumentaram de duas para 20.

O programa usa como referência a cobertura da vacina pentavalente, que deve ser aplicada aos 2, 4 e 6 meses e estava em atraso no caso do Murillo Luiz. Os técnicos e agentes comunitários de saúde, ao procurarem as famílias que perderam o prazo, conferem toda a caderneta de vacinação, o que também tem elevado a cobertura de outras vacinas.

A imunização contra a poliomielite, por exemplo, saltou de uma cobertura de 66,8%, em 2022, para 97,9%, em 2023, alcançando, no Rio de Janeiro, a meta de 95% definida pelo Programa Nacional de Imunizações. A vacina meningocócica C também apresenta melhora, de 67,2% para 86,3%, embora ainda esteja abaixo da meta. Já a pentavalente avançou de 66,1% para 80,5%.

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, destaca que a busca ativa também precisa vir acompanhada do fortalecimento da estratégia de saúde da família, já que essas equipes aplicam a imensa maioria das vacinas do Programa Nacional de Imunizações. No Centro de Inteligência Epidemiológica do Rio de Janeiro, um telão do Geovacina mostra em tempo real todas as crianças em idade de se vacinar como pontos que marcam seus endereços na cidade. As que estão em dia com a pentavalente são pontos verdes, e as que estão em atraso são pontos vermelhos.

Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2023 – O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz durante entrevista à Agência Brasil no Centro de Operações (COR), na Cidade Nova, região central da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2023 – O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz durante entrevista à Agência Brasil no Centro de Operações (COR), na Cidade Nova, região central da capital fluminense.- Tomaz Silva/Agência Brasil

“Com o Geovacina, consigo ver quais crianças que estão no Sistema Nacional de Nascidos Vivos que já poderiam ter tomado a primeira dose, e as que já tomaram a primeira dose e que não tomaram a segunda ou a terceira dose, e buscá-las no mapa. Cada pontinho é uma criança”, explica o secretário, que acrescenta que o sistema informa a clínica da família e a equipe de saúde da família que será responsável por buscá-la.

“O Programa Nacional de Imunizações avançou muito com a tecnologia em tempo real. Hoje, a gente consegue saber quem tomou vacina ou não tomou, online e em tempo real”, destaca Soranz.

Para retomar as coberturas vacinais, a prefeitura do Rio de Janeiro tem adotado uma série de estratégias previstas no leque de ações de microplanejamento para vacinação disponibilizado pelo Ministério da Saúde, como a vacinação nas escolas, a vacinação extramuros em locais de grande circulação, pontos de vacinação com horário estendido e a própria busca ativa.

Segundo Soranz, a busca pelas famílias tem mostrado que os principais motivos para o atraso na vacinação nas crianças são esquecimento, falta de tempo ou algum adoecimento no momento em que a vacina estava prevista. “Um percentual muito pequeno é de famílias que não acreditam ou têm medo da vacinação. Felizmente, no Rio de Janeiro, essa é uma exceção.”

Criada no condomínio em que hoje confere cadernetas de vacinação e orienta famílias, a agente comunitária de saúde Bruna Maluf, de 28 anos, trabalha na mesma clínica da família que João Victor e Maria Lúcia, que conta ter visto a colega de trabalho crescer. 

Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2023 – A agente comunitária de saúde, Bruna Maluf durante entrevista à Agência Brasil na Clínica da Família Pedro Fernandes Filho, em Irajá, na zona norte da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2023 – A agente comunitária de saúde, Bruna Maluf durante entrevista à Agência Brasil na Clínica da Família Pedro Fernandes Filho, em Irajá, na zona norte da capital fluminense. Tomaz Silva/Agência Brasil

Na função há um ano, Bruna diz que o contato com os vizinhos e outros usuários do SUS tem ensinado lições importantes sobre como funciona a saúde pública, quais dúvidas precisam ser esclarecidas e que fatores influenciam nas decisões de cada família. 

“Eu moro no meu território desde os 4 anos, então, isso me facilita muito. Quando nós andamos pela rua, minha mãe brinca que é como se eu tivesse virado política, porque estou andando na rua e dando tchau para todo mundo. Quando alguém não me conhece e desconfia, eu falo que pode ficar tranquilo, que eu moro aqui”, conta, ela, que está se formando técnica de enfermagem e aprendeu a entender melhor que tipo de dúvidas são mais frequentes e como respondê-las. “O trabalho me ajuda muito no curso, e o curso me ajuda muito no trabalho.”



Governo emitirá títulos verdes na Bolsa de Nova York

Foto: Washington Costa/MPO

O governo brasileiro emitirá títulos verdes, com o objetivo de captar US$ 2 bilhões – cerca de R$ 10 bilhões, na cotação atual – na Bolsa de Nova York. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o valor ainda não está definido, uma vez que a palavra final será do Tesouro Nacional, dependendo, também, do interesse a ser despertado nos investidores estrangeiros. A ideia é a de usar esses recursos no financiamento de projetos ambientalmente sustentáveis.

Haddad encontra-se em Nova York, acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa da abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Lula e alguns de seus ministros têm se reunido com empresários e com autoridades do governo norte-americano. Nesses encontros, o governo brasileiro tem buscado atrair o interesse do investimento estrangeiro para projetos sustentáveis. Haddad disse ter concluído um road show em 36 eventos diferenciados.

“Já atendemos mais de 60 fundos de investimento. A receptividade é a melhor possível, sobretudo porque esse recurso fica carimbado para financiar projetos sustentáveis, com taxas de juros mais convidativas do que nós temos hoje”, informou o ministro.

Sobre o valor dos títulos verdes, estimado em R$ 10 bilhões, segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Haddad disse que esse é o “começo de um processo”.

“Estamos em período de silêncio agora. Portanto, o Tesouro vai julgar a conveniência do quanto [valor] e do quando colocar esses títulos. Mas eu queria dizer que esse recurso é um recurso inicial, muito pequeno, porque o Brasil tem condição de captar muitos recursos no exterior, uma vez que temos a melhor matriz energética do mundo. É uma das mais limpas do mundo. Temos condição de dobrar a produção de energia limpa num prazo inferior a 10 anos, sendo que especialistas dizem que isso pode ser feito em 5 anos”, explicou o ministro.

Ele acrescentou que a produção de energia limpa pode ser exportada na forma de hidrogênio verde, mas que a prioridade será a de utilizá-la internamente, ajudando a indústria a agregar valor às matérias-primas e, em especial, para a neoindustrialização do país.

“Você pode exportar no produto manufaturado. Daí a razão pela qual a energia verde pode se complementar com a questão da neoindustrialização do país”, disse.

“Estamos começando a discutir a questão da industrialização do Brasil, a partir dessa matriz. Mas entendemos que não precisamos nos resignar à condição de exportadores de energia limpa, que é o que o mundo gostaria que fizéssemos. O Brasil vai produzir e exportar energia limpa, mas nós entendemos que uma boa parte dessa energia limpa tem que ser consumida no Brasil para manufaturar produtos verdes. Esse é o nosso objetivo último”, acrescentou.

Taxação dos super-ricos

Sobre as polêmicas envolvendo a tributação de offshores e de fundos exclusivos, proposta pelo governo com o intuito de tributar os chamados “super-ricos”, Haddad disse ver com naturalidade o fato de a proposta gerar inquietação, mas que confia na forma como o Congresso Nacional tratará a questão.

“Às vezes, toda medida que você toma gera alguma inquietação. Mas vamos rever isso. A verdade é que o Congresso está debruçado sobre todas as ações que a gente do Ministério da Fazenda [enviamos], com um grau de abertura bastante significativo. Às vezes sugere alguma emenda, o que é natural em um processo democrático”, disse.

“Mas o clima é favorável a tudo. Estamos aqui com o presidente da Câmara [Arthur Lira], com o presidente do Senado [Rodrigo Pacheco] e com o presidente da República em um evento de projeção da imagem do Brasil no mundo. Temos de aproveitar esse momento de harmonização dos poderes para fazer a agenda avançar. Quanto mais cedo nós colhermos os frutos dessa agenda, mais facilmente a economia brasileira vai decolar para patamares de crescimento compatíveis com o nosso potencial”, complementou.

Agência Brasil



Onda de calor marca última semana do inverno

A última semana do inverno será marcada por uma onda de calor que vai atingir a maior parte do país. A previsão é de temperaturas acima de 42ºC em algumas localidades a partir de sexta-feira (22). O inverno termina no sábado (23), e terá início a primavera.

As áreas que deverão ter recordes de temperaturas são Centro-Oeste, Norte e interior de São Paulo. Na capital paulista, por exemplo, é esperado que os termômetros marquem mais de 35ºC no final da semana, conforme as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Na manhã desta segunda-feira (18), o Inmet já emitiu alerta de perigo da onda de calor até as 18h de sexta-feira. Esse aviso ocorre quando as temperaturas máximas excedem em pelo menos 5ºC a média histórica do período.

“Vale ressaltar que a intensidade do aviso está relacionada com a persistência do fenômeno [número de dias consecutivos] e não aos desvios de temperatura absolutos em si”, explica o Inmet.

O aviso será reavaliado diariamente, conforme o instituto.

A onda de calor vem associada dos baixos índices de umidade relativa do ar, aumentando a probabilidade de queimadas no Sudeste e Centro-Oeste, regiões que ainda estão no período de seca.

O que é a onda de calor? A onda de calor ocorre por causa do tempo seco e queda da pressão atmosférica, que impede a formação de nebulosidade e afasta o avanço das frentes frias.

“A onda de calor é promovida pelas condições de tempo predominantemente seco, com aumento da insolação, e favorecida pela subsidência atmosférica – quando a pressão atmosférica entre os níveis médios e a superfície aumenta, inibindo o desenvolvimento de nebulosidade, aumentando, também, a temperatura da massa de ar”, informa o Inmet.

O que ocorre com o corpo quando faz muito calor?

Quando fica exposto às temperaturas muito quentes, o corpo humano tenta se refrescar. Porém se o corpo não consegue, o organismo pode chegar à exaustão por calor. Os principais sintomas são tontura, dor de cabeça, transpiração excessiva e fadiga. Pode ocorrer ainda uma insolação, em que se deve procurar ajuda médica.

Nos casos extremos, o paciente pode sofrer falência de órgãos e até morte.

Cuidados

Qualquer pessoa está sujeita a sofrer os impactos do calor. Porém, crianças, idosos, pessoas acamadas, doentes crônicos e gestantes são vulneráveis.

Algumas medidas podem aliviar e evitar as complicações:

– Beber mais água e líquidos. O ideal é ingerir um copo de água por hora ou 2 a 3 litros por dia;

– refrescar-se com lenços úmidos, spray ou panos molhados no rosto;

– procure ficar em locais frescos, com sombra;

– evite praticar exercícios físicos nos horários mais quentes;

– use roupas leve;

– verifique com frequência o estado de saúde de idosos acima de 65 anos, especialmente aqueles com doença cardíaca, problemas pulmonares e nos rins;

– em caso de mal-estar intenso, procure um médico.

* Com informações da ONU News



Total de eleitores de Lula otimistas com o futuro da economia cai de 79% para 66% no ano, diz Datafolha

Otimismo de eleitores em relação a economia cai em setembro / Foto: Reprodução

A parcela de eleitores do presidente agorarnque projeta melhora na economia vem caindo desde dezembro do ano passado. Em contrapartida, aumenta a fatia de pessimistas entre os que declaram ter votado em Jair Bolsonaro (PL).

O estado de ânimo dos eleitores com o futuro econômico do Brasil foi mapeado pelo Datafolha. A nova pesquisa, realizada nos dias 12 e 13 deste mês, promoveu 2.016 entrevistas em 139 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Na pesquisa realizada em dezembro, 79% dos que declaravam ter votado em Lula no segundo turno projetavam que a economia do país iria melhorar nos meses seguintes. Essa parcela teve uma pequena redução na pesquisa feita em março deste ano, que marcou a análise dos cem dias de governo. Ali ocorreu uma leve retração dos otimistas, com 76%.

Em setembro, a parcela de eleitores com projeção de melhora caiu para 66% –uma retração de 10 pontos percentuais em cerca de seis meses.

Não chega a ocorrer uma alta expressiva no grupo de eleitores do presidente que projetam piora no cenário econômico. Essa parcela foi de 1% no ano passado, subindo para 5% e 7%, respectivamente, em março e setembro.

O que cresceu neste início de governo foi a fatia que estima estabilidade no cenário, sem melhora ou piora, daqui para frente. Esse grupo reunia 18% dos eleitores em dezembro e março, e subiu para 25% em setembro.

Os eleitores de Lula estão seguindo a tendência geral. Há uma retração no número dos que projetam melhora na economia, mas a queda é mais modesta.

O pico de projeção de melhora na economia na média geral dos entrevistados foi registrado na pesquisa realizada em outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições a presidente. Naquele momento, 62% projetavam melhora na economia.

A partir daí, essa parcela foi encolhendo, passado para 49% em dezembro, 46% em março e 41% em setembro.

Quem vê piora no cenário empata com quem projeta que a economia vai ficar como está. Eram 28% em cada grupo nos cem dias de governo. Em setembro, voltou a ficar praticamente empatado, com, respectivamente, 28% e 29% em cada grupo.

Também está em queda a parcela de pessoas que projeta melhora para a sua economia pessoal. Depois do pico em outubro, em que 70% esperam melhora na sua economia, a parcela caiu para 59% em dezembro, 56 em março, ficando praticamente estável em 55% em setembro.

Cresceu o número de pessoas que acreditam que vão entrar numa fase de estabilidade financeira. Essa parcela representava 28% em dezembro e março, e subiu para 31% em setembro.

A pesquisa identificou que, assim como ocorre na política, a polarização persiste na economia, colocando eleitores de Lula e Bolsonaro em campos opostos nas previsões econômicas.

Entre os que se declaram eleitores de Jair Bolsonaro, a pesquisa Datafolha registra contínuo aumento no pessimismo.

Em dezembro, 43% dos bolsonaristas previam piora no cenário econômico. Em março, a parcela subiu para 50%, em setembro, passou para 52%. Trata-se de uma alta de 9 pontos percentuais no período.

A parcela que acreditava em melhora no plano econômico foi no caminho inverso. Caiu de 19% em dezembro para 18% na pesquisa feita em março. Agora, somam 16%.

Afora o componente político da expectativa, que traz antagonismo nas projeções, os cenários também oscilam entre os economistas, e voltaram a piorar quando miram 2024. No final do ano passado, a expectativa era que o PIB (Produto Interno Bruto) de 2024 avançaria 1,7%. Agora, a projeção caiu para 1,3%.

Entre os especialistas, no entanto, as projeções para a economia têm sido revistas com muita frequência, para cima e para baixo.
No dia a dia, a população está submetida a duas forças econômicas que vão em sentidos antagônicos e dificultam previsões.

A primeira é o efeito da política monetária. Como a inflação começou a ceder, o Banco Central, em agosto, passou a reduzir a Selic, a taxa básica, mas os efeitos práticos vão demorar a serem sentidos na vida das famílias. O longo período de três anos de juros em alta (saiu de 2% em agosto de 2020 para 13,75% em agosto de 2022, quando se estabilizou antes da queda) ainda tem efeito contracionista sobre a economia.

No sentido oposto, o governo Lula adotou medidas expansionistas, que ajudam a sustentar o consumo das famílias. Deu aumento real ao salário mínimo, para R$ 1.320. Elevou o Bolsa Família de R$ 40 bilhões para R$ 168 bilhões. Negociou reajustes para os servidores.

FolhaPress – Alexa Salomão