O governo federal simplificou algumas medidas de controle adotadas em decorrência da pandemia de covid-19 para a entrada de estrangeiros no país.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a publicação da Portaria Interministerial nº 678 no Diário Oficial da União de segunda-feira (12), o viajante não precisará mais cumprir uma série, mas apenas alguns dos requisitos necessários ao ingresso em território nacional.
Em nota, a Anvisa diz que a medida simplifica os controles hoje existentes, pois permite a qualquer viajante cumprir algum dos requisitos necessários. Segundo a agência, o visitante pode, por exemplo, optar por apresentar apenas o comprovante de vacinação, ou um teste com resultado negativo, ao chegar ao Brasil.
As novas regras já estão em vigor e devem ser observadas por viajantes e operadores de transporte nos modais aéreo, aquaviário e terrestre.
A Anvisa acrescenta que a recomendação é reiterada por posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ressalta que as “políticas para testes e quarentena devem ser revisadas regularmente”, de forma a garantir que sejam suspensas quando não mais necessárias.
Referindo-se à alteração promovida pela portaria nas regras para a entrada de viajantes no Brasil, a Anvisa lembra o alerta da OMS para a necessidade de serem oferecidas alternativas de viagem para indivíduos não vacinados, como por meio do uso de testes de detecção.
Até ontem, o índice de vacinação contra a poliomielite no Estado era de 25,32%. Foto: Adriano Abreu
O Rio Grande do Norte é o Estado do Nordeste com pior índice de vacinação contra a poliomielite, de acordo com os dados do Ministério da Saúde (MS). Apenas 25,32% do público-alvo (crianças de 1 a 5 anos de idade) estava imunizado contra a doença na tarde dessa sexta-feira (9). Os dados do MS apontam, ainda, que o RN ocupa a 24ª posição no ranking nacional em relação à taxa de vacinação, ou seja, a quarta pior do Brasil. A baixa adesão em todo o Brasil fez com que a Campanha Nacional de imunização fosse prorrogada até o dia 30 de setembro.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) disse que os índices preocupam e alerta aos municípios para a promoção do fortalecimento das “ações de vigilância epidemiológica das paralisias flácidas agudas e das ações de vacinação, no sentido de proteger as crianças menores de cinco anos e alcançar altas e homogêneas coberturas vacinais na rotina e nas campanhas”.
Conforme a Secretaria, as ações são necessárias para evitar “a reintrodução dessa grave doença no Estado e no País”. O último caso de poliomielite foi registrado no RN em 1989, em São José do Seridó. Dentre as estratégias da pasta para mudar o cenário atual, estão a realização de mais um “dia D”, previsto para ocorrer no próximo dia 17. O maior evento do tipo aconteceu no dia 20 de agosto, mas com “resultado muito aquém do esperado”, segundo a Sesap.
“O reflexo das baixas coberturas é a vulnerabilidade das crianças e o possível retorno de doenças já erradicadas”, afirmou a coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Kelly Lima. A vacina é o único meio de proteção contra a poliomielite, também chamada de paralisia infantil. A doença é causada pelo poliovírus, e pode ser transmitida por contato direto pessoa a pessoa, de forma mais frequente pela via fecal-oral, mas também por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores. A transmissão também pode ocorrer pela via oral-oral, através de gotículas de secreções da orofaringe ao falar, tossir ou espirrar. Em sua forma grave, a pólio pode causar paralisação nos membros inferiores e até a morte.
O imunologista Leonardo Lima explica que, mesmo erradicada (em 1994), o vírus segue em circulação e, por isso, a vacina é primordial. “Sem imunização, um grupo de crianças não vacinada pode ser afetada com uma forma grave da doença. E isso reforça, certamente, o papel dos pais na prevenção e no cuidado dos filhos”, diz. Para atrair o público para a campanha, o especialista afirma que são necessárias novas estratégias, como a disponibilização da vacina em escolas, por exemplo.
“Evidentemente que colocar o imunizante aos finais de semana [como acontece com o “dia D] é importante porque atinge um público que trabalha de segunda a sexta e não tem tempo de levar os filhos para o posto de saúde. Mas, descentralizar a vacinação para as escolas, sejam públicas ou privadas, vai permitir uma maior adesão e de forma mais rápida e mais efetiva”, sublinha Leonardo Lima.
Durante os últimos dias, houve acúmulo de macas no Walfredo Gurgel. No dia 07 de setembro, fila chegou a ter 100 pessoas. Foto: Adriano Abreu
O Hospital Estadual Walfredo Gurgel voltou a registrar superlotação em corredores e em leitos de enfermaria da unidade, que é o maior hospital público do Rio Grande do Norte. A fila no Walfredo até o fechamento da edição era de 80 pessoas aguardando cirurgias ou transferência para outros hospitais, com perspectiva de diminuição deste número nesta sexta-feira (09). Na última quarta-feira (07), eram pelo menos 100 pacientes. Como a demanda ortopédica é a maior do Walfredo, a Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap) vai abrir leitos em duas unidades para tentar minimizar o problema.
De acordo com o secretário de Saúde do RN, Cipriano Maia, há perspectivas de abertura de 12 leitos específicos de ortopedia em até 30 dias no Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim. A expectativa é ter mais um espaço de apoio para cirurgias ortopédicas além do Walfredo Gurgel. O Deoclécio já tem capacidade para cirurgias.
“Estamos buscando ativação de leitos, já fizemos no João Machado nas últimas semanas, fizemos no Giselda, com ativação de 30 leitos que estavam desativados no pós-pandemia e estamos na perspectiva de ativar 12 leitos de ortopedia de enfermaria no Deoclécio Marques, onde já ativamos 06 leitos de UTI”, apontou.
Segundo a Sesap, foram abertos 8 leitos de neurocirurgia no João Machado e outros 10 leitos gerais, com expectativa de se abrir outros seis leitos clínicos na semana que vem.
“Nossa equipe está trabalhando na desospitalização, que é uma orientação que já estamos fazendo. Se o paciente foi atendido por um trauma e pode esperar em casa, que vá esperar em casa com garantia de cirurgia marcada, como também viabilizando a transferência de pacientes para outros hospitais que possam recebê-los por estarem estáveis, por estarem apenas completando um tratamento de medicamentos e com isso desafogarmos o hospital”, comenta.
De acordo com o secretário de Saúde do RN, Cipriano Maia, o problema da superlotação do Walfredo Gurgel está associado a acidentes automobilísticos e fraturas entre pessoas idosas, o que representam a maioria dos atendimentos da unidade. O Walfredo é voltado para pacientes clínicos graves e pessoas politraumatizadas, além de vítimas de arma de fogo e arma branca.
“Temos tido uma sobrecarga em parte de acidentes que têm aumentado a demanda do Walfredo e de outras demandas que lá chegam, como acidente vascular encefálico e na ortopedia quedas com idosos. E o fato de não termos na Grande Natal nenhuma outra porta para resolver outros problemas simples da ortopedia, como uma situação que não precisa de cirurgia, isso leva a sobrecarga do Walfredo”, disse.
Regulação Ainda segundo o secretário de saúde, Cipriano Maia, já há regulação no Hospital Walfredo Gurgel desde o final de dezembro do ano passado, isto é, quando o paciente já vem encaminhado de outro serviço de saúde com a garantia de ser atendido. Outra questão que leva a superlotação são as chamadas “ambulâncias brancas”, que em alguns casos vêm do interior do Estado sem regulação.
“Precisamos destacar que o problema não é o Walfredo, é o sistema de saúde como um todo. Quando você não tem a resposta adequada em todas as esferas de atenção, finda sobrecarregando as portas de urgência, porque não fecha portas, diferentemente do privado, que quando sobrecarrega, fecha. Os hospitais públicos não fecham portas, atende nas condições e onde tiver”, disse.
Para a vice-presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do RN (Cosems-RN), Dailva Bezerra, o problema “se arrasta há vários anos” e “os hospitais regionais precisam serem otimizados para uma maior abrangência de serviços e assistência”.
“Tem alguns períodos que o sistema dá uma vazão e que tem a ver com o momento epidemiológico do território, organização dos serviços, com a sua resolutividade de porta. Neste momento, temos discutido com a Sesap sobre as portas que estão abertas para receber os encaminhamentos do Walfredo, pois houve um aumento no Estado em acidentes e outros agravos e não podemos ficar com as macas represadas, pois os municípios ficam sem esse serviço no seu território”, comentou.
“Os municípios têm o papel de atender a atenção primária e sua baixa complexidade. Em sua média, temos municípios polos que atendem uma complexidade maior, mas somos pactuados a encaminhar a maior complexidade para nossa porta de referência de média mais complexa e de alta complexidade, através de um sistema regulatório, que terá que dar vazão para outras portas, como por exemplo o hospital Deoclécio Marques, Huol, o município de natal, Memorial/Paulo Gurgel e os hospitais Regionais. Mas reafirmo que os municípios estão cumprindo a sua missão”, finalizou.
Em nota enviada à TN, a diretoria do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern) disse que a superlotação é um tema “preocupante”.“Considera-se um problema estrutural, crônico, pela falta de uma rede de assistência, na qual se inclui uma assistência primária e secundária adequada nas diversas regiões do Estado. O Cremern, por ser um órgão com competência legal para fiscalizar a prática médica, tem realizado fiscalizações no HMWG e a partir dos relatórios de fiscalização se discute em plenária a busca de soluções. No entanto, trata-se de um problema complexo que exige da gestão a organização estrutural”, diz nota.
“No ponto de vista paliativo, será necessário um trabalho de diagnóstico, que especifique a causa atual da superlotação. A partir dessas informações deve-se buscar soluções, que amenizem essa situação. Considerando que a superlotação compromete a assistência médica, o Cremern, junto ao seu departamento de fiscalização, fará uma nova fiscalização”, acrescenta.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso suspendeu a exigência da Lei nº 14.314/2022, que cria o piso nacional da enfermagem, e deu prazo de 60 dias para que União e outros entes públicos e privados se manifestem no processo. A decisão foi publicada neste domingo (4/9) e ainda será submetida ao plenário.
Em 10 de agosto, a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) e outras sete entidades, entre elas a Federação Brasileira de Hospitais (FBH), pediram a suspensão da Lei nº 14.314/2022, que estabelece o piso de enfermeiros em R$ 4.750; 75% desse valor para técnicos de enfermagem e 50% para auxiliares de enfermagem e parteiras.
Entretanto, a decisão do ministro na ação Direta de Constitucionalidade (ADI) 7222 ainda não analisou a constitucionalidade da nova legislação, ampliando o período de defesa. A decisão será levada ao plenário virtual nos próximos dias. Se for mantida, ao fim dos 60 dias, Barroso deverá reavaliar o caso.
Sesap reforça que a população procure os postos de vacinação
Para aumentar o percentual de cobertura vacinal contra a influenza no RN – que atualmente está em 54,5% – a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) convoca a população, a partir dos seis meses de idade, que ainda não está imunizada a procurar os postos de vacinação até o dia 30 de setembro, data que encerra a campanha em 2022.
“A Influenza já matou mais de 1.700 pessoas no Brasil apenas em 2022 e 70% dos óbitos por influenza no país são pessoas que estão dentro dos grupos prioritários da campanha. É importante que as pessoas se vacinem para que não tenhamos um novo surto da doença devido às baixas coberturas vacinais.” disse Laiane Graziela, coordenadora do Programa de Imunização da Sesap.
Polio
Em setembro também, no dia 09, encerra a Campanha Nacional de Multivacinação que foca principalmente na vacina contra a poliomielite para a faixa etária de 1 ano a menores de 5 anos de idade, além de reduzir o número de não vacinados entre crianças e adolescentes menores de 15 anos de idade.
A estratégia da multivacinação se justifica diante do cenário de baixas coberturas vacinais em todo o país e pela reintrodução do sarampo no Brasil. Atualmente, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Amapá registram surto da doença, de acordo com o Ministério da Saúde. Outras doenças, até então controladas como a poliomielite também correm esse risco.
Até o dia 25 de agosto o percentual de vacinação contra a poliomielite no Rio Grande do Norte estava em 15,02% e a meta é vacinar 95% das crianças menores de 5 anos, totalizando 229.282 crianças no estado. Desde 2017 o RN não vem conseguindo atingir o percentual de cobertura para a pólio estipulado pelo Ministério da Saúde. Em 2021, o número foi de 69,88%; em 2020 um total de 69,7%; em 2019 atingiu 80,74%; em 2018 obteve 90,32% e chegou aos 69,52% em 2017. O último caso da pólio registrado no RN ocorreu em 1989, no município de São José do Seridó.
“É fundamental garantir a proteção dessas crianças para que doenças já erradicadas, como a pólio, não voltem para o nosso país”, reforçou a coordenadora do Programa de Imunização da Sesap.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) lança nesta segunda-feira (29) o Guia de Cuidados e Higiene, visando esclarecer a população em relação a hábitos simples, mas sobre os quais muitas pessoas têm dúvidas.
A publicação, que estará disponível gratuitamente no site da entidade, revela os cuidados básicos e diários com a higiene do corpo que podem evitar micoses e outras doenças contagiosas que afetam a pele, o cabelo e as unhas. O guia tem linguagem acessível e didática e traz esclarecimentos sobre informações falsas e, muitas vezes, distorcidas, que são veiculadas em redes sociais. A SBD preparou também dois podcasts (conteúdos em áudio) com orientações sobre os problemas causados por fungos na forma de micoses que afetam pele e unhas, principalmente.
Como maior órgão do corpo humano, a pele acaba sendo suscetível a doenças, como infecções causadas por fungos ou bactérias que, se não forem diagnosticadas e tratadas, podem se agravar e atingir órgãos internos. Neste contexto, a higiene é o melhor caminho para uma pele saudável, adverte a entidade.
Banhos
Coordenadora do Departamento de Micologia da SBD e autora do guia, Rosane Orofino disse que, com a publicação, as pessoas vão saber, por exemplo, que tomar banho uma vez por dia é suficiente para a limpeza corporal. “Pelo menos uma vez. Tem gente que não toma nenhuma”, alerta.
Ela criticou, por outro lado, a mania de limpeza excessiva, que considera tão prejudicial como a falta de limpeza. “A mensagem é essa: não exagere nem para um lado, nem para o outro. Lavar o rosto compulsivamente várias vezes ao dia, tomar banho três, quatro vezes ao dia, isso não faz bem. Não é benefício à pele nem à saúde.”
Ainda em relação ao banho, ela afirma que o ideal é que seja com água morna, próxima de 37°C, a temperatura normal do corpo, uma vez que banhos muito quentes ressecam a pele. Se a intenção for tomar uma ducha antes de sair para fazer exercícios, o banho pode ter a temperatura de morna para fria. “Banhos mais frios podem ser tomados se a intenção é despertar o corpo para um exercício”, sugeriu.
Outra dica é secar bem, logo após o banho, as regiões da pele com dobras. Segundo a médica, fungos e bactérias gostam muito de ambiente quente e úmido e, por isso, infecções de pele são tão frequentes em países de clima tropical e subtropical.
“A gente deve manter todas essas regiões de dobras bem arejadas. É por isso também que não se deve repetir uma meia, antes de lavá-la. Suas escamas estão naquela meia e você vai se reinfectar. As escamas são invisíveis. A gente troca a pele diariamente, só que a gente não vê. E os fungos ficam ali, vivos, vamos dizer assim, por muito tempo, porque a pele é uma comidinha para o fungo. A queratina, camada mais superficial da pele, é comida para o fungo. Esses são chamados de queratinofílicos, eles gostam de queratina. E a queratina tem no solo, na vegetação, na pele dos animais e na pele do ser humano. Os fungos se alimentam disso também”.
Ambientes coletivos
Os cuidados com a higiene evitam que as pessoas tenham problemas como micoses que, em geral, são adquiridas em ambientes coletivos. A médica citou locais como vestiários, banheiros e piscinas públicas, em academias de ginástica onde a pessoa mistura escamas de sua pele, que são invisíveis, com as de outras pessoas que podem conter fungos ou bactérias. “O cuidado é importante. Não só os locais higienizarem os pisos, mas também a gente ter precaução.”
No entorno de uma piscina, deve-se usar chinelos de dedo. Quando for fazer ginástica ou pilates, em academias, é recomendável usar proteção para o pé, seja tênis ou meia antiderrapante. Em cadeiras utilizadas em piscinas, o ideal é que elas sejam higienizadas com frequência ou que a pessoa, na hora de deitar, coloque uma toalha sobre ela para que seu corpo não tenha contato direto com aquele móvel. “A micose ou a sarna podem ser pegas em locais onde a pessoa fica muito tempo, sem proteção, com a pele em contato direto com esses locais”.
O mesmo ocorre em relação a colchonetes ou aparelhos em academias de ginástica ou musculação. “A pele úmida já tirou a barreira. A barreira física dela vai embora. Por isso, a gente usa creme hidratante depois do banho. Se a gente está suando em um lugar onde uma pessoa tem uma micose, deixou as escamas ali e a gente está atritando com uma pele úmida, é capaz de adquirir uma doença de pele. A solução é higienizar os aparelhos e colchonetes com hipoclorito, colocar uma toalha ou estar vestido. A roupa também protege”.
Roupas
Roupas íntimas, como calcinhas e cuecas, devem ser lavadas diariamente. Deve-se trocar a roupa de cama pelo menos uma vez por semana, porque as pessoas suam e têm uma flora de bactérias. As colchas podem ser substituídas em intervalos maiores, de três em três meses. Para os travesseiros, a recomendação é que sejam usados protetores e que sejam lavados a cada três meses. O ideal, porém, é trocar os travesseiros a cada ano.
No caso de roupas, como blusas e camisas, vale usar uma vez e lavar. No caso de calças jeans, o correto seria lavar com frequência. Em dias muito quentes, no verão, por exemplo, como a umidade e o calor são alimentos para bactérias e fungos, é melhor lavar a peça após usar, por conta do suor.
Compartilhamento
Outro cuidado essencial para a saúde da pele é não compartilhar toalhas e sabonetes em barra. Os especialistas alertam: só é possível dividir produtos de higiene para o corpo quando não há contato direto da substância com as mãos, como em sabonetes líquidos ou em gel. Mesmo no caso de marido e mulher, esses itens não devem ser compartilhados. Rosane alertou que uma pessoa pode ter sarna e, se outra usar a mesma toalha, pode adquirir essa doença, que também é infecciosa. O mesmo deve ser feito em relação a escovas de dente. “A regra básica é que objetos de uso pessoal não devem ser compartilhados com ninguém, nem com a pessoa que é íntima sua”, ressaltou a dermatologista.
Ainda em relação a sabonetes, o guia da SBD destaca ser necessário cuidado com o tipo que é utilizado, porque o uso indiscriminado de produtos antissépticos provoca o ressecamento da pele e a remoção da camada protetora de gordura. Portanto, artigos desse tipo só devem ser utilizados sob recomendação médica, de preferência do dermatologista, e usados durante um tempo específico. “Eles são remédios, não são só sabonetes”.
Calçados
Em relação a calçados, se forem laváveis podem ir na máquina de lavar ou ficar de molho em balde com água e sabão. Já os não laváveis devem ser deixados em área arejada por 24 horas. Se a pessoa estiver tratando de micose nos pés ou nas unhas, o Guia aconselha o uso de desinfetante em spray, deixando depois em área arejada por 24 horas antes do próximo uso. O ideal é usar tênis e calçados fechados com meias, que podem ser lavadas normalmente sem contaminar o calçado.
Remédios
O Guia da SBD adverte ainda que a automedicação precisa ser evitada. Nenhum remédio deve ser usado sem indicação médica. O uso de antifúngicos ou outros medicamentos sem ter um diagnóstico correto pode mascarar a doença de base, havendo também risco de desenvolver alergia ao medicamento.
A orientação geral é que, quando surgirem irritações, incômodos ou coceiras, entre outros sintomas, a pessoa deve se consultar com um médico dermatologista o mais rápido possível. Essa ação proporcionará o melhor diagnóstico e o tratamento imediato, destacou o presidente da SBD, Mauro Enokihara.
A curva de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) segue em queda e se aproxima do nível registrado em abril de 2022, quando esteve no menor patamar desde a disseminação da covid-19 no Brasil, no primeiro semestre de 2020. A avaliação consta no novo Boletim InfoGripe, divulgado hoje (24) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com dados que vão até 20 de agosto.
Entre as 27 unidades da federação, apenas Acre e Roraima apresentam tendência de alta nos casos de SRAG na análise das últimas seis semanas, enquanto Distrito Federal, Espírito Santo e Paraná indicam estabilidade da incidência da síndrome. Nos outros 22 estados, o movimento é de queda.
Quando a análise se concentra apenas nas últimas três semanas, entretanto, há mais unidades da federação com tendência de alta, com destaque para Ceará, Paraíba e São Paulo.
A Fiocruz destaca que, apesar de o cenário ser, no geral, positivo, há um aumento recente no registro de casos no grupo de 5 a 11 anos na maior parte do país. Números preliminares mostram que, em alguns estados das regiões Centro-Oeste e Sul, se observa o predomínio de resultados positivos para rinovírus, o que indica a retomada dos vírus respiratórios usuais.
Para o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, apesar de esses vírus serem menos preocupantes que o novo coronavírus, ainda é preciso ter cautela.
“Tal cenário reforça a importância de cuidados mínimos, como boa ventilação das salas de aula e respeito ao isolamento das crianças com sintomas de infecção respiratória para tratamento adequado e preservação da saúde da família escolar”.
Lei 14.434 fixou salário da enfermagem R$ 4.750, independente do vínculo ser na iniciativa privada ou na rede pública. Foto: Rovena Rosa
Sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro no último dia 4 de agosto, o novo piso nacional da Enfermagem foi uma vitória comemorada pela categoria que agora teme não vê-la se concretizar. Isso porque, a nova lei preocupa Estados e Municípios sobre os recursos para esse aumento na folha de pessoal tendo o orçamento que já esbarra nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). No Rio Grande do Norte, pelo menos 140, dos 167 municípios que se enquadram no perfil de pequeno porte, dependem dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para equalizar as finanças e com os questionamentos feitos no Supremo Tribunal Federal (STF) por diversas entidades, o sindicato da categoria vê o risco da conquista não acontecer na prática e planejam mobilização com paralisações incluídas na pauta. O impacto nos municípios do RN pode ser de R$ 272,4 milhões, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
A presidente do Conselho Municipal das Secretarias de Saúde do RN (Cosems), Maria Eliza Garcia, diz que o novo piso é merecido para esses profissionais que trabalham diretamente na linha de frente do atendimento à população, porém , ressalta que há preocupação enquanto gestão. “É o contexto financeiro, visto que o SUS é financiado e, para os programas que temos, recebemos incentivos do governo federal, e não pactuação, onde há cofinanciamento. Outra preocupação é que tenhamos cautela e verifiquemos como está a folha porque grande parte dos municípios está no limite prudencial. Temos 140 municípios com menos de 20 mil habitantes e eles não têm sustentação de arrecadação vivendo do FPM para garantir o pagamento desse piso”, alertou a presidente.
Segundo a gestora, o novo piso elevará a folha dos enfermeiros de quase todos os municípios em 100%. “Estamos preocupados em como vamos articular, organizar e cumprir o piso, que sabemos que teremos que fazer, mas como vamos ter recursos para isso?”, questiona.
A Lei 14.434 estipula que, em todo o país, enfermeiros não poderão receber menos que R$ 4.750, independentemente de trabalharem na iniciativa privada ou no serviço público federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, mas não apenas isso, uma vez que 70% (R$ 3.325) deste valor deve ser pago aos técnicos e 50% (R$ 2.375), para auxiliares e parteiras. Os pisos salariais deverão ser aplicados por todos os setores até o início do próximo exercício financeiro. Por enquanto, só poderão ser aplicados em instituições privadas e filantrópicas e municípios que tenham disponibilidade orçamentária.
Maria Eliza, que também é secretária de saúde do município de Doutor Severiano, diz que o número de técnicos e auxiliares é ainda maior e necessária para a prestação de serviços na área. “Temos grande número de técnicos de enfermagem. O Governo Federal falou em criar um fundo e temos que ter algum recurso adicional e estamos solicitando que tenha esse fundo de suplementação financeira para atender essa necessidade. somente com os cofres municipais é muito difícil atender esse pleito”, avalia a presidente do Cosems.
A lei que institui os pisos nacionais também determina que as remunerações e salários atualmente pagos a quem já ganha acima desses pisos deverão ser mantidos, independentemente da jornada de trabalho para o qual o trabalhador foi admitido. E que também os acordos individuais ou coletivos devem respeitar esses valores mínimos.
Entretanto, o governo decidiu vetar o dispositivo que garantia o reajuste anual automático dos valores com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A decisão não agradou a categoria. Em nota, a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Betânia Santos, disse que a partir de agora, esses profissionais têm um dispositivo constitucional que permite lutar para estabelecer condições de salário e de trabalho.
“Vamos manter a mobilização, para derrubar o veto ao dispositivo que garante o reajuste pelo INPC no Congresso. Praticamente todas as categorias da saúde possuem jornadas de trabalho inferiores a 44 horas semanais, menos a Enfermagem. Existem fartas evidências científicas mostrando que é necessário reduzir a jornada da categoria para 30 horas semanais, além de garantir um descanso digno para essas trabalhadoras e trabalhadores”, disse Eliza.
Segundo a Secretaria de Saúde, municípios não fizeram reserva de doses de vacina. Foto: Magnus Nascimento
De acordo com informações da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), onze municípios potiguares tiveram a vacinação suspensa para crianças de 3 a 4 anos de idade por falta de vacina coronavac. A secretaria fez a solicitação de mais 90 mil imunizantes e, de acordo com a Vigilância de Saúde, a previsão de chegada das doses é em setembro. A orientação do estado para que todos os municípios concluíssem o calendário sem atrasos, era a reserva de imunizantes para cobertura das duas primeiras fases de vacinação. Mesmo assim, alguns municípios não reservaram e terão que esperar a chegada de novas doses, já que o estado não dispõe desses imunizantes em estoque, o que pode prejudicar o calendário vacinal das crianças caso haja atraso na entrega por parte do Ministério da Saúde.
Em nota, a Sesap divulgou: “Apesar da orientação dada, alguns municípios zeraram o estoque e suspenderam a vacinação. A Sesap solicitou ao Ministério da Saúde o envio de novas doses da coronavac”. Os municípios com vacinação suspensa foram Vera Cruz, Montanhas, Serra de São Bento, Tibau do Sul, Sítio Novo, Lajes Pintadas, Lagoa de Velhos, Senador Elói de Souza, Jaçanã, Japi e Parnamirim. “A gente fez de tudo para não faltar doses pelo menos para iniciar, porque já que o Ministério da Saúde abriu a vacinação já sem vacina, a gente fez um remanejamento de onde estava sobrando, enviando para onde não tinha nenhuma dose. Então, alguns municípios iniciaram, mesmo com poucas doses”, explicou a coordenadora do Programa de Imunização da Sesap, Laiane Graziela. “Infelizmente, essa é uma realidade possível, um cenário possível [o atraso no calendário vacinal]”, conclui.
Ainda de acordo com a pasta, quando o Ministério da Saúde liberou a vacinação para crianças de 3 a 4 anos de idade, haviam poucas doses de Coronavac em estoque e não foram distribuídas mais vacinas pelo Governo Federal. A orientação era de que cada município remanejasse as vacinas necessárias para dar prosseguimento à cobertura vacinal. Ao todo, foram remanejadas 10.100 doses. De acordo com a secretária, a quantidade de imunizantes solicitados deve ser suficiente para suprir o quantitativo dessas crianças. Atualmente, cerca de 6.394 crianças nessa idade já receberam a primeira dose do imunizante em todo o estado, o que, de acordo com ela, ainda é uma cobertura baixa. “Está muito abaixo. A gente tem uma estimativa de 95 mil crianças na faixa etária de 3 a 4 anos e hoje a gente só tem 6.300 vacinadas”, aponta.
Varíola dos macacos (monkeypox) causa erupções na pele, que se espalham por todo o corpo da pessoa infectada. Foto: Reprodução
O Rio Grande do Norte tem oito casos confirmados de varíola dos macacos (monkeypox) e outros 36 casos suspeitos da doença. Os dados são do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) e da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap).
De acordo com o mais recente informe de monkeypox disponibilizado pela Sesap nesta quarta-feira 10, são cinco casos confirmados em Natal, um em Mossoró e dois em Parnamirim. Os 36 casos suspeitos estão distribuídos entre os municípios de residência: Tibau do Sul (1), São Gonçalo do Amarante (3), Riachuelo (1), Parnamirim (4), Natal (14), Montanhas (1), Macaíba (1), Lagoa de Pedras (1), Jandaíra (3), Extremoz (4), Ceará-Mirim (1), Angicos (1) e Pias – Portugal (1).
Em Natal, há ainda um caso provável. Até agora, doze casos foram descartados no estado.
A varíola dos macacos costuma causar erupções na pele, que se espalham pelo corpo. As lesões passam por cinco estágios antes de cair, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A doença geralmente dura de 2 a 4 semanas e a transmissão pode ocorrer por contato muito próximo, através de toque em lesões, por via respiratória e até por gotículas de saliva.
Cientistas espanhóis afirmaram, em um estudo publicado na revista científica The Lancet, na segunda-feira 8, que a principal forma de transmissão da varíola dos macacos (monkeypox) no atual surto é o contato próximo durante a relação sexual. Os pesquisadores analisaram dados de 181 pessoas diagnosticadas com a doença entre maio e junho deste ano, em três clínicas de saúde sexual no país.