Lacen passa a fazer o diagnóstico da monkeypox no RN

Anteriormente amostras eram enviadas para o Rio de Janeiro

O Laboratório Central Dr. Almino Fernandes (Lacen/RN) inicia, nesta segunda-feira (31), o diagnóstico e vigilância laboratorial da monkeypox. Anteriormente as amostras eram enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Com isso, os resultados serão liberados com maior rapidez, em até sete dias, após o recebimento do material biológico.

De acordo com o diretor administrativo do Lacen/RN, o biomédico Derley Galvão, as unidades de saúde já estão cientes do fluxo e as amostras coletadas podem ser encaminhadas até às 17h ao Laboratório Central. “A única mudança é que ao invés de enviarmos as amostras faremos as análises por aqui. Isto permitirá um diagnóstico e conduta clínica mais rápida, além de ações de Vigilância em Saúde mais efetivas, com geração de informações epidemiológicas em tempo mais oportuno”, explicou.

As análises permitirão, além da identificação ou não da monkeypox, conhecer a sua origem (se é da linhagem da África Ocidental ou não), bem como a detecção de outros vírus como o Orthopoxvirus e Varicela-Zoster. “Com isso, podemos realizar um diagnóstico diferencial em casos suspeitos que apresentem sinais e sintomas clínicos comuns à varíola, herpes-zóster e monkeypox, como as bolhas na pele, por exemplo. Desta forma, continuamos ampliando os testes diagnósticos e as análises da Rede Laboratorial de Saúde Pública Estadual”, concluiu Derley.



RN encerra campanha contra a pólio com 66% do público-alvo vacinado; Natal é única cidade que não atinge 50%

Vacinação contra poliomielite — Foto: Kleide Teixeira/SMS João Pessoa

O Rio Grande do Norte terminou a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite nesta segunda-feira (31) com 66% do público-alvo vacinado. Esse número, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) representa 123.249 crianças menores de cinco anos vacinadas em todo o estado.

Os dados constam na plataforma RN+Vacina e foram obtidos até o final da manhã desta segunda e a Sesap entende a queda no índice de vacinação como preocupante.

Dos 167 municípios do estado, 53 conseguiram atingir a meta estipulada pelo Ministério da Saúde de atingir pelo menos 95% de crianças vacinadas. Outros 113 municípios atingiram percentual de vacinação entre 50 a 94,99% e a capital do estado.

A capital Natal foi a única cidade do estado que não atingiu sequer 50% da cobertura vacinal – chegou a 39,8%, o que representa 16.353 crianças vacinadas.

Para a coordenadora de vigilância em saúde da Sesap, Kelly Lima, a queda da cobertura vacinal é preocupante.

“O percentual de 66% para o estado é muito aquém do que esperávamos. A campanha encerra hoje (31), conforme cronograma previamente pactuado com os municípios. Porém os imunizantes seguem disponíveis em toda a rede durante todo o ano e esperamos que os pais, mães e responsáveis não deixem de vacinar suas crianças”, disse.

Segundo o RN+ Vacina, os três municípios que mais vacinaram no Rio Grande do Norte foram: Severiano Melo (165,41%), Água Nova (137,04%) e José da Penha (127,21%).



Seminário discute ações de combate à sífilis no RN

Foto: Internet

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) promoveu nesta quinta-feira (27) o II Seminário Estadual sobre a Sífilis no Rio Grande do Norte: Combatendo a infecção e fortalecendo as Redes de Atenção à Saúde. Com o tema “Não se engane: a sífilis avança em silêncio”, o evento reuniu no Centro Municipal de Referência em Educação (Cemure) diferentes esferas da saúde pública potiguar para debater estratégias de enfrentamento à doença.

Presente na abertura do evento o secretário de Estado da Saúde Pública, Cipriano Maia, falou sobre a importância do encontro organizado pelo Programa Estadual IST/Aids e Hepatites Virais.

Durante o seminário foram realizadas palestras, discussões e mesa de debates sobre temas como sífilis na gestante, sífilis congênita, desmistificação do uso ambulatorial da penicilina, além de estratégias para modificar o quadro epidemiológico atual da sífilis no RN. Para Kelly Lima, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, é preciso reafirmar a importância da descentralização das ações através das regionais de saúde.

A doença

A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, causada pela Treponema pallidum, que pode evoluir para uma enfermidade crônica com sequelas irreversíveis, em longo prazo, quando não tratada precocemente. É transmitida predominantemente por via sexual e vertical (da mãe para o bebê durante a gestação). A transmissão sexual pode ser evitada com o uso de camisinha masculina ou feminina e a transmissão vertical é passível de prevenção quando a gestante infectada é tratada adequadamente.

Durante o seminário, a coordenadora do programa de IST/Aids e Hepatites Virais, Gislainhy Pires, chamou a atenção para o número crescente de casos no estado e no Brasil e a necessidade de multiplicar as ações de combate à este vírus silencioso. “Precisamos unir forças em todas as frentes para que os indicadores melhorem. O seminário tem esse papel, de unir, discutir e combater a sífilis”, disse.

Números

O RN, entre 2011 e 2021, apresentou 11.340 casos confirmados de sífilis adquirida, 5.572 de casos de sífilis na gestação e 4.729 casos de sífilis congênita. Em 10 anos, a taxa de incidência de sífilis congênita aumentou 2,7 vezes (de 5,2 para 14,0 casos por mil nascidos vivos); a taxa de detecção de sífilis em gestantes cresceu 6,9 vezes (de 3,9 para 27,0 casos por mil nascidos vivos) e a taxa de detecção de sífilis adquirida elevou-se 12,6 vezes, passando de 5,1 para 64,5 casos por 100 mil habitantes. No estado, entre 2011 e 2021, foram declarados, no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), um total de 40 óbitos por sífilis em crianças menores de 1 ano.



LAIS inicia produção de teste rápido para detecção de sífilis e HIV

Foto: Divulgação

Os testes para detecção de sífilis e HIV já podem ser feitos em um mesmo momento, em todas as unidades básicas de saúde no atendimento às gestantes. O diagnóstico é feito por meio de teste rápido, que em breve será produzido pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) e destinados a algumas unidades básicas da zona norte de Natal.

A produção é uma solicitação  do próprio Ministério da Saúde, por meio do Projeto “Sífilis Não” que, desde 2017, vem desenvolvendo diversas ações de enfrentamento à doença em todo o Brasil. Os testes serão produzidos com insumos importados pelo LAIS e disponibilizados, em um projeto piloto, para o atendimento de gestantes, podendo custar até quatro vezes menos do que os testes atualmente utilizados. O duo teste já é utilizado no Brasil e a produção do LAIS é mais uma alternativa destinada ao atendimento das demandas do Ministério da Saúde.

Para Leonardo Lima, pesquisador e responsável técnico pelo desenvolvimento do teste no LAIS, “o uso desta tecnologia possibilita o acesso dos pacientes ao diagnóstico e tratamento de maneira mais ágil, evitando a disseminação da sífilis e outras infecções sexuais que tenham a transmissão semelhante”.

O novo dispositivo desenvolvido pelo LAIS está em fase de aprimoramento e validação com amostras clínicas e poderá, daqui a alguns meses, ser implantado na atenção primária do Sistema Unico de Saúde (SUS). Na avaliação do diretor executivo do LAIS, Ricardo Valentim, a inserção desta tecnologia na atenção primária terá um impacto bastante positivo. “Irá auxiliar na qualificação do diagnóstico, tanto da mulher gestante quanto de outras pessoas que procuram pelos testes de sífilis e HIV, já que em sua grande maioria, os testes são realizados separadamente, causando a perda dos resultados e do acompanhamento desses pacientes”, concluiu.

Portal da Tropical



Governo libera vacina contra covid-19 em crianças a partir de 6 meses

A vacina é da Pfizer e será aplicada em crianças com comorbidades. Foto: Myke Sena / MS

O Ministério da Saúde liberou a aplicação de vacinas contra a covid-19 da Pfizer em crianças de 6 meses a 4 anos de idade que tenham comorbidades. Ainda não há informações sobre quando a pasta receberá e qual o total de vacinas específicas para esse público.

A ampliação de uso da vacina da Pfizer para imunizar crianças de 6 meses a 4 anos de idade contra a covid-19 foi aprovada pela Anvisa em setembro. Desde a liberação, há um impasse no Ministério da Saúde sobre a incorporação da vacina no plano de imunização.

Em nota, nesta quinta-feira (13), a pasta informou que solicitará à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a avaliação de possível ampliação do uso da vacina pediátrica nessa faixa etária. Até que seja analisado pela comissão, a vacinação estará restrita ao publico com comorbidades.

Diferenças

A vacina para crianças de 6 meses a 4 anos de idade tem dosagem e composição diferentes daquelas utilizadas para as faixas etárias previamente aprovadas. A formulação da vacina autorizada hoje deverá ser aplicada em três doses de 0,2 ml (equivalente a 3 microgramas).

As duas doses iniciais devem ser administradas com 3 semanas de intervalo, seguidas por uma terceira dose administrada pelo menos 8 semanas após a segunda dose. A tampa do frasco da vacina virá na cor vinho, para facilitar a identificação pelas equipes de vacinação e, também, pelos pais, mães e cuidadores que levarão as crianças para serem vacinadas. O uso de diferentes cores de tampa é uma estratégia para evitar erros de administração, já que o produto requer diferentes dosagens para diferentes faixas etárias.

“A vacina tem 12 meses de validade, quando armazenada a temperatura entre -90°C e -60°C. Uma vez retirado do congelamento, o frasco fechado pode ser armazenado em geladeira entre 2°C e 8°C durante um período único de 10 semanas, não excedendo a data de validade original”, explicou a Anvisa.

Agência Brasil



Saúde de São Paulo confirma primeira morte por varíola dos macacos; paciente era um homem de 26 anos

Foi confirmada na manhã desta quarta-feira (12/10) a primeira morte em decorrência da varíola dos macacos no estado de São Paulo. O paciente era um homem de 26 anos que estava internado na capital do estado deste agosto.

Segundo informações da Secretaria de Saúde de SP, o homem estava internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas desde o dia 1º de agosto e, além de ter várias comorbidades, fez tratamento com antirretrovirais para uso emergencial em pacientes graves.

Ainda de acordo com a pasta, São Paulo tem 3.861 casos confirmados da doença mas vem registrando queda no número nas últimas semanas.

A doença já matou 6 pessoas no país, 3 no Rio de Janeiro, duas em Minas Gerais e 1 em São Paulo.

Prevenção contra a doença:

  • Evitar contato íntimo ou sexual com pessoas que tenham lesões na pele;
  • Evitar beijar, abraçar ou fazer sexo com alguém com a doença;
  • Higienização das mãos com água e sabão e uso de álcool gel;
  • Não compartilhar roupas de cama, toalhas, talheres, copos, objetos pessoais ou brinquedos sexuais;
  • Uso de máscaras, protegendo contra gotículas e saliva, entre casos confirmados e contactantes.

Sintomas da doença:

  • O principal sintoma é o aparecimento de lesões parecidas com espinhas ou bolhas, que podem surgir no rosto, dentro da boca ou em outras partes do corpo, como mãos, pés, peito, genitais ou ânus;
  • Caroço no pescoço, axila e virilhas;
  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Calafrios;
  • Cansaço;
  • Dores musculares.


RN recebe 16 mil doses de Coronavac para crianças, mas quantidade é insuficiente, diz Sesap

O Rio Grande do Norte recebeu nesta terça-feira (27) mais 16.160 doses de Coronavac para a imunização de crianças de 3 a 4 anos contra a covid-19. No entanto, o número é insuficiente e representa apenas uma parte do total solicitado pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN).

“O lote é insuficiente, representando só 20% do pedido de 80 mil doses que a Sesap fez ao ministério, baseado na quantidade de crianças que ainda precisam ser imunizadas”, informou a pasta em nota.

De acordo com a secretaria, é aguardado que o Ministério da Saúde atenda o pleito feito pela pasta estadual. “A Sesap aguarda que o ministério atenda o pleito da forma mais rápida possível, com o objetivo de garantir a saúde das crianças potiguares”, acrescentou no documento.

Os dados da secretaria apontam que, nas últimas 24 horas, foram confirmados 64 casos de covid-19 no estado, sem nenhum novo óbito. Ao todo, o RN já registrou 556.693 casos e 8.455 vidas perdidas para a doença desde março de 2020.

Portal da Tropical



Sesap renova alerta para meta da vacinação contra a pólio

Oitenta e oito municípios do RN estão abaixo de 50% em número de crianças vacinadas – Foto: divulgação/ Internet

No Rio Grande do Norte a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, iniciada em agosto, alcançou o percentual de 34,84% de cobertura vacinal, o que representa 64.707 doses aplicadas em crianças de 1 a menores de cinco anos de idade. A campanha segue até 30 de setembro e a expectativa é vacinar 95% das crianças nessa faixa etária.

Através de dados gerados pelo portal RN+Vacina, até o meio-dia desta segunda-feira (19), somente nove municípios do estado atingiram essa meta: Monte das Gameleiras, Fernando Pedroza, Caiçara do Rio do Vento, Santana do Seridó, São José do Seridó, Água Nova, Francisco Dantas, José da Penha e Severiano Melo.

Dos municípios da Região Metropolitana de Natal, Extremoz alcançou a marca de 50,21% de cobertura vacinal, São Gonçalo do Amarante está com 27,24%, seguido por Parnamirim com 25,53%, Macaíba com percentual de 24,67% e a capital, Natal, com 18,48% – o que representa 7.594 doses aplicadas no município. Oitenta e oito municípios do RN estão com a meta abaixo dos 50% e outros 70 municípios estão com percentual que varia dos 50 aos 94,99%.

De acordo com Kelly Lima, coordenadora de vigilância em saúde da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), o cenário de coberturas vacinais contra a poliomielite é preocupante. Desde 2017 o RN não vem conseguindo atingir o percentual de cobertura para a pólio estipulado pelo Ministério da Saúde. Em 2021, o número foi de 69,88%; em 2020 um total de 69,7%; em 2019 atingiu 80,74%; em 2018 obteve 90,32% e chegou aos 69,52% em 2017.



Monkeypox: Vacina deve chegar ao Brasil ainda em setembro

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O primeiro lote de vacinas contra a Monkeypox (varíola dos macacos) deve chegar ainda este mês ao Brasil, afirmou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista ao programa Brasil Em Pauta, da TV Brasil.

A negociação, feita com o laboratório dinamarquês Bavarian Nordic, conta com a intermediação da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Nessa primeira leva, devem estar disponíveis 50 mil imunizantes, os mesmos utilizados para o combate da varíola.

De acordo com o ministro, as vacinas não são para toda a população, e sim para grupos específicos. “Não há recomendação, no momento, para a vacinação em massa”, esclareceu Queiroga.

Entre os grupos específicos estão profissionais de saúde que lidam diretamente com amostras de infectados e pessoas que tiveram contato com portadores do vírus. “Estudos já mostram que uma dose dessa pode ser fracionada em cinco doses. Então nós podemos beneficiar um número maior de pessoas. A princípio são aqueles que têm contato com o material contaminado”, disse Queiroga.

O ministro da Saúde também reforçou as diferenças entre a varíola dos macacos e a covid-19. Segundo Queiroga, além da letalidade, o vírus da covid-19 apresentou inúmeras mutações no decorrer da pandemia, o que não se observa com a varíola dos macacos, que foi mapeada pela primeira vez na África, em 1976.

Queiroga reforçou ainda que os índices de contágio da varíola dos macacos estão em queda no mundo e em estabilidade no Brasil. “No mundo inteiro o surto tem diminuído, a velocidade de progressão dos casos é menor e nós estamos numa fase de platô com queda. Então esperamos que esse surto seja controlado”, defendeu Queiroga.

Além da importação emergencial de doses de vacina contra a varíola dos macacos, o Ministério da Saúde também recebeu autorização emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar o antiviral Tecovirimat, que deve ser utilizado em situações graves e específicas. “O uso é diante de situações onde não temos mais alternativas para esses pacientes”, salientou o ministro da Saúde.

Vacina nacional

O Ministério da Saúde também trabalha com o desenvolvimento de um imunizante nacional para enfrentar a doença. A expectativa é que a vacina esteja operacional no segundo semestre do ano que vem. Mas para isso, segundo o ministro Queiroga, o cenário epidemiológico tem de indicar a necessidade de ampliação do público alvo da vacinação.

“É algo que está trabalhado, em pesquisas. Já recebemos a Universidade Federal de Minas Gerais, que nós chamamos de semente, que depois gera a produção do IFA, e a Fundação Oswaldo Cruz, através de Biomanguinhos, tem capacidade de fazer escala. Mas isso é se houver uma indicação de vacinação para um grupo maior de pessoas”.

Sintomas

A varíola dos macacos tem sinais e sintomas que se caracterizam por lesões e erupções de pele, febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.

Revista BZZ



SUS incorpora medicamento que reduz a chance de metástase

Tratamento do câncer de mama ganhará reforço para casos mais resistentes a outras drogas. Foto: Adriano Abreu

Foi publicada no começo da semana, no Diário Oficial da União, uma portaria que incorpora o medicamento trastuzumabe entansina, ou TDMI-1, ao Sistema Único de Saúde (SUS). A substância é usada para o tratamento do câncer de mama no Brasil desde 2014, quando recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O remédio não causa alguns efeitos colaterais associados ao tratamento de câncer, como queda de cabelo, mas requer cuidados. Ainda não há informações sobre quando o item chegará à rede pública de saúde.

O TDMI-1 é indicado para os casos avançados de um tipo de câncer chamado HER2-positivo, em que as células cancerígenas apresentam níveis elevados da proteína HER2 e tendem a se disseminar de forma mais rápida. Segundo o Ministério da Saúde, a medicação passou por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que assessora a pasta no que tange à incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS.


Os casos em que há a amplificação da proteína correspondem a entre 20% e 30% dos tumores de mama invasivos, e o diferencial do medicamento trastuzumabe entansina é a sua ação direta sobre a proteína HER2. De acordo com a médica oncologista Laura Testa, que integra o comitê de Tumores Mamários da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), trata-se de um composto chamado de conjugado droga-anticorpo.

“É um anticorpo anti-HER2, que vai se ligar especificamente a essa proteína e tem conjugado um quimioterápico. Essa substância aplicada diretamente na veia é muito tóxica, mas junto com o anticorpo ela é entregue diretamente na célula que está expressando a HER2”, explica. Uma vez na célula cancerígena, ela inibe a produção de uma proteína necessária para que essa célula continue se replicando.


Quando é utilizado?

Existem dois cenários em que as pacientes podem se beneficiar do uso do TDMI-1. O primeiro ocorre quando outros tipos de medicação não foram capazes de conter o avanço da doença, que se espalhou no processo chamado de metástase. O outro compreende os casos em que, após quimioterapia e cirurgia, ainda existe doença residual e riscos de uma eventual metástase são altos.


Segundo a oncologista, o tratamento costuma ter bons níveis de tolerância. “As pacientes habitualmente têm um bom controle da doença e acabam tendo menos efeitos colaterais do que numa quimioterapia, por exemplo. E para as pacientes com doença residual pós-neoadjuvância, ele realmente diminui o risco de metástase no futuro”, esclarece.


Para Michelle Samora, médica oncologista do HCor, “é muito importante que a gente tenha no SUS um medicamento que, quando é comprovado que o que foi feito de quimioterapia no cenário inicial não conseguiu eliminar o tumor, tenha uma droga mais potente para que a gente aumente a chance de melhora dessa paciente”. Estudos mostram que as chances de recorrência da doença em pessoas que não foram medicadas com TDMI-1 são até 50% maiores do que em pessoas que foram tratadas com outros inibidores de HER2.


O trastuzumabe entansina foi o primeiro com seu mecanismo de funcionamento aprovado no Brasil. Desde o seu registro, outros conjugados droga-anticorpo lançados no mercado demonstraram níveis de resposta até maiores, mas todos permaneciam restritos à saúde suplementar. “A incorporação tardia ao SUS equipara o tratamento das pacientes do SUS com o que as pacientes da saúde suplementar têm acesso hoje. Era algo que faltava”, afirma Laura.


A tecnologia não causa alguns efeitos colaterais associados ao tratamento de câncer, como queda de cabelo, mas requer cuidados de monitoramento pela equipe médica. Entre os riscos, estão a diminuição das plaquetas, anemia e distúrbios no funcionamento do fígado. “Em alguns casos, também é preciso controlar a pressão, além de ter a neuropatia (danos aos nervos) que a gente sabe que está associada com o uso da medicação”, lista a médica Michelle Samora.


Atualmente, pessoas com câncer de mama HER2-positivo que recebem tratamento pelo SUS são medicadas com agentes quimioterápicos e trastuzumabe, um anti-HER2 composto por parte da molécula do trastuzumabe entansina e indicado para quadros iniciais da doença.


Números
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o câncer de mama um problema mundial de saúde pública e estima que, em 2018, 627 mil mulheres em todo o mundo morreram em decorrência da doença, cuja incidência tende a aumentar com o envelhecimento da população.


No Brasil, segundo informações do Ministério da Saúde, o número total de novos diagnósticos ao ano chega a 60 mil – uma taxa de incidência de 60 casos a cada 100 mil habitantes. Em 2018, o País foi o quarto em número de casos e o quinto em mortalidade.

Tribuna do Norte