Pesquisa prevê 33 mil novos casos de câncer até 2025

Número de pacientes na Liga contra o Câncer tem aumentado desde 2020. Segundo médicos, maus hábitos são responsáveis. Foto: Magnus Nascimento

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima, em estudo divulgado quarta (23), cerca de 11 mil novos casos de câncer no RN para cada ano entre 2023-2025,  com 33 mil casos no total. No cenário nacional, a estimativa é de 704 mil casos no mesmo período. Em comparação com a estimativa anterior (2020-2022), houve um aumento de 12,6%. Na época, estimava-se cerca de 625 mil novos casos da doença. Nesta edição, o destaque é das regiões sul e sudeste, que acumulam 70% dos casos. Já o nordeste representa 21,7% do total e o estado potiguar representa cerca de 1,6%.

Ao todo, foram estimadas  ocorrências para 21 tipos de câncer mais incidentes no País, dois a mais do que a anterior, que não contabilizou pâncreas e fígado. De acordo com o levantamento, câncer de pele não melanoma é o que tem maior incidência (31,3%), seguido de câncer de próstata (10,2%) e mama (10,5%). Os três tipos da doença mantinham liderança ainda na estimativa passada, mas o câncer de pulmão, que anteriormente representava 5,6%, caiu 1 ponto percentual, passando para 4,6%.


Os números de pacientes atendidos no Hospital da Liga Contra o Câncer passam por aumento desde 2020. Câncer de pele passou de 1.859 casos em 2020 para 2.733 em 2021. Em 2022, de janeiro a outubro, já são contabilizados 2.438 pacientes. O crescimento também foi visto na quantidade de mulheres diagnosticadas com câncer de mama, que foi de 975 em 2020 para 11.121 em 2021 e contabiliza 745 pacientes de janeiro a outubro deste ano. Câncer de próstata apresenta números menos expressivos em comparação aos anteriores. Foi 591 em 2020, 814 em 2021 e 723 até outubro deste ano. 


O estudo também estabelece diferenças entre regiões com maior e menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).  Nas regiões de maior índice, os tumores malignos de cólon e reto ocupam a segunda ou a terceira posição, sendo que, nas de menor IDH, o câncer de estômago é o segundo ou o terceiro mais frequente entre a população masculina. Entre as mulheres, nas regiões mais desenvolvidas, depois do câncer de mama, vem o câncer colorretal, mas, nas de menor IDH, o câncer do colo do útero ocupa a posição.


Maus hábitos

A oncologista da Liga Contra o Câncer, Sulene Cunha, explica que o Brasil segue a estatística mundial com relação aos tipos de câncer mais recorrentes. “É uma estatística até mundial. A gente sabe que os cânceres mais prevalentes até no mundo são próstata em homem e mama em mulher, fora pele. Não é nem só do Brasil”, afirma. Ela atribui o aumento de casos na estimativa a maus hábitos de vida, como a falta de exercício físico e hábitos alimentares inadequados, para além de fatores genéticos. 


“A gente acredita que tenha fatores genéticos envolvidos nesses tumores que a gente já conhece algumas mutações genéticas, mas é uma minoria. Tem a parte, realmente, de estilo de vida. A parte hereditária, que é a minoria, e a maioria é estilo de vida”, complementa. Com estilo de vida ela menciona, além da alimentação e prática de exercícios, hábitos como tabagismo. 


“Nesse estilo de vida a gente vê alimentação inadequada, hábitos de vida inadequados, sem a prática de exercícios físicos, tabagismo envolvido”, diz. Embora câncer de pulmão tenha diminuído no Brasil, ainda estima-se cerca de 32 mil novos casos para o próximo triênio, ainda de acordo com o INCA. Mesmo assim, segundo a oncologista, a diminuição representa sucesso para as campanhas de combate ao tabagismo. “A incidência do câncer de pulmão diminuiu porque as práticas de combate ao tabagismo têm sido mais eficazes. É uma coisa que vem sendo trabalhada e população tem que conscientizado mais de que o tabaco é um fator de risco para o câncer de pulmão. É isso que cada vez mais temos que trabalhar na população: hábitos de vida saudáveis”, comenta. 


Sulane atribui, ainda, a quantidade de diagnósticos de câncer de intestino às más práticas alimentares, além do estresse diário. “O câncer de intestino, justamente, tem a ver com as práticas alimentares inadequadas e falta de atividade física. A gente vê que o estresse, a correria e o dia a dia mais agitado, essa vida mais agitada que a gente leva, faz com que não tenhamos essas duas coisas”, afirma. 


Com relação ao destaque é das regiões sul e sudeste, que acumula a maioria dos casos, a oncologista diz que essa maioria se dá por serem regiões mais populosas e, em consequência, de pessoas com vidas mais agitadas. “A incidência maior porque elas tem um número maior de pessoas, mas também elas tem esses hábitos de vida mais inadequados. Pessoas que saem muito cedo para trabalhar e só voltam a noite. Essa vida mais corrida propícia um maior nível de estresse”, complementa. 


Exposição ao sol é fator de risco para a pele

O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente  nas ultimas duas estimativas. De acordo com o INCA, a doença acumulará mais  de 220 mil casos até 2025. Segundo Sulene Cunha, este tipo de neoplasia – tumor que ocorre pelo crescimento anormal do número de células – é o mais frequente por conta da alta exposição ao sol e não tem distinção de gênero, ou seja, pode atingir qualquer pessoa. 


“É um tumor mais frequente porque tem a ver com o nível de exposição ao sol. O sol é importante em algumas coisas como vitamina D e a energia, mas a gente precisa saber que essa exposição prolongada traz um risco maior”, comenta Sulene.  Durante todo o ano, o Brasil, em especial a região nordeste do País, registra altas temperaturas. Natal, capital potiguar, por exemplo, é nacionalmente conhecida como a Cidade do Sol e por isso apresenta riscos especiais e requer que seus cidadãos tomem cuidados igualmente especiais e eficazes. “É homem e mulher, todo mundo  e acontece desde o nascimento, por isso a gente precisa se prevenir”, diz Sulane. 


O uso de protetor solar no rosto e nas partes do corpo que ficam expostas (braços, mãos e pescoço), além da proteção com jaquetas e camisas especiais que filtram os raios prejudiciais a saúde, como o UVB, podem ser alternativas para se manter protegido o dia todo. “Evitar esse sol, usar filtro solar”, completa. 
Embora esses tumores sejam mais frequentes, têm baixa taxa de mortalidade. “A taxa de mortalidade deles é muito baixa porque são tumores locais. Se você retirou aquela lesão, você está praticamente curado. Apesar de ser o mais incidente, ele tem uma mortalidade muito baixa. Exceto o melanoma, que é um outro subtipo mais agressivo”, explica. 


Prevenção

De acordo com a médica, existem dois tipos de prevenção que precisam de atenção. A prevenção primária, que consiste na utilização de hábitos saudáveis, como alimentação baseada em frutas, legumes e vegetais de forma equilibrada, prática de exercícios e noites de sono suficientes; e a prevenção secundária, chamada de rastreamento, que consiste na realização de exames de rotina e autoexames. 
Além disso, existem as campanhas que atuam como agentes de combate e prevenção. Este mês acontece o Novembro Azul, no combate ao câncer de próstata. “Teve o mutirão de próstata. Foram realizados 200 PSA’s e toques retais, vai ter o dezembro, que é de pele, que também atenderemos a população. Temos que trabalhar a população”, conclui. 


Brasil

Pele não melanoma: 220.490

Próstata: 71.730Mama: 73.610

Cólon e reto: 45.630

Total de casos: 704.080

Tribuna do Norte



Sesap lança Plano Multirrisco da Saúde para enfrentamento de Desastres no RN

Foto: Internet

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) convida a imprensa para o lançamento do Plano Estadual Multirrisco da Saúde para Desastres no Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (17), às 11h, no auditório da Escola de Saúde Pública.

O plano foi construído de forma integrada por meio das coordenações de Vigilância em Saúde, de Atenção à Saúde, de Regulação em Saúde e Avaliação e Diretoria de Políticas Intersetoriais e Promoção à Saúde, que compõem o Grupo Técnico de Trabalho da Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada aos Riscos Decorrentes de Desastres (Vigidesastres).

O objetivo principal é subsidiar o desenvolvimento das ações a serem adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública para reduzir a exposição da população aos riscos de desastres, assim como minimizar doenças e agravos decorrentes deles.

Estarão presentes a subcoordenadora da vigilância ambiental Aline Paiva, a coordenadora de vigilância em saúde Kelly Lima e o secretário de saúde Cipriano Maia.

O plano ressalta a importância do fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) dos municípios para o enfrentamento dos desastres em seus territórios de atuação, visto que a APS é coordenadora do cuidado e ordenadora do acesso regulado aos outros níveis de complexidade do Sistema Único de Saúde.

Serviço: Coletiva de lançamento do Plano Multirrisco da Saúde para enfrentamento de Desastres no RN.
Local: Escola de Saúde Pública,  Av. Alexandrino de Alencar, próximo ao Hemonorte.
Horário: 11h.



Nova variante do coronavírus exige reforço da vacinação contra Covid

Foto: divulgação/ Internet

Especialistas da área de saúde voltaram a ficar atentos a um possível crescimento de casos da Covid-19. O alerta surgiu após a identificação da nova variante da Ômicron (BQ.1.1), que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), já circula por 29 países, sobretudo na União Europeia, e provocou a retomada das medidas de isolamento em algumas cidades da China.

No Brasil, a nova cepa foi identificada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), e pelo menos cinco casos dessa nova variante foram registrados (dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um no Amazonas e um no Rio Grande do Sul). A morte de um dos pacientes infectados na capital paulista foi confirmada na última quarta-feira (9). Os cientistas, no entanto, suspeitam que a BQ.1.1 pode estar por trás do repentino aumento do número de casos de Covid-19 no início deste mês, em capitais como Rio de Janeiro, Recife, Goiânia, Manaus e São Paulo, conforme o próprio Ministério da Saúde.

As autoridades de saúde têm recomendado que a população procure tomar as doses de reforço da vacina contra a Covid-19, o que é indicado para aumentar a imunidade e preparar o organismo para se proteger das variantes. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 100 milhões de brasileiros já tomaram a primeira dose de reforço e mais de 35,5 milhões já se vacinaram com a segunda dose de reforço.



Vacina contra câncer de mama tem sucesso nos primeiros testes em humanos

Foto: divulgação

Os resultados de um estudo feito por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Seattle, nos Estados Unidos, sugerem que uma vacina pode ser capaz de tratar diferentes tipos de câncer de mama. Os testes experimentais foram considerados um sucesso e demonstraram uma forte resposta imunológica da aplicação à proteína-chave do tumor.

“Os resultados devem ser considerados preliminares, mas são promissores o suficiente para que a vacina seja agora avaliada em um ensaio clínico randomizado maior”, disse, em comunicado, a autora principal do estudo, Mary Disis, professora de medicina Divisão de Oncologia Médica da Universidade de Washington e diretora do Instituto de Vacinas contra o Câncer.

Os testes de fase I, publicados na revista científica JAMA Oncology, foram projetados para avaliar a segurança de uma vacina terapêutica, para tratar a doença, que tem como alvo uma proteína chamada receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2). O objetivo também foi conferir se a aplicação induzia uma resposta imune à proteína.

A HER2 é encontrada na superfície de várias células, mas em até 30% dos cânceres de mama a proteína é super produzida em até cem vezes a quantidade observada em células normais. Eles tendem a ser mais agressivos e propensos a recorrer após o tratamento, porém a superprodução de HER2 também desencadeia uma reação imunológica que pode ser benéfica.

Pacientes com câncer de mama HER2-positivo que criam um tipo de resposta imune chamada imunidade citotóxica – ou de morte celular – são menos propensos a terem o câncer novamente após o tratamento e têm sobrevida geral mais longa do que aqueles que não conseguem essa resposta imune.

As participantes foram divididas em três grupos com cada participante recebendo três injeções. Um grupo recebeu três injeções de baixa dose (10 mcg) da vacina, um grupo recebeu três injeções com dose intermediária de 100 mcg e um grupo, três injeções de alta dose, 500 mcg. Eles também receberam o fator estimulante de colônia de granulócitos-macrófagos (GM-CSF), que promove imunidade citotóxica.

A autora principal do estudo disse que os resultados mostraram que a vacina é muito segura. “Na verdade, os efeitos colaterais mais comuns que vimos em cerca de metade dos pacientes foram muito semelhantes ao que você vê com as vacinas COVID: vermelhidão e inchaço no local da injeção e talvez febre, calafrios e sintomas semelhantes aos da gripe”, disse Disis.

“Se os resultados do novo ensaio clínico randomizado controlado de fase II da vacina forem positivos, será um forte sinal para avançarmos rapidamente para um ensaio de fase III definitivo”, disse a professora. “Tenho grandes esperanças de que estejamos perto de ter uma vacina que possa efetivamente tratar pacientes com câncer de mama “, completou.



Secretaria de Saúde do RN recebe 17 mil doses da pfizer pediátrica

Vacinação de crianças de 6 meses a 2 anos de idade com comorbidades tem previsão de iniciar na próxima semana com distribução das doses para todos os municípios – Foto: divulgação/Internet

As doses do imunizante da Pfizer Pediátrica para garantir a vacinação de crianças de 6 meses a dois anos chegaram na manhã desta quinta-feira (10) ao Rio Grande do Norte. Foram solicitadas 225.800 doses e o Ministério da Saúde enviou 17 mil.

A Secretaria de Vigilância em Saúde por meio do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis recomendou a vacinação de crianças de 6 meses a 2 anos de idade (2 anos, 11 meses e 29 dias) com comorbidades. O esquema primário será composto de três doses em que as duas doses iniciais devem ser administradas com quatro semanas de intervalo, seguidas por uma terceira dose administrada pelo menos oito semanas após a segunda dose para esta faixa etária.

A intercambialidade das vacinas COVID-19, para a série primária deverá ser realizada sempre com o mesmo imunizante, não sendo recomendada a intercambialidade com outras vacinas COVID-19.

Comprovação das comorbidades

De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização contra a Covid-19 – PNO, em sua 13º edição, indivíduos que fazem acompanhamento pelo SUS, poderão utilizar o cadastro já existente na sua unidade de referência, como comprovante que este faz acompanhamento da referida condição de saúde, a exemplo dos programas de acompanhamento de diabéticos. Aqueles que não estiverem cadastrados na Atenção Básica deverão apresentar um comprovante que demonstre pertencer a um dos segmentos contemplados, podendo ser utilizados laudos, declarações, prescrições médicas ou relatórios médicos com descritivo ou CID da doença ou condição de saúde, CPF ou CNS do usuário, assinado e carimbado, em versão original.



Governo do RN discute ampliar a vacinação contra a covid-19

Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Sesap considera preocupante baixa cobertura. Foto: Paulo Lopes

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) deve se reunir com os secretários municipais de saúde e prefeitos do Estado nesta sexta-feira (11), para discutir um projeto com foco na instalação de postos vacinais no ambiente de trabalho. A informação foi confirmada à Tribuna do Norte, nesta quarta-feira (09), pela coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Kelly Lima. 

Segundo ela, o principal objetivo da proposta é aumentar a cobertura vacinal contra a covid-19 é evitar o aumento de casos locais da doença.De acordo com dados da plataforma RN+Vacina, o Rio Grande do Norte conta com apenas 21% da população vacinada com a segunda dose de reforço (D4), revelando baixa procura pelo imunizante, em especial, por pessoas na faixa-etária entre 20 a 50 anos. 


A coordenadora de Vigilância em Saúde esclarece que o dado é preocupante, tendo em vista que na primeira quinzena deste mês, como ocorre sazonalmente nessa época do ano, ocorreu aumento nos casos de doenças respiratórias, como as viroses.  “A gente se preocupa, já que essas pessoas só estarão mais protegidas se estiverem completamente vacinadas”, enfatizou.

Ao todo, o projeto de implementação dos postos de vacinação nos ambientes de trabalho já foi apresentado a três instituições, incluindo a Federação das Indústrias do Estado (FIERN). Na reunião desta sexta-feira, além da discussão junto aos secretários municipais, a ideia é que a iniciativa seja apresentada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB). 


Para estimular a efetivação da ideia, segundo Kelly Lima, a expectativa é que um posto de vacinação seja inicialmente implementado no Centro Administrativo do Governo do Estado, onde serão ofertadas doses para covid-19, influenza e febre amarela aos servidores e público em geral que estiver circulando no local. Em relação aos postos a serem instalados nas demais empresas, sejam públicas ou privadas, o foco é ofertar prioritariamente doses contra a covid-19 e influenza pela sazonalidade de surgimento de vírus respiratórios.


A coordenadora ressalta, ainda, que é preciso reforçar que a preocupação com a vacinação não devem ser apenas uma prioridade das secretarias municipais de saúde, mas estimulada e possibilitada pelas empresas junto aos seus funcionários. “A ideia é que sigamos com o projeto de novembro a dezembro para alcançar mais de 80% para terceira e quarta dose de reforço”, finalizou.

Tribuna do Norte



Lacen passa a fazer o diagnóstico da monkeypox no RN

Anteriormente amostras eram enviadas para o Rio de Janeiro

O Laboratório Central Dr. Almino Fernandes (Lacen/RN) inicia, nesta segunda-feira (31), o diagnóstico e vigilância laboratorial da monkeypox. Anteriormente as amostras eram enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Com isso, os resultados serão liberados com maior rapidez, em até sete dias, após o recebimento do material biológico.

De acordo com o diretor administrativo do Lacen/RN, o biomédico Derley Galvão, as unidades de saúde já estão cientes do fluxo e as amostras coletadas podem ser encaminhadas até às 17h ao Laboratório Central. “A única mudança é que ao invés de enviarmos as amostras faremos as análises por aqui. Isto permitirá um diagnóstico e conduta clínica mais rápida, além de ações de Vigilância em Saúde mais efetivas, com geração de informações epidemiológicas em tempo mais oportuno”, explicou.

As análises permitirão, além da identificação ou não da monkeypox, conhecer a sua origem (se é da linhagem da África Ocidental ou não), bem como a detecção de outros vírus como o Orthopoxvirus e Varicela-Zoster. “Com isso, podemos realizar um diagnóstico diferencial em casos suspeitos que apresentem sinais e sintomas clínicos comuns à varíola, herpes-zóster e monkeypox, como as bolhas na pele, por exemplo. Desta forma, continuamos ampliando os testes diagnósticos e as análises da Rede Laboratorial de Saúde Pública Estadual”, concluiu Derley.



RN encerra campanha contra a pólio com 66% do público-alvo vacinado; Natal é única cidade que não atinge 50%

Vacinação contra poliomielite — Foto: Kleide Teixeira/SMS João Pessoa

O Rio Grande do Norte terminou a campanha nacional de vacinação contra a poliomielite nesta segunda-feira (31) com 66% do público-alvo vacinado. Esse número, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) representa 123.249 crianças menores de cinco anos vacinadas em todo o estado.

Os dados constam na plataforma RN+Vacina e foram obtidos até o final da manhã desta segunda e a Sesap entende a queda no índice de vacinação como preocupante.

Dos 167 municípios do estado, 53 conseguiram atingir a meta estipulada pelo Ministério da Saúde de atingir pelo menos 95% de crianças vacinadas. Outros 113 municípios atingiram percentual de vacinação entre 50 a 94,99% e a capital do estado.

A capital Natal foi a única cidade do estado que não atingiu sequer 50% da cobertura vacinal – chegou a 39,8%, o que representa 16.353 crianças vacinadas.

Para a coordenadora de vigilância em saúde da Sesap, Kelly Lima, a queda da cobertura vacinal é preocupante.

“O percentual de 66% para o estado é muito aquém do que esperávamos. A campanha encerra hoje (31), conforme cronograma previamente pactuado com os municípios. Porém os imunizantes seguem disponíveis em toda a rede durante todo o ano e esperamos que os pais, mães e responsáveis não deixem de vacinar suas crianças”, disse.

Segundo o RN+ Vacina, os três municípios que mais vacinaram no Rio Grande do Norte foram: Severiano Melo (165,41%), Água Nova (137,04%) e José da Penha (127,21%).



Seminário discute ações de combate à sífilis no RN

Foto: Internet

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) promoveu nesta quinta-feira (27) o II Seminário Estadual sobre a Sífilis no Rio Grande do Norte: Combatendo a infecção e fortalecendo as Redes de Atenção à Saúde. Com o tema “Não se engane: a sífilis avança em silêncio”, o evento reuniu no Centro Municipal de Referência em Educação (Cemure) diferentes esferas da saúde pública potiguar para debater estratégias de enfrentamento à doença.

Presente na abertura do evento o secretário de Estado da Saúde Pública, Cipriano Maia, falou sobre a importância do encontro organizado pelo Programa Estadual IST/Aids e Hepatites Virais.

Durante o seminário foram realizadas palestras, discussões e mesa de debates sobre temas como sífilis na gestante, sífilis congênita, desmistificação do uso ambulatorial da penicilina, além de estratégias para modificar o quadro epidemiológico atual da sífilis no RN. Para Kelly Lima, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, é preciso reafirmar a importância da descentralização das ações através das regionais de saúde.

A doença

A sífilis é uma infecção bacteriana sistêmica, causada pela Treponema pallidum, que pode evoluir para uma enfermidade crônica com sequelas irreversíveis, em longo prazo, quando não tratada precocemente. É transmitida predominantemente por via sexual e vertical (da mãe para o bebê durante a gestação). A transmissão sexual pode ser evitada com o uso de camisinha masculina ou feminina e a transmissão vertical é passível de prevenção quando a gestante infectada é tratada adequadamente.

Durante o seminário, a coordenadora do programa de IST/Aids e Hepatites Virais, Gislainhy Pires, chamou a atenção para o número crescente de casos no estado e no Brasil e a necessidade de multiplicar as ações de combate à este vírus silencioso. “Precisamos unir forças em todas as frentes para que os indicadores melhorem. O seminário tem esse papel, de unir, discutir e combater a sífilis”, disse.

Números

O RN, entre 2011 e 2021, apresentou 11.340 casos confirmados de sífilis adquirida, 5.572 de casos de sífilis na gestação e 4.729 casos de sífilis congênita. Em 10 anos, a taxa de incidência de sífilis congênita aumentou 2,7 vezes (de 5,2 para 14,0 casos por mil nascidos vivos); a taxa de detecção de sífilis em gestantes cresceu 6,9 vezes (de 3,9 para 27,0 casos por mil nascidos vivos) e a taxa de detecção de sífilis adquirida elevou-se 12,6 vezes, passando de 5,1 para 64,5 casos por 100 mil habitantes. No estado, entre 2011 e 2021, foram declarados, no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), um total de 40 óbitos por sífilis em crianças menores de 1 ano.



LAIS inicia produção de teste rápido para detecção de sífilis e HIV

Foto: Divulgação

Os testes para detecção de sífilis e HIV já podem ser feitos em um mesmo momento, em todas as unidades básicas de saúde no atendimento às gestantes. O diagnóstico é feito por meio de teste rápido, que em breve será produzido pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) e destinados a algumas unidades básicas da zona norte de Natal.

A produção é uma solicitação  do próprio Ministério da Saúde, por meio do Projeto “Sífilis Não” que, desde 2017, vem desenvolvendo diversas ações de enfrentamento à doença em todo o Brasil. Os testes serão produzidos com insumos importados pelo LAIS e disponibilizados, em um projeto piloto, para o atendimento de gestantes, podendo custar até quatro vezes menos do que os testes atualmente utilizados. O duo teste já é utilizado no Brasil e a produção do LAIS é mais uma alternativa destinada ao atendimento das demandas do Ministério da Saúde.

Para Leonardo Lima, pesquisador e responsável técnico pelo desenvolvimento do teste no LAIS, “o uso desta tecnologia possibilita o acesso dos pacientes ao diagnóstico e tratamento de maneira mais ágil, evitando a disseminação da sífilis e outras infecções sexuais que tenham a transmissão semelhante”.

O novo dispositivo desenvolvido pelo LAIS está em fase de aprimoramento e validação com amostras clínicas e poderá, daqui a alguns meses, ser implantado na atenção primária do Sistema Unico de Saúde (SUS). Na avaliação do diretor executivo do LAIS, Ricardo Valentim, a inserção desta tecnologia na atenção primária terá um impacto bastante positivo. “Irá auxiliar na qualificação do diagnóstico, tanto da mulher gestante quanto de outras pessoas que procuram pelos testes de sífilis e HIV, já que em sua grande maioria, os testes são realizados separadamente, causando a perda dos resultados e do acompanhamento desses pacientes”, concluiu.

Portal da Tropical